Salvador
Publicado em 07/10/2019, às 11h15 Reprodução Redação BNews
Nenhuma peça além de um dos dois bustos de Ruy Barbosa foi recuperada, desde a invasão no museu do jurista baiano, no centro de Salvador, em outubro do ano passado. Os responsáveis pelo furto se aproveitaram da falta de dois agentes de segurança contratados pelo Centro Universitário UniRuy | Wyden, responsável pelo museu e levaram 14 itens na época.
Uma única peça foi entregue por um sucateiro à Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR-BA), onde foi registrada a queixa de “furto qualificado/arrombamento com subtração de bens”. O maior dos dois bustos levados pelos criminosos foi restaurado. A peça já ia ser derretida, quando o sucateiro viu, num programa de televisão, a repercussão das notícias divulgadas pela Associação Bahiana de Imprensa (ABI).
O diretor de Patrimônio da ABI, Luís Guilherme Pontes Tavares, relembra com profundo lamento o ocorrido. “O episódio abalou a todos, ainda mais por causa das atitudes surpreendentes da Polícia Civil.” Segundo Tavares, instada na época a investigar e recuperar as peças roubadas, as autoridades responsáveis pela investigação optaram pelo silêncio. “Há quase um ano, a Polícia interrompeu o diálogo que possibilitava à ABI inteirar-se do andamento do processo de recuperação dos pares de óculos, caneta, medalhas, troféu e esculturas que pertenciam a Ruy Barbosa”, conta.
Procurada para atualizar as informações sobre a investigação, a assessoria de Comunicação da Secretaria de Segurança Pública relatou que “o inquérito foi concluído pela Deltur e encaminhado para a Justiça, na segunda-feira (30). Um policial militar foi indiciado por receptação, após ele tentar vender um busto em bronze de Ruy Barbosa a um ferro velho. O autor do furto não foi localizado.
A Associação continuará mobilizada para encontrar os objetos que pertenciam ao acervo da instituição e reintegrá-los às mais de centenas de peças em metal, louça, tecido e gesso, além de estatuetas, telas, mobiliário, livros e documentos diversos que se referem à vida, obra e trajetória do jurista.
Reabertura
Luís Guilherme Pontes Tavares aponta o fato da ABI ter em horizonte próximo a perspectiva de restaurar mais uma vez a Casa de Ruy Barbosa e restabelecer o funcionamento do museu que ela abriga e que atraía muitos visitantes desde a sua inauguração em 05 de Novembro de 1949. “Quiçá possamos reabri-lo em 17 de agosto de 2020, nos festejos dos 90 anos da Associação Bahiana de Imprensa”, projeta.