Salvador
Publicado em 15/09/2026, às 15h14 - Atualizado às 18h45 Divulgação / Yacht Clube da Bahia Cauan Borges
O Yacht Clube da Bahia, localizado no bairro da Barra, em Salvador, enfrenta uma nova crise interna após o registro de uma segunda renúncia e a divulgação de um suposto resultado operacional negativo de R$9 milhões no exercício 2026/2027.
O valor representa uma forte deterioração de 2.900% em relação ao resultado do exercício anterior, que ficou em aproximadamente R$300 mil. A renúncia mais recente é a de Mário de Paula Guimarães Gordilho, conselheiro mais antigo da instituição e integrante da Câmara de Finanças há mais de 45 anos.
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Em carta encaminhada ao presidente do Conselho, Mauricio Stern, Gordilho afirmou que deixa o cargo por não concordar com decisões recentes relacionadas à gestão financeira do clube. Entre os principais pontos levantados pelo ex-conselheiro está a utilização de recursos não operacionais, classificados por ele como receitas patrimoniais, para financiar despesas da operação do Yacht.
Segundo Gordilho, a Câmara de Finanças, após analisar o orçamento de 2026/2027 em conjunto com o Conselho Fiscal, havia recomendado que essas receitas não fossem utilizadas no orçamento operacional. No entanto, a proposta foi derrotada durante uma reunião do Conselho.
Uma alternativa, de acordo com Gordilho, apresentada de surpresa por um conselheiro e ex-Comodoro foi aprovada, apesar de, segundo Mário, não apresentar uma estrutura financeira: “Apresento a minha renuncia ao Conselho do nosso YACHT, por não compactuar com as últimas decisões aqui tomadas, principalmente no que tange à utilização de recursos não operacionais na gestão operacional do clube”, escreveu.
Gordilho também manifestou preocupação com os rumos financeiros da instituição e alertou para o risco de agravamento da situação caso as decisões atuais sejam mantidas: “Se os Srs Conselheiros continuarem nesta toada, certamente em pouco tempo veremos a debacle desta ‘saúde’ financeira atual”, afirmou na carta.
A renúncia ocorre justamente após o Conselho receber o fechamento do exercício, que apontou resultado operacional negativo de R$9 milhões. O número chama atenção diante do resultado registrado no exercício anterior, de aproximadamente R$300 mil, e reforça a preocupação manifestada pelo ex-conselheiro sobre o equilíbrio financeiro da instituição.
Gordilho afirmou ainda que sua saída ocorre em protesto, apesar de se declarar “constrangido e triste” com a situação. Ao longo de sua trajetória no Yacht Clube da Bahia, o conselheiro acumulou mais de 45 anos como conselheiro, período em que participou de diversos mandatos e atuou na Câmara de Finanças.
A atual movimentação representa a segunda renúncia envolvendo a direção do clube no histórico recente apresentado. Em novembro de 2020, o então comodoro Marcelo Gama Lobo também anunciou sua saída do cargo. Na ocasião, o comunicado informava que a vaga seria ocupada pelo então presidente do Conselho, Mário Gordilho, enquanto Eduardo Coutinho assumiria a vice-presidência.
Naquele momento, uma nova eleição deveria ser convocada para escolher o novo comodoro, com prazo de até 45 dias para conclusão do processo. A regra estabelecida pelo clube determinava que apenas integrantes do Conselho poderiam disputar o cargo.
O Yacht Clube da Bahia, localizado no bairro da Barra, em Salvador, se manifestou pela primeira vez sobre os questionamentos envolvendo a situação financeira da instituição e a renúncia de um dos conselheiros mais antigos do clube. Em comunicado encaminhado aos associados e obtido pelo BNews, a diretoria afirmou que mantém uma gestão financeira estruturada, com os compromissos em dia e o patrimônio preservado.
"Caros[as] Associados[as],
Diante de informações recentemente divulgadas sobre a situação financeira do Yacht Clube da Bahia, consideramos importante prestar alguns esclarecimentos.
O Yacht mantém uma gestão financeira estruturada, com seus compromissos rigorosamente em dia e patrimônio preservado.
As informações divulgadas decorrem, em parte, de uma divergência sobre critérios de gestão orçamentária, debatida e decidida democraticamente pelo Conselho Deliberativo, dentro de suas atribuições.
No exercício anterior, diante da posição financeira do Clube, não houve reajuste das mensalidades. Para o novo exercício, a Comodoria propôs reajuste de 10,29%. Após análise e discussão, o Conselho Deliberativo aprovou reajuste de 4,41%, optando pela utilização de parte das receitas classificadas gerencialmente como não operacionais para absorver a diferença. Não há vedação estatutária ou regimental para essa utilização.
Cabe esclarecer também que parte do impacto no resultado contábil decorre da adoção, por iniciativa da atual gestão, de critérios mais cautelosos e conservadores na avaliação e no provisionamento de processos judiciais. Esses valores representam estimativas contábeis de possíveis obrigações e não significam, necessariamente, desembolso financeiro. Caso os riscos não se concretizem ou as decisões sejam favoráveis ao Clube, essas provisões poderão ser revertidas.
Importante destacar que as contas referentes ao exercício 2025/2026 ainda se encontram em processo de apreciação e aprovação, estando prevista sua deliberação na próxima reunião do Conselho Deliberativo.
O Yacht segue conduzindo sua gestão com responsabilidade, transparência, cautela e respeito às decisões dos seus órgãos de governança."