Salvador
Publicado em 06/11/2026, às 06h00 Google Maps / Reprodução Anderson Ramos
Um jovem de 23 anos afirma ter sido espancado por funcionários da Albanos Churrascaria e Espetaria, bar localizado no Porto da Barra, um dos pontos turísticos mais frequentados de Salvador. De acordo com o relato do jovem, que será identificado pelas iniciais GL, a agressão aconteceu no dia 25 de outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.
Ele informou ao BNews que por volta das 21h20 foi ao local comprar cigarro. Após fazer a compra, ele foi abordado por um funcionário que pediu que ele se retirasse do local, sob a alegação de que não poderia fumar ali. GL tentou argumentar, dizendo que acendeu, mas que não iria fumar no local, porém este mesmo homem o segurou pelo braço com força e o arrastou para o lado de fora do estabelecimento. Nesse momento, outros funcionários teriam se aproximado e começado a agredi-lo, sem lhe dar chance de defesa.
“Afirmei que tiraria uma fotografia do estabelecimento para buscar meus direitos, pois, independentemente de eu estar certo ou errado quanto à proibição de fumar, entendia que o funcionário não tinha o direito de me agarrar e me arrastar pelo braço. Quando retirei o celular para registrar a situação, esse mesmo rapaz me impediu de filmar e, em seguida, tentou tomar o aparelho da minha mão. Foi nesse momento que outro rapaz se aproximou, me chamou de "desgraça" e desferiu diversos socos contra o meu rosto. Durante as agressões, havia aproximadamente oito pessoas ou mais ao meu redor, o que me fez sentir completamente indefeso”, relatou o jovem.
Em seu relato, GL diz que enquanto recebia diversos socos no rosto e cabeça, uma outra pessoa se aproximou por trás e o atingiu nas costas com um pedaço de madeira. Em meio à confusão, ele conseguiu se desvencilhar dos agressores e saiu correndo em direção a uma base da Polícia Militar.
Ele disse que antes de conseguir chegar ao posto da PM, uma motorista de aplicativo parou o carro e ordenou que ele entrasse imediatamente no veículo. GL acredita que a atitude da mulher desconhecida salvou sua vida.
Depois que entrei no carro, a motorista me informou que os homens estavam com facas e garrafas de cerveja, que poderiam ser utilizadas contra mim. Ela também afirmou que eu poderia ter morrido caso não tivesse sido socorrido naquele momento”, narrou.
GL disse não saber exatamente o que teria motivado a violência contra ele, mas suspeita que uma das possíveis causas seria por causa de sua orientação sexual.
No dia seguinte ele prestou queixa e registrou um boletim de ocorrência na 14ª Delegacia Territorial da Barra. Em nota enviada ao BNews, a Polícia Civil informou que “a 14ª Delegacia Territorial (DT/Barra) apura uma denúncia de agressão física sofrida por um jovem de 23 anos em um estabelecimento comercial, no dia 25 de outubro, no bairro Barra, em Salvador”. A corporação afirmou que oitivas são realizadas para esclarecer as circunstâncias do caso.
A reportagem tentou entrar em contato com o Albano Churrascaria e Espetaria por meio do telefone que consta no Cadastro de Pessoas Jurídicas, mas não teve sucesso. O espaço segue aberto.
Desde 2023, a empresa tem apenas o empresário Ruan Santos em seu quadro societário, mas já esteve envolvido em outras polêmicas quando era administrado pelo antigo dono.
Em 2012, o responsável era Albano Carlos Lobo Menezes, que foi preso em flagrante por porte ilegal de arma.No momento da prisão, o acusado tinha em mãos uma pistola 380, cheques e a quantia de R$2.908.
Segundo informações do delegado João Alberto Cavadas, o empresário possuía um mandado de prisão em aberto, com acusação de homicídio na cidade de Irará, expedido em setembro de 2011. Contra Albano também constavam inúmeras acusações sobre participação no tráfico de drogas na região do Porto da Barra.
Em 2018, ainda na administração de Albano, um grupo de advogados denunciou um suposto caso de racismo ocorrido após uma confusão no bar. Duas mulheres negras, uma delas advogada, teriam sido expulsas pelo dono do estabelecimento sem motivação. Como se recusaram a deixar o local, o homem chamou a Polícia Militar, que conduziu a dupla em uma viatura até a 11ª delegacia da Barra. Albano, no entanto, pôde se locomover através de um automóvel particular.