Salvador

Mãe atípica denuncia situação humilhante com seu filho em ônibus de Salvador; saiba mais

Uma mãe atípica, identificada como Gesse, relatou ter vivido uma experiência constrangedora e de medo dentro de um ônibus em Salvador  |  Reprodução / Joilson César/ BNews

Publicado em 04/09/2026, às 22h00   Reprodução / Joilson César/ BNews   Leonardo Oliveira

Uma mãe atípica, identificada como Gesse, relatou ter vivido uma experiência constrangedora e de medo dentro de um ônibus em Salvador, na tarde desta sexta-feira (4). Segundo a mãe, o motorista teria fechado a porta do veículo enquanto seu filho autista desembarcava, deixando ela dentro do coletivo e o jovem do lado de fora. 

O caso teria ocorrido por volta das 12h59, nas proximidades do Colégio Terceiro Milênio, na Mata Escura. De acordo com o relato, a mulher estava no ônibus da linha Jardim Santo Inácio-Estação BRT, linha 1249, OT Trans, da Integra. Segundo Gesse, o filho possui sensibilidade a barulhos e teria ficado agitado durante a viagem. Ela contou que pediu ao motorista para abrir a porta quando o coletivo estava parado próximo à UNEB, mas o pedido não teria sido atendido. 

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“É um direito dele. Ele não tem obrigação nenhuma de abrir, porque aquele não era o ponto. Só que o que aconteceu foi que meu filho, estressado com a viagem e com o barulho, ele se irrita com o barulho da porta abrindo e fechando do ônibus e com o barulho do cartão na hora de registrar a catraca, já estava agitado. Quem tem filhos autistas sabe do que estou falando. Quem passa por isso diariamente sabe o que estou dizendo”, relata.

Ainda conforme o relato, ao chegar ao ponto localizado em frente ao Colégio Vitória Régia, os passageiros desembarcaram e mãe e filho ficaram para sair por último. A mulher afirmou que colocou o adolescente à sua frente e que, no momento em que ele descia, o motorista teria fechado a porta. 

“Ele fechou a porta do ônibus, deixou meu filho do lado de fora e eu dentro. Ele viu que eu estava com a criança”, relatou. A mãe afirmou que o adolescente ficou desesperado e começou a gritar por ela. Segundo Gesse, o motorista teria mantido a porta fechada por alguns segundos, enquanto ela ainda estava dentro do ônibus. Após questioná-lo, o condutor teria reaberto a porta, permitindo que ela desembarcasse. 

“Ele viu que eu estava com a criança. Meu filho ficou gritando do lado de fora do ônibus: ‘Minha mãe, minha mãe!’, desesperado, porque não tem costume de andar sozinho, ainda mais em uma rua movimentada, onde há pista e passam ônibus e carros. Ele continuou com a porta fechada, olhando para mim pelo retrovisor. Eu olhei para ele e falei: ‘Está certo isso que você fez com o meu filho? Está certo você fechar a porta no meu filho, que é autista?’”, relatou.

Gesse declarou que o episódio afetou emocionalmente os dois. Ela contou que levava o filho para a escola, onde ele faria duas provas, mas que o adolescente teria chegado desregulado e não conseguiu acompanhar as atividades normalmente.

Agora eu queria simplesmente perguntar: meu filho ainda não tem controle emocional, apesar de fazer tratamentos. Esse motorista tem condições de estar nas ruas, dirigindo e transportando pessoas, idosos, pessoas com deficiência física e pessoas em geral, independentemente da condição delas? Ele tem condições de continuar rodando e transportando pessoas pela cidade de Salvador? Queria perguntar à OT Trans, à Integra e também à Secretaria de Mobilidade de Salvador se eles têm ciência de que existe um homem assim rodando nessa empresa e quais providências vão tomar em relação a isso", disse indignada.

A mãe também afirmou que sofre de hipertensão e passou mal após o ocorrido. No relato, pediu que as imagens das câmeras do ônibus sejam analisadas e solicitou apoio jurídico para responsabilizar os envolvidos.

“Não foi um erro. Não foi que ele fechou a porta sem querer. Foi uma crueldade que ele fez. Foi uma tortura psicológica que ele fez com meu filho e comigo”, afirmou. Ela também defendeu que motoristas do transporte coletivo recebam capacitação para atender pessoas autistas e passageiros com deficiência.

O BNews buscou contato com a Semob e a OT Trans, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto.

Classificação Indicativa: Livre


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