Salvador

MP-BA recomenda mudanças na drenagem urbana após denúncias de alagamentos em Salvador

Ministério Público aponta relatos frequentes de alagamentos na região onde fica um condomínio de alto padrão em bairro de Salvador  |  Reprodução/Google Street View

Publicado em 08/04/2026, às 07h45   Reprodução/Google Street View   Matheus Simoni

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) recomendou à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) de Salvador a adoção de uma série de medidas para conter alagamentos recorrentes no bairro Jardim das Margaridas, na capital baiana. A orientação foi expedida nesta quarta-feira (8) no âmbito de um inquérito civil que apura problemas estruturais no sistema de drenagem da região.

A recomendação foi motivada por denúncias de moradores da Travessa Acalanto e do condomínio Spazio Salvador Norte, que relatam episódios frequentes de alagamento. Segundo o MP, os problemas têm causado prejuízos materiais, riscos à segurança e dificultado o acesso a serviços essenciais.

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De acordo com manifestações técnicas reunidas no inquérito, a rede de drenagem existente apresenta insuficiência de capacidade de vazão e sinais de colapso estrutural. O órgão aponta a necessidade de redimensionamento dos sistemas de micro e macrodrenagem para dar conta do volume de água da região.

O MP também informou que já foram realizadas reuniões com órgãos públicos e com a concessionária Bahia Norte S.A., e que há um acordo em fase de formalização para execução de obras estruturais na área afetada.

O caso evidencia um cenário comum em áreas urbanas em expansão, onde o crescimento imobiliário nem sempre é acompanhado pela adequação da infraestrutura. Para o MP, evitar o agravamento da situação depende de ações imediatas e do controle rigoroso sobre novos empreendimentos.

Novas exigências para empreendimentos

Enquanto as intervenções não são concluídas, o Ministério Público recomendou que a Sedur adote medidas preventivas no licenciamento urbano. Entre elas, está a exigência de que novos empreendimentos direcionem suas águas pluviais ao Riacho das Margaridas, considerado adequado para receber esse volume.

O órgão também orientou que a secretaria deixe de autorizar projetos que lancem águas na rede da Travessa Acalanto, considerada incapaz de suportar aumento de carga hidráulica.

Fiscalização e revisão de critérios

Além das restrições, o MP-BA recomendou a revisão dos critérios técnicos aplicados à aprovação de empreendimentos na região e o reforço da fiscalização quanto ao cumprimento das exigências urbanísticas e ambientais.

Em caso de descumprimento, a orientação prevê medidas como embargo de obras, cassação de licenças e aplicação de sanções administrativas.

A Sedur terá prazo de 20 dias para apresentar ao Ministério Público um relatório detalhando as providências adotadas. O órgão ressalta que o não atendimento pode resultar em medidas judiciais, incluindo o ajuizamento de ação civil pública.

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