Salvador
Publicado em 23/10/2026, às 15h46 - Atualizado às 17h25 Reprodução | Redes Sociais Alex Torres
A rede de supermercados Rede Mix foi processada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) sob a alegação de assédio eleitoral. A ação foi ajuizada nesta sexta-feira (23), após denúncias de que trabalhadores em Salvador estariam sendo obrigados a usar uniformes com o número 22 durante o expediente.
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O número estampado nas camisetas coincide com o mesmo que é utilizado pelo candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). A empresa, por sua vez, se defendeu das acusações e afirmou que a numeração faz referência exclusivamente à campanha de aniversário da rede, que completa 22 anos.
De acordo com o MPT, a investigação começou após denúncias de que funcionários estariam sendo obrigados a usar os uniformes durante a jornada de trabalho. O órgão também recebeu fotografias e novos relatos sobre a utilização das peças diante de clientes e do público em geral.
Responsável pela ação, procuradora do Trabalho Manuella Gedeon destacou que a campanha de aniversário da empresa foi intensificada durante o período eleitoral, o que levantou questionamentos acerca de uma possível referência dos uniformes com um suposto apoio político ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O MPT informou ainda que chegou a encaminhar uma recomendação extrajudicial à Rede Mix para interromper práticas que pudessem configurar uma prática de assédio eleitoral e revisar campanhas promocionais com referências que podem causar uma interpretação política.
Mesmo depois da entrega da recomendação, o órgão recebeu novas denúncias sobre a continuidade do uso das camisetas. Uma fiscalização realizada por servidores do MPT também constatou que trabalhadores permaneciam utilizando os uniformes.
O órgão solicitou que a empresa divulgue um comunicado interno assegurando aos funcionários a liberdade de orientação política e o direito ao voto livre e secreto. Além disso, o MPT requer a fixação de uma multa diária mínima de R$ 50 mil por obrigação descumprida, caso a Justiça determine as medidas e elas não sejam cumpridas.
Outro pedido é que a empresa garanta tempo suficiente para que funcionários eventualmente escalados para trabalhar no dia da votação possam exercer o direito ao voto. Segundo o MPT, uma ação civil pública poderá ser apresentada posteriormente para discutir o mérito do caso e uma eventual indenização por danos morais coletivos, caso as irregularidades sejam confirmadas.
A situação ganhou repercussão na última quinta-feira (22), após os músicos João Cavalcanti e Marcelo Caldi publicarem um vídeo nas redes sociais questionando o uso de camisetas com o número 22 por funcionários da Rede Mix.
Conforme noticiado anteriormente pelo BNews, os artistas relataram que encontraram trabalhadores utilizando as peças durante uma visita a uma unidade da rede em Salvador. Eles questionaram a coincidência entre a numeração da campanha e o número eleitoral de Flávio Bolsonaro.
A publicação provocou críticas nas redes sociais e levantou dúvidas sobre um possível constrangimento aos empregados. Procurada pelo BNews na ocasião, a Rede Mix negou qualquer conotação político-partidária na iniciativa e afirmou que a numeração está relacionada ao aniversário da empresa.
A empresa também explicou que a campanha institucional ocorre anualmente entre o fim de setembro e novembro e faz parte de suas ações de comunicação com clientes, funcionários e parceiros. Até a divulgação da ação, não havia informação sobre os pedidos apresentados pelo MPT. O ajuizamento do processo não representa uma condenação da empresa.