Saúde

Ação contra febre amarela começa com equipes limitadas e alta procura

Para alcançar o maior número de pessoas que realmente precisam tomar a vacina, agentes de saúde passarão de casa em casa para distribuir senhas em zonas consideradas prioritárias  |  Folhapress

Publicado em 25/01/2018, às 06h32   Folhapress   Folhapress

As longas filas em postos de saúde continuarão sendo vistas nesta quinta-feira (25), quando terá início a campanha emergencial de vacinação fracionada contra a febre amarela no Sudeste, admite o presidente do Conasems (conselho dos secretários municipais de saúde).

"Teremos fila porque nossas equipes são limitadas. Cada unidade básica de saúde vai trabalhar na sua capacidade máxima", disse.

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Moradores de 53 cidades do Estado de São Paulo, 20 distritos da capital, e mais 15 municípios do Rio de Janeiro receberão a dose fracionada.

Os Estados anteciparam a ação, que estava marcada para começar em 19 de fevereiro –apenas a Bahia manteve o cronograma original.

A diferença da dose menor em relação à integral está no volume aplicado. Enquanto a padrão tem 0,5 ml, a fracionada tem 0,1 ml. Um frasco com cinco doses, por exemplo, pode imunizar até 25 pessoas.

O tempo de proteção também é diferente: enquanto a primeira protege por toda a vida, a segunda tem eficácia de até oito anos, segundo estudos clínicos recentes.

Fracionar a vacina foi a estratégia adotada pelo ministério da Saúde para alcançar mais gente não imunizada que vive em áreas de risco para encurralar a doença.

Dados oficiais mostram, no entanto, que o vírus da febre amarela tem agido rápido e deixado um rastro de vítimas num curto intervalo de tempo. Segundo o ministério da Saúde, a taxa de letalidade provocada pela doença no país atingiu 40,8%.

Nesta quarta, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, reuniu-se com representantes dos Estados e autoridades sanitárias para traçar a estratégia de combate ao avanço da febre amarela no país.

Para Antonio Nardi, secretário-executivo do ministério, o momento não é para pânico. "A campanha será permanente até acabarmos com os casos de mortes de macacos e de pessoas pela doença."

Até o momento, 130 casos da doença foram confirmados no Brasil, dos quais 53 evoluíram para morte, no período entre julho do ano passado até 23 de janeiro, segundo o ministério. Os dados são repassados pelos Estados, que costumam ter números mais atualizados.

No Estado de São Paulo, por exemplo, a secretaria estadual aponta 86 casos e 36 mortes decorrentes da doença nos últimos doze meses.

CASA EM CASA

Para alcançar o maior número de pessoas que realmente precisam tomar a vacina, agentes de saúde passarão de casa em casa para distribuir senhas em zonas consideradas prioritárias.

Na capital paulista, Sacomã e Cidade Dutra, na zona sul; Cidade Tiradentes e Iguatemi, na leste, são alguns dos distritos no alvo da ação.

Cristina Shimabukuro, coordenadora do departamento de vigilância e saúde da gestão Doria (PSDB), disse que na capital, esse trabalho já começou. Ela, porém, não soube confirmar quantas senhas já foram entregues.

"Elas serão distribuídas conforme a capacidade que cada unidade de saúde básica tem para vacinar", diz.

Com a senha em mãos, os moradores devem procurar a unidade básica mais próxima de casa já com um horário agendado. O objetivo é reduzir os tumultos e as filas.

O que não pode acontecer, segundo Nardi, é ter resistência em se vacinar. Ele cita casos de pessoas que não quiseram se vacinar Em Minas e acabaram morrendo.

Para o ministro da Saúde Ricardo Barros, não vai faltar vacina. "São 2,2 milhões de doses extras por mês desde novembro. Todos serão vacinados", afirma.

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