Saúde

Como o calor no trabalho derruba produtividade e o que empresas devem fazer para proteger funcionários

Aumento das temperaturas no Brasil exige ações imediatas para proteger trabalhadores vulneráveis e evitar complicações de saúde  |  Pixabay / Ilustrativa

Publicado em 12/03/2026, às 05h24   Pixabay / Ilustrativa   Redação Bnews

O calor no trabalho já é um problema sério para milhões de brasileiros e pode prejudicar a saúde e a produtividade dos funcionários.

Pensando nisso, o Instituto Ar e o Movimento Médicos pelo Clima lançaram um guia prático para empresas, com orientações de como proteger trabalhadores da exposição a altas temperaturas e reduzir os riscos de doenças, acidentes e queda de desempenho.

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Segundo especialistas, 70% da força de trabalho mundial já está exposta a calor intenso, e os impactos vão muito além do cansaço, incluindo desidratação, mal-estar e até complicações cardiovasculares.

Desenvolvido por médicos do trabalho e especialistas em saúde, o material reúne evidências científicas, referências normativas e orientações de aplicação imediata para setores como agroindústria, construção civil, transporte e logística. O objetivo é tratar o calor como risco ocupacional, integrando prevenção e gestão de pessoas.

“No Brasil estamos atrasados: muitas empresas ainda não percebem que o aumento constante da temperatura exige medidas de proteção, não apenas durante ondas de calor”, alerta Evangelina Araújo, fundadora do Instituto Ar. Segundo ela, o guia oferece uma oportunidade para áreas de RH e Medicina do Trabalho protegerem colaboradores, reduzir absenteísmo e evitar passivos trabalhistas.

Calor intenso já provoca queda de produtividade
De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 70% da força de trabalho global, ou 2,4 bilhões de pessoas, está exposta a altas temperaturas. A consequência é 6,2 bilhões de horas de trabalho perdidas por ano.

“O calor não causa apenas afastamentos formais. Muitas vezes, ele reduz a produtividade porque obriga o trabalhador a fazer pausas frequentes para hidratação e recuperação fisiológica”, explica João Silvestre da Silva-Junior, médico do trabalho e professor da FMUSP, um dos autores do guia.

Ele lembra que, pela legislação brasileira, todas as empresas devem ter um Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), previsto na Norma Regulamentadora nº 7 (NR-7), elaborado por médico do trabalho. Segundo Silva-Junior, enfrentar o calor requer integração entre segurança do trabalho, medicina ocupacional e produção, com medidas como reorganização de jornadas, rodízio de funcionários, hidratação constante e monitoramento contínuo da saúde.

Brasil registra aumento de temperatura ano após ano
Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em 2025 a temperatura média anual do Brasil foi de 24,56°C, 0,33°C acima da média histórica, sendo o sétimo ano mais quente desde 1961. O recorde histórico permanece em 2024, com média de 25,02°C.

“O aquecimento global é uma realidade, não algo do futuro”, alerta Danielle Bedin, pneumologista e embaixadora do Movimento Médicos pelo Clima. Segundo ela, os mais vulneráveis são trabalhadores em áreas externas, em ambientes internos muito quentes e mal ventilados, além de pessoas com comorbidades, idosos e gestantes.

Os primeiros sinais de sobrecarga térmica incluem mal-estar, boca seca, moleza e coração acelerado, que podem evoluir para tontura, dor no peito, arritmia e até infarto se a exposição continuar. A umidade elevada agrava a situação, dificultando a dissipação do calor pelo suor.

Roteiro prático para empresas

O guia oferece orientações gerais e específicas para quatro grupos:

Entre as medidas estão:

Para os grupos de risco, recomenda-se avaliação médica específica, readequação temporária de funções e, quando necessário, afastamento de ambientes quentes.

O guia “Mudança do clima: calor e saúde do trabalhador” está disponível para download no site do Instituto Ar.

Classificação Indicativa: Livre


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