Saúde
Publicado em 17/10/2026, às 06h00 Foto: Ilustrativa / Freepik Natane Ramos
O fim do tratamento contra o câncer representa uma conquista e nova etapa na vida de muitas mulheres. No entanto, nem sempre a cura representa o fim dos desafios enfrentados por conta da doença. Após a alta, as sobreviventes lidam com marcas não só físicas, mas emocionais.
Pensando nisso, o BNews entrevistou mulheres que encerraram seu tratamento e revelaram como foi se readaptar à rotina, trabalho e mudanças físicas e emocionais. As entrevistadas refletiram sobre como retomar a vida após o câncer de mama.
Em entrevista ao BNews, a personal trainer e influenciadora digital Vanessa Pessôa, contou que descobriu o diagnóstico de câncer de mama em 2016, um ano após ter entrado para a Marinha do Brasil como educadora física e precisar deixar o trabalho para focar no tratamento.
Vanessa refletiu sobre as mudanças após o fim do tratamento. "Após o diagnóstico tudo mudou. Existe uma nova Vanessa Pessôa. Passei por mastectomia, hormonioterapia e três cirurgias, e cada uma delas deixou marcas físicas e emocionais, mas nenhuma marca afetou o meu psicológico", declarou.
"Acho importante dizer que existe uma romantização de que, depois que o tratamento acaba, a mulher simplesmente vira a página. Não é bem assim que funciona. O tratamento pode terminar, mas algumas marcas continuam. Existe o medo dos exames, a ansiedade diante de qualquer sintoma e aquela pergunta que muitas mulheres carregam: 'E se voltar?'. Então, para mim, reconstruir a relação com o corpo foi também reconstruir a relação com a própria vida", relatou.
A personal trainer pontuou a sensação que sentiu após o fim do tratamento, avaliando se havia ou não uma "volta ao normal". "Eu diria que não existe exatamente um 'voltar ao normal'. Existe um novo normal. Quando o tratamento termina, muitas pessoas ao redor entendem que está tudo resolvido. Mas, para quem passou pelo câncer, nem sempre é assim", comentou.
Como pontuado por Vanessa, o fim do tratamento não representa necessariamente que os desafios com a doença chegaram ao fim. A personal destaca que "os acompanhamentos médicos, os exames, o medo da recidiva, as lembranças do que foi vivido e, muitas vezes, consequências físicas e emocionais que ninguém vê" continuam.
"Existe também uma cobrança silenciosa para que a mulher volte rapidamente à vida que tinha antes. Mas nós não somos mais exatamente as mesmas pessoas. Ter recebido o diagnóstico de câncer de mama foi um momento muito poderoso de reconstrução. Foi nesse processo que eu comecei a enxergar minha experiência não apenas como algo que aconteceu comigo, mas como algo que poderia gerar propósito", acrescentou.
Para Kátia Oliveira, o impacto do câncer de mama continuou sendo sentido mesmo após a remissão. Ao BNews, a sobrevivente revelou que sua história com o câncer começou em 2020. "Hoje, depois de cinco anos de acompanhamento e tratamento, posso dizer que encerrei o protocolo oncológico e vivo um momento que esperei muito: estar livre. Mas aprendi que terminar o tratamento não significa simplesmente fechar um capítulo e voltar a ser exatamente a pessoa que eu era antes", revelou.
"Existe um novo normal. Durante o tratamento, você vive esperando o dia em que tudo vai acabar. E quando ele chega, você pensa: 'E agora?' Porque o tratamento termina, mas o medo não desaparece automaticamente", declarou.
Kátia pontua que os exames, dores e inseguranças permanecem. "Continuamos fazendo exames. Continuamos tendo consultas. Às vezes, uma dor de cabeça, uma dor no corpo ou qualquer alteração faz a mente viajar para lugares que você gostaria de nunca mais visitar", declarou.
O trauma da doença afeta outras áreas da vida das pacientes. "Existe também o medo da recidiva. Existe a ansiedade antes dos exames. Existe um cuidado maior com o corpo. Existem efeitos que permanecem", comentou.
Apesar de todos os desafios após o tratamento, Kátia reflete sobre as partes boas que conseguiu retirar após vivenciar o câncer de mama. "Mas existe também algo muito bonito: a capacidade de valorizar aquilo que antes parecia pequeno. Um café tranquilo. Um almoço em família. Uma viagem. Um abraço. Um aniversário. Um dia comum. Hoje, um dia comum é extraordinário para mim", relatou.
"Eu não quero passar o resto da minha vida esperando o próximo exame. Quero viver entre um exame e outro", pontuou.
Os relatos de Kátia e Vanessa destacam a importância do acompanhamento médico, do apoio psicológico e da rede de acolhimento durante essa nova fase.
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