Saúde

Efeito oculto no cérebro? Médico especialista revela o que as canetas emagrecedoras fazem além de agir na redução de peso

Estudos analisados pelo Dr. Gabriel Almeida indicam que substâncias como semaglutida e tirzepatida afetam o controle do cérebro sobre impulsos, desejos alimentares e a saúde mental  |  Divulgação / Ilustrativa

Publicado em 20/08/2026, às 10h35   Divulgação / Ilustrativa   Redação Bnews

As populares canetas emagrecedoras podem estar provocando transformações no organismo humano que vão muito além dos ponteiros da balança. O alerta foi feito pelo médico Gabriel Almeida, pesquisador e professor especialista no tratamento da obesidade, emagrecimento, reposição hormonal, lipedema e terapias injetáveis.

Ao analisar investigações científicas recentes sobre substâncias como a semaglutida e a tirzepatida, o profissional apontou que essas medicações geram impactos diretos na saúde mental e nas respostas comportamentais dos pacientes.

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Dr. Gabriel Almeida
Dr. Gabriel Almeida
Dr. Gabriel Almeida
Dr. Gabriel Almeida

Entre os principais efeitos sob análise da comunidade médica estão o silenciamento de pensamentos obsessivos por refeições, o combate a episódios de compulsão, a modulação da impulsividade e até mesmo influências no tratamento da ansiedade e da depressão.

Um dos avanços mais destacados por Almeida é a eliminação do chamado "ruído alimentar" — aquele estado em que o indivíduo passa o dia concentrado na ideia de comer, mesmo estando sem fome. "Essas medicações, elas podem diminuir esses pensamentos", destaca o médico.

Segundo o especialista, a mudança no padrão biológico atua diretamente no bloqueio do consumo exagerado. "Você acaba não comendo em excesso, não tem aquela compulsão por doce", pontua o pesquisador.

A hipótese de que esses princípios ativos também ajudam a frear outros tipos de comportamentos impulsivos abre um novo campo de investigação sobre a ação do remédio no sistema nervoso central.

Definição de metas e saúde mental

Outra observação importante trazida por Gabriel Almeida envolve o fator psicológico de quem faz o uso dos injetáveis. Os dados mostram que pacientes que iniciam o tratamento com metas numéricas bem definidas — estabelecendo perdas de 20 kg ou 30 kg, por exemplo — costumam apresentar uma resposta clínica superior, comprovando que o comportamento individual caminha lado a lado com a eficácia do fármaco.

No entanto, o dado que mais chama a atenção da medicina envolve a relação dessas drogas com transtornos psiquiátricos. O médico citou levantamentos que associam a semaglutida a quadros de melhora no bem-estar mental.

"Um dos estudos citados encontrou uma associação entre o uso da semaglutida e um risco 42% menor de piora de transtornos mentais", revelou Almeida.

Apesar da estatística promissora, o profissional faz uma ressalva para evitar o uso indiscriminado do remédio com essa finalidade.

"Isso não significa que essas medicações sejam tratamentos para depressão e para ansiedade. Esses efeitos ainda estão sendo estudados, mas esses dados levantam, sim, uma possibilidade muito interessante", pondera.

Uma revolução no tratamento da obesidade

Para o médico — graduado pela Universidade Estadual de Alagoas, com formação em Cirurgia Geral, autor de livros para a área de saúde e recém-empossado na Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (ABRASCI) —, o avanço do uso global da semaglutida e da tirzepatida exige uma nova perspectiva diagnóstica.

"As canetas emagrecedoras podem estar fazendo muito mais do que reduzir a fome e o peso. Elas podem também modificar a nossa relação com a comida, com os impulsos e com alguns comportamentos ligados ao cérebro!", concluiu.

Classificação Indicativa: Livre


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