Saúde

Menino morre após acordar com morcego no rosto e caso cria alerta na saúde

Caso reforça necessidade de avaliação médica imediata após contato direto com esses animais, ainda que não haja mordidas ou arranhões  |  Foto: Ilustrativa / Pexels

Publicado em 29/06/2026, às 11h39 - Atualizado às 13h32   Foto: Ilustrativa / Pexels   Cibele Gentil

Um menino, de 11 anos, morreu após contrair raiva através de contato com um morcego. A criança acordou com o animal sobre o seu rosto, cobrindo o nariz e a boca. Aparentemente, ele não foi mordido ou arranhado pelo morcego; não havia marcas visíveis em seu corpo.

O caso aconteceu em Ontário, no Canadá, e foi publicado em um artigo, nesta segunda-feira (29), no Canadian Medical Association Journal. O relato demonstra que a infecção pode ocorrer mesmo quando não há ferimentos evidentes.

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Quadro evoluiu em poucos dias

Conforme relatado pelos médicos responsáveis pelo atendimento da criança, os pais acreditaram que não havia motivo para preocupação. O morcego não apresentava comportamento agressivo e o menino não tinha lesões visíveis.

No entanto, 19 dias depois, começaram os sintomas. O menino começou a sentir dormência no rosto, dores e vômitos. Inicialmente, recebeu o diagnóstico de uma infecção na boca, mas retornou ao hospital no dia seguinte com rápida piora do quadro.

A criança desenvolveu febre, confusão mental, dificuldade para engolir, salivação excessiva, alucinações e outros sinais neurológicos, sintomas característicos da raiva. Quando o diagnóstico foi confirmado, a doença já tinha avançado e, na fase em que se encontrava, não havia tratamento capaz de impedir a evolução. O menino morreu após 17 dias de internação.

Por que o contato com morcegos preocupa

A raiva é uma infecção viral que ataca o sistema nervoso e costuma ser transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente por mordidas ou arranhões. Como os morcegos têm dentes e garras muito pequenos, as lesões podem passar despercebidas.

Por conta disso, os médicos alertam que o risco não depende apenas da presença de uma mordida evidente. Os especialistas reforçam que qualquer contato direto com um morcego deve ser comunicado aos serviços de saúde, para avaliar a necessidade da profilaxia pós-exposição, que combina vacina e imunoglobulina antirrábica, para impedir que o vírus alcance o sistema nervoso.

Quando a doença dá sinais, quase sempre é fatal

Um dos maiores desafios da raiva é que o vírus pode permanecer incubado por dias ou até meses antes de provocar sintomas. Os primeiros sinais costumam ser inespecíficos, como febre, dor de cabeça, fadiga, formigamento ou dormência.

Com a progressão da infecção, surgem alterações neurológicas graves, incluindo dificuldade para engolir, confusão mental, alucinações e paralisia. Segundo os autores do estudo, uma vez que os sintomas aparecem, não existe tratamento comprovadamente eficaz para interromper a doença. Nessa fase, o atendimento passa a ser apenas de suporte.

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