Saúde
Publicado em 31/10/2026, às 05h00 Magnific Sophia Souza
Mesmo após o fim da quimioterapia, da cirurgia ou da radioterapia, mulheres precisam manter acompanhamento médico, monitorar possíveis efeitos tardios e cuidar da saúde física e emocional.
📲 Clique aqui e inscreva-se no canal do BNews no Youtube!
O fim do tratamento contra o câncer de mama representa uma etapa importante na recuperação das pacientes, mas não significa o encerramento dos cuidados com a saúde. Mesmo após a conclusão de procedimentos como cirurgia, quimioterapia e radioterapia, mulheres que enfrentaram a doença precisam manter o acompanhamento médico e adotar medidas de atenção à qualidade de vida.
Com o encerramento do Outubro Rosa, campanha realizada anualmente para conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, a discussão também passa pela continuidade desses cuidados. O período posterior ao tratamento envolve a vigilância de possíveis recidivas, a identificação de efeitos colaterais tardios e a adaptação à rotina após a experiência da doença.
Após concluir o tratamento, que pode envolver etapas medicamentosas, cirúrgicas e radioterápicas, a paciente deve continuar em acompanhamento com o oncologista e o mastologista. As consultas permitem avaliar a recuperação, monitorar possíveis efeitos do tratamento e investigar o surgimento de novos tumores.
De acordo com a médica oncologista Vanessa Dybal, a frequência das avaliações costuma ser maior nos primeiros anos após o tratamento.
“A paciente que teve câncer de mama, ao terminar seu tratamento multimodal, deve permanecer em acompanhamento com seu oncologista e mastologista com avaliações clínicas periódicas que inicialmente variam de periodicidade de quatro a seis meses a, depois de cinco anos de seguimento, anuais”, explica.
O acompanhamento também funciona como uma medida de vigilância para identificar possíveis recidivas, nome dado ao retorno da doença, ou o surgimento de novos tumores primários. Segundo o especialista, a avaliação médica permite ainda observar possíveis toxicidades tardias relacionadas às terapias utilizadas.
Mesmo após o encerramento das etapas mais intensas, algumas consequências físicas podem persistir ou surgir ao longo do tempo. A ocorrência desses efeitos tardios são menos frequentes, já que a grande maioria deles têm início no curso dos tratamentos, e variam conforme o tratamento realizado.
Entre as pacientes submetidas à radioterapia, por exemplo, podem ocorrer alterações na pele da região irradiada, como vermelhidão, ressecamento e escurecimento. Depois do término das sessões, também pode haver enrijecimento e retração da pele em decorrência da fibrose, processo que provoca alterações no tecido.
“A área que foi irradiada deve ser acompanhada a longo prazo pela possibilidade rara de desenvolvimento de tumores induzidos pela radioterapia no local”, alerta a oncologista.
A especialista também chama atenção para possíveis efeitos relacionados a outros tratamentos. A imunoterapia pode provocar alterações autoimunes mesmo depois de sua interrupção. Já as terapias de bloqueio hormonal, utilizadas em determinados casos, podem favorecer a perda de massa óssea, exigindo monitoramento e medidas preventivas.
O término do tratamento não elimina completamente a possibilidade de o câncer voltar. O risco de recidiva depende de características da doença identificadas desde o diagnóstico e durante o tratamento.
Entre os fatores considerados estão o tamanho e a extensão inicial do tumor, o comprometimento dos linfonodos, a velocidade de crescimento da doença e o subtipo do câncer de mama. Características genéticas também podem influenciar a capacidade de disseminação das células tumorais para outras partes do organismo.
“Quanto maior a doença inicial, a presença do comprometimento de linfonodos pelo tumor no momento cirúrgico, a taxa de crescimento da doença e, a depender do subtipo do câncer de mama, o risco de recidiva pode ser mais elevado”, explica Vanessa.
Por isso, o acompanhamento precisa considerar as particularidades de cada paciente. Mulheres que não passaram pela retirada completa de ambos os tecidos mamários, por exemplo, permanecem com risco aumentado de desenvolver um segundo tumor mamário e devem continuar sob vigilância do mastologista.
Além das consequências físicas, o câncer de mama pode provocar mudanças na autoestima, na sexualidade e na relação da mulher com o próprio corpo. A retirada total da mama e a perda dos cabelos durante a quimioterapia são algumas das experiências que podem afetar a percepção da própria imagem.
Segundo a oncologista, a reconstrução mamária representa uma possibilidade de recuperação da autoestima para mulheres submetidas à mastectomia. O procedimento também é previsto no Sistema Único de Saúde (SUS), conforme a legislação brasileira.
“Felizmente, a reconstrução mamária é uma realidade regulamentada por lei, inclusive no SUS, que não só minimiza esta mutilação, como muitas vezes leva a um reparo estético bastante satisfatório para a paciente, com efeito psicológico bastante estimulante”, afirma.
Em relação à queda dos cabelos, a médica cita o uso de toucas hipotérmicas durante as sessões de quimioterapia como uma alternativa que pode reduzir a perda capilar, dependendo da medicação utilizada. Quando a queda é inevitável, próteses capilares e laces também podem ajudar na recuperação da autoestima.
O apoio psicológico durante o tratamento e depois dele é outro cuidado importante. Para a médica, esse acompanhamento pode ajudar a paciente a lidar com as mudanças provocadas pela doença e encontrar mecanismos para enfrentar as dificuldades emocionais.
A adoção de hábitos saudáveis também integra o acompanhamento após o câncer de mama. Entre as recomendações estão a prática regular de atividade física, a atenção ao peso corporal e uma alimentação equilibrada.
De acordo com Vanessa, a atividade física orientada pode estar presente antes, durante e depois do tratamento, desde que respeite as condições e a disposição de cada paciente. Para o período posterior, o especialista recomenda entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada, associados a exercícios para ganho de massa muscular.
Em relação à alimentação, a orientação é priorizar alimentos naturais, verduras, vegetais e fibras, além de reduzir o consumo de carnes vermelhas e evitar bebidas alcoólicas. Durante a quimioterapia, também são necessários cuidados com a higienização dos alimentos, especialmente quando consumidos fora de casa, e com o uso de ervas naturais, que podem apresentar riscos de toxicidade ao fígado.
O controle do sobrepeso e da obesidade também é apontado como parte importante dos cuidados após o tratamento. Segundo a médica, essas medidas contribuem para a qualidade de vida e para a redução de riscos relacionados à recorrência da doença e ao surgimento de novos tumores.
O fim do Outubro Rosa, portanto, não encerra a necessidade de atenção ao câncer de mama. Para mulheres que enfrentaram a doença, a continuidade do acompanhamento médico, o cuidado com a saúde emocional e a adoção de hábitos saudáveis fazem parte de uma nova etapa, que exige atenção durante todo o ano.
Quanto custa tratar um câncer de mama? Os gastos que aparecem e os que ninguém conta
O trabalho depois do diagnóstico: quais são os direitos da mulher com câncer de mama?