Saúde
Publicado em 18/10/2025, às 14h56 Divulgação Bruna Rocha
A crescente demanda por medicamentos usados no emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, pode estar afetando o fornecimento de insulina no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a priorização da indústria farmacêutica na produção desses remédios pode estar dificultando o acesso à insulina registrada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Atualmente, grande parte da insulina distribuída pelo SUS não possui registro na Anvisa. Em 2025, o Ministério da Saúde entregou 46 milhões de canetas e frascos de insulina, de um total previsto de 67 milhões, certificados apenas por agências regulatórias internacionais. Essa foi uma medida emergencial adotada para evitar o desabastecimento, mas que tem sido criticada por representantes da indústria farmacêutica nacional.
Um dos motivos para a escassez pode ser a alta demanda de insumos (como princípios ativos e dispositivos de aplicação) usados tanto para insulina quanto para os chamados "emagrecedores injetáveis". Empresas como a Novo Nordisk (fabricante do Ozempic) e a Eli Lilly (responsável pelo Mounjaro) produzem medicamentos para diabete, mas vêm priorizando o mercado de tratamento da obesidade, muito mais lucrativo.
Do outro lado, laboratórios como a EMS e outras farmacêuticas que vendem para o Brasil alegam que existem barreiras para comercializar insulinas para o SUS. Segundo documentos internos obtidos pela reportagem, essas empresas apontam que a demanda é alta, mas o preço pago pelo governo é baixo, o que desestimula a produção e venda regular do produto no país.
A Novo Nordisk, que também fabrica os medicamentos Ozempic e Wegovy, afirmou à reportagem que está em processo de modernização de suas linhas de tratamento para diabetes e que não há relação entre a produção dos emagrecedores e o fornecimento de insulina.
A empresa também destacou que cumpre rigorosamente os cronogramas de entrega de insulina acordados com o governo federal e que, em 2024, antecipou cerca de 90% das entregas previstas para 2025.
Apesar disso, em 2025, a farmacêutica entregou aproximadamente 20 milhões de frascos e canetas de insulina - um volume inferior a um terço do total distribuído pelo Ministério da Saúde. Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
Em nota, o Ministério da Saúde atribuiu a redução no fornecimento à priorização, por parte das farmacêuticas, da produção de medicamentos mais lucrativos.
“A redução da oferta de insulina no Brasil e no mundo ocorre, principalmente, pela prioridade que as empresas estão dando a produtos mais rentáveis, como as canetas emagrecedoras”, afirmou a pasta.
Diante da situação, o governo federal informou que está investindo na produção nacional de insulina. O objetivo é fabricar, no país, cerca de 45 milhões de doses por ano - o equivalente à metade da demanda atual do SUS, em parceria com laboratórios da Índia e da China.
Além disso, o Ministério da Saúde estuda a substituição da insulina humana atualmente usada na rede pública por uma insulina análoga, considerada mais moderna, porém hoje aplicada de forma restrita no SUS.
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