Política

Haverá um leal acordo na sucessão da presidência da Assembleia Legislativa?

[Haverá um leal acordo na sucessão da presidência da Assembleia Legislativa?]
02 de Setembro de 2019 às 10:19 Por: Victor Pinto* 0comentários

Aquilo aventado meses atrás, nas últimas semanas foi um assunto recorrente nos corredores da Assembleia Legislativa da Bahia: uma eventual viabilidade da queda do dispositivo regimental que proíbe a reeleição para presidente do Legislativo baiano tem novos emissários e tem provocado rebuliço na base do governador Rui Costa (PT). É buscado deixar o caminho livre para uma eventual recondução do deputado estadual Nelson Leal (PP) ao cargo terceiro da linha sucessória do Executivo do Estado.

Três deputados da base, inclusive um novato, estão imbuídos da missão. Pelo apurado, essa “santíssima trindade” teria a missão de persuadir os demais em favor de Leal: garantir a volta da reeleição e garantir, na esteira, a segunda eleição do atual presidente, distante e na dele, mas um articulador do silêncio. O pepista, principal beneficiado, ficaria de fora do circuito para não ter suas digitais nas negociações, fato comprometedor no futuro, principalmente com a opinião pública.

O fim da reeleição para presidente da ALBA aconteceu como um dos primeiros atos do então presidente e hoje senador da República, Angelo Coronel (PSD).  O pessedista, afilhado político do senador Otto Alencar (PSD), travou uma homérica queda de braço com o então deputado estadual Marcelo Nilo (PSB), hoje deputado federal.

Em suas articulações, Coronel prometia aos pares e à imprensa a medida como forma de garantir a alternância de poder, e esse foi seu discurso que desbancou os longínquos dez anos de Nilo (2007-2017) como um soberano absoluto do Legislativo.

PT, PSD e PP, os três maiores partidos da aliança frondosa empreendida pelo governador Rui, sempre foram os maiores ensejadores da função pela visibilidade, força eleitoral, administrativa e financeira possuídas na cadeira. Na órbita estavam PSB e PCdoB numa tentativa de firmarem um nome de consenso na digladiação dos Golias do núcleo político.

A sucessão de Coronel e a eleição de uma nova composição legislativa foram os balizadores do atual cenário o qual vemos. Todos queriam e nenhum abria mão. Até um acordo ser selado na mesa da governadoria: Nelson Leal presidente no primeiro biênio e o PSD, na figura de Adolfo Menezes, para o segundo biênio. Até aquele momento todos toparam e todos cumpriram a primeira parte do acordo.

Uma importante observação: o segundo biênio é o mais importante, pois será o abarcador das futuras eleições estaduais e a cadeira de presidente do Legislativo tem peso, principalmente se o governador resolver sair candidato ao Senado ou à Presidência, conforme as especulações, pois precisaria renunciar da função.

O PT, na época da formatação do acordo, também esperneou seu lugar na figura do atual líder, deputado estadual Rosemberg Pinto, com toda a razão por ser o maior partido da base e com densidade, mas, convenhamos, já possuía a máquina do Executivo e a base completa, não tinha clima de topar a dobradinha PT/PT à frente dos dois poderes.

Apesar de oficialmente dizer que não se mete, o governo já acendeu seu sinal de alerta. Tudo indica que o governador tenha colocado o time em campo para resolver a celeuma. “Cardeais” do entorno do Palácio de Ondina enxergam com preocupação o movimento, pois provocaria um racha com consequências em 2022.

Resta agora saber se o presidente, deputado Nelson Leal, fará jus ao seu sobrenome e empreenderá a viabilização da palavra dada. Caso não aconteça, seria melhor o político escolher outro sobrenome.  

 


* Victor Pinto é jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura política em sites e rádios de Salvador. Twitter: @victordojornal

** O artigo é publicado simultaneamente no jornal Tribuna da Bahia

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