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A Petrobras fica na Bahia

[A Petrobras fica na Bahia]
26 de Setembro de 2019 às 09:00 Por: Robinson Almeida* 0comentários

A Petrobrás nasceu na Bahia com a descoberta do primeiro campo de petróleo do Brasil, no bairro do Lobato, em Salvador, em 1939. A estatal, em nosso estado, opera em todas as áreas de negócio, da exploração e produção, ao refino, transporte, distribuição e atividades termelétricas, de biocombustíveis e fertilizantes. Toda essa cadeia produtiva é responsável por empregar, diretamente e indiretamente, mais de 20 mil trabalhadores em nosso estado. A companhia, de acordo com o Sindicato dos Petroleiros, movimenta em terras baianas mais de R$ 3,5 bilhões por ano e é um braço importante, diria fundamental, de nossa cadeia industrial. Atualmente, a empresa responde por 15% da atividade econômica de nosso estado. A Petrobrás injeta R$ 80 milhões por mês na economia baiana apenas com os salários dos seus trabalhadores concursados. Esse, digamos, é um apanhado superficial da importância da Petrobrás para Bahia, que o governo Bolsonaro quer tirar de nosso estado, com a privatização da exploração de campos terrestres, a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), o encerramento das atividades da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), a desocupação do Edifício Torre Pituba (EDIBA), que abriga, atualmente, toda parte administrativa da companhia.

Caso essa medidas se concretizem, a Petrobrás deixará de desenvolver todas as suas atividades econômicas na Bahia, único estado do país em que a companhia mantém uma cadeia produtiva integrada com a RLAM (refino), Transpetro (logística), Fafen (fertilizantes, ureia e amônia), Petrobrás Biodiesel (PBIO), Termoelétricas (energia), Campos Terrestres (produção de petróleo e gás) e EDIBA (prédio administrativo). O impacto sobre o Polo Industrial de Camaçari será imediato, por exemplo, pois pelo menos 14 empresas finalizariam suas atividades no estado. Os setores do comércio e dos serviços também serão afetados, além da agricultura. Para se ter uma ideia do impacto econômico, a Refinaria Landulpho Alves, criada em 1950, é responsável por 82% dos R$ 37 milhões da receita mensal de São Francisco do Conde e chegou a ser responsável por 99,32% do refino de petróleo na Bahia e por 20% da arrecadação de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do estado. Quase 40 municípios baianos também podem perder receitas oriundas dos royalties, que, apenas no mês de junho, pagou R$ 28,368 milhões às prefeituras.

Não podemos, dado esse quadro, permitir que a Petrobrás encerre suas atividades na Bahia. Esse desmonte, promovido pelo governo Bolsonaro, é nocivo à economia baiana, ao desenvolvimento do nosso estado e também do nordeste. Por isso conclamo baianos e baianas, independente de credo, de filiação político-partidária, a unir forças numa frente em defesa da Petrobrás na Bahia e também contra sua privatização. Por sua importância estratégica ao desenvolvimento e soberania nacional também não podemos permitir sua venda a multinacionais estrangeiras. A Petrobrás é nossa e não compreender sua importância socioeconômica ou é por pouca inteligência ou por má fé, uma vez que sua saída de nosso território causaria prejuízos imensuráveis à economia e a nossa sociedade, sua privatização tornaria nosso país refém das oscilações do mercado internacional e imporia ao Brasil a dependência.

A Petrobrás, portanto, é estratégica à economia, para o desenvolvimento e para a soberania nacional. O petróleo é a energia que movimenta o mundo, move a economia global e é parte, fundamental, da nossa vida e, por isso mesmo, da disputa geopolítica no planeta na atualidade. Não levar em conta esse contexto e a importância desse bem estratégico à soberania e a segurança nacional é submeter-se à dependência, ao neocolonialismo, entregar a terceiros seu futuro, seu destino enquanto nação. Por esse motivo, o Brasil não pode permitir a privatização da Petrobrás, a maior empresa brasileira, construída ao longo de décadas pelo trabalho, suor, sangue, intelectualidade e investimento do nosso povo. Privatizar a Petrobrás e toda sua cadeia produtiva é um crime de lesa-pátria inaceitável para um país que viveu por séculos sob o colonialismo e carrega, ainda hoje, as marcas da desigualdade, do subdesenvolvimento daquele tempo nefasto da nossa História. O Brasil não pode aceitar o neocolonialismo que o governo Bolsonaro, obedecendo às determinações americanas, quer impor ao povo brasileiro. A Bahia e o nordeste não aceitarão o fim das atividades da estatal em nosso estado e na nossa região. A Petrobrás é nossa, por ela, pelo Brasil, pelo nosso futuro enquanto nação autônoma, soberana e desenvolvida, devemos lutar!

 

* Robinson Almeida é Engenheiro Eletricista, formado pela UFBA, e Deputado Estadual pelo Partido dos Trabalhadores.

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