Artigo

Vejo o futuro repetir o passado 

[Vejo o futuro repetir o passado ]
22 de Fevereiro de 2021 às 06:20 Por: Victor Pinto

'O Tempo não para', de Cazuza e Arnaldo Brandão, tem o trecho do futuro repetir o passado. Me refiro a ele quando vejo a situação da pandemia. Seja no futuro, seja no presente. Completaremos em 6 de março de 2021 a triste marca de um ano do primeiro caso confirmado na Bahia desse maldito vírus e chegamos no ponto de passarmos por mais uma crise, talvez pior que a do ano passado, apesar da vacina já ter chegado. 

O relaxamento da população com a conjunção da nova cepa variante, e mais contagiosa, conforme os infectologistas, foram fatores que abriram a porta para a entrada do contágio mais uma vez. A primeira onda, que não foi dissipada, cresceu mais uma vez. O toque de recolher, por mais que não seja uma medida extremamente eficaz, é algo para chamar atenção do povo. Pelo menos alguma ação é tomada, diferente de uns e outros que vivem em País de Maravilhas e tocam o barco como se nada tivesse acontecendo. 

A junção de Rui Costa (PT) com Bruno Reis (DEM) mostra mais uma vez um senso estadista de ambos. São inimigos nas urnas, querem derrubar um ao outro na eleição, mas no tocante à gestão e unidade pelo bem comum dão exemplo, como foi Rui e ACM Neto (DEM). Esse cenário me remonta o que a CNBB nos traz como discussão da Fraternidade e o Diálogo como tema da Campanha da Fraternidade 2021.  

Em outra vertente, eu vejo o futuro repetir o passado quando um deputado federal pede o retorno do Ato Institucional N.5 e avacalha o que deve ser uma relação harmoniosa entre poderes. Por mais que se coloque em xeque o artigo 53 da Constituição, que versa sobre a imunidade daquilo dito por parlamentares eleitos - e há uma brecha perigosa para uma nova modalidade de flagrante -, a imunidade não pode ser um bastião da impunidade. Rasgar a CF é pedir a volta do AI5, mas quando o bicho pega, evoca a mesma CF e o artigo 5º para defender liberdade de expressão. Não tem lógica. 

Por mais que tenha sido uma manobra perigosa, interposta por Alexandre de Morais do STF, o rito foi feito e a Câmara carimbou a prisão do bolsonarista. Vale destacar: mais um raiz entregue à própria sorte, pois não há menção de apoio ou de ajuda do próprio Jair Bolsonaro aos seus aliados. 

Eu também vejo o futuro repetir o passado quando vejo Lula dizer que seu candidato à presidência da República é Haddad (PT) em 2022. Tudo que o bolsonarismo quer: polarizar com o PT e trazer de volta o discurso antipetista. Mesma tática que o PT fazia com o PSDB para rivalizar no discurso pobres contra ricos. Os petistas podem até ter uma parcela do eleitorado, mas não possuem mais o grande quinhão que tinham e não vão conseguir recuperar. E o que seria uma frente ampla democrática, patina. 

O combate ao novo coronavírus que é tão letal quanto o ódio e também o combate à soberba do não diálogo deveriam ser levados em conta para chegar em um futuro sem um ciclo vicioso.

 

Victor Pinto é editor do BNews e âncora do programa BNews Agora na rádio Piatã FM. É jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura jornalística e na área administrativa de rádios em Salvador. 

Twitter: @victordojornal

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