Artigo

As vacinas, as variantes e a dor

[As vacinas, as variantes e a dor]
22 de Julho de 2021 às 09:31 Por: Túlio Alves

No esteio da insuportável marca que supera 545 mil vítimas da covid-19, sem levar em consideração as subnotificações, o governo Bolsonaro tem provocado um profundo sentimento de repúdio em diversas partes do mundo.

 A lista de motivos é longa: suspeita de corrupção na aquisição de vacinas, crime sanitário, prevaricação, difusão de notícias falsas e ênfase na promoção de medicamentos e tratamentos sem comprovação científica para combater o coronavírus. Nesse contexto, acredita-se que ao menos 200 mil mortes poderiam ter sido evitadas no Brasil caso o governo tivesse tomado as medidas adequadas.

Sem dúvidas, o povo brasileiro está enfrentando a sua maior tragédia, amplificada pela desinformação, suspeitas de corrupção na aquisição de vacinas e medos plantados pelos "robôs" das fakenews. Dados do governo do estado de São Paulo mostram que 642 mil pessoas ainda não foram tomar sua segunda dose de vacina contra a covid-19. Em comparação com o mês de junho, houve um aumento de 168% no número de faltosos. Ao todo, 284,4 mil pessoas ainda não compareceram aos postos para tomar a segunda dose da CoronaVac, e 357,6 mil da vacina da AstraZeneca/Oxford. 

Enquanto isso, as variantes Gama (Brasil) e Delta (Índia), com suas elevadas taxas de contágio, "fazem a festa". A variante delta tem uma taxa de transmissão 55% maior do que a variante Alfa (Reino Unido), 60% maior do que a variante Beta (África do Sul) e 34% maior quando comparada com a variante brasileira (Gama). A variante Delta (Índia) é um vírus totalmente adaptado, transmitido de forma rápida, e provavelmente substituirá todas as outras variantes em um curto período de tempo. Dessa forma, teremos mais casos de Covid-19 e morte por conta dessa variante, caso o governo não melhore as medidas sanitárias e aumente a velocidade da vacinação. Vale ressaltar que TODAS as vacinas já desenvolvidas contra a Covid-19 são EFICAZES contra todas as variantes, inclusive a Delta.

Não há mais tempo. Precisamos interromper o extermínio promovido por um modelo cruel e indiferente de governo. Nesse sentido, urge uma reação de toda a sociedade para recolocar a ciência no centro do enfrentamento ao coronavírus e a empatia nas hostes de um governo que tem causado dor, sofrimento e morte do povo brasileiro.

Professor da UNEB e médico anestesiologista

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