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Eleições

Nome do PRTB para Salvador, Celsinho Cotrim cogita aliança com a esquerda e defende pauta LGBTQ+

[Nome do PRTB para Salvador, Celsinho Cotrim cogita aliança com a esquerda e defende pauta LGBTQ+ ]
17 de Fevereiro de 2020 às 18:53 Por: Juliana Nobre e Luiz Felipe Fernandez*

Com um passado político mais próximo da esquerda, integrando legendas como o PT e PDT, o candidato derrotado ao senado em 2018, Celsinho Cotrim, tenta agora disputar a prefeitura pelo PRTB, partido do vice-presidente Hamilton Mourão, e fundado por Levy Fidelix. Apesar dos valores conservadores dos cabeças do partido, o atual pré-candidato ao pleito não se coloca como uma opção “mais conservadora” em relação ao prefeito ACM Neto (DEM).

Ainda que saia em defesa da família e da segurança pública, que são pautas dos bolsonaristas, não deixa de levantar a guarda em prol das “minorias”, como a comunidade LGBTQI+, os negros e as mulheres.

Ao passo em que se coloca como renovação, quer também recuperar a “velha política” de ir às ruas e dialogar com o povo para buscar as soluções para a cidade. Filho do médico e ex-vereador Celso Cotrim, Celsinho provoca os atuais governantes, que, segundo ele, só lembram do negro e da mulher na disputa eleitoral. Depois, descartam.

Com o plano de governo já pronto, o peerritebista vai aguardar para ser viabilizado e, eventualmente, atrair Isidório, Bacelar ou Niltinho para a sua chapa. Mas não descarta também, por meio do diálogo, sair como vice e apoiar um deles.

Confira [e veja vídeo no final]:

BNews - O senhor teve uma quantidade de votos na eleição passada para o Senado que seria mais do que suficiente para se eleger como vereador. Por que tentar, de cara, ser prefeito?

Bem, eu fui dormir em 2018 com 15 mil votos, acordei com 41 mil votos, achando inclusive que era meme de um amigo, Robson, ah esse cara está procurando brincadeira comigo, não é possível, eu sem um tostão, só fazendo campanha propositiva, e de repente nós somos surpreendidos e vimos que fomos aceitos sim pela sociedade [...] nessa perspectiva e o meu histórico partidário de ter sido presidente de um partido aqui em Salvador, o PSB, dirigente estadual, ter sido filiado ao PT, ao PDT por pouco tempo, sempre gostei de fazer as discussões políticas, propriamente ditas [...] Tenho um perfil muito voltado a fazer a discussão mais macro, de intervenções muito mais consistentes e duradouras para a cidade, e nessa perspectiva não queria ter o emprego pelo emprego. O trabalho do vereador é muito brilhante, muito linda a função, é quem está na ponta conversando com a sociedade. Mas também, coitados, são quem mais sofrem com a subfunção. Se você não conseguir resolver o problema do desemprego de quem está lhe apoiando, você já está condenado de antemão. E, segundo, ser despachante dos alvarás [...] Por isso a candidatura na majoritária se encaixa nesse perfil, de espaço para discutir propostas, programas, ações que possam realmente intervir na coisa pública em benefício da sociedade [...] ter oportunidade e visibilidade para isso, do que entrar na candidatura de vereador, mesmo sabendo que já seria meio caminho andado, mas para ser mais um em uma discussão só para se eleger.

BNews - Como vereador teria pouco espaço para debate, mas em 2018 você disputou uma vaga também para o Legislativo - o Senado.

De lá para cá, eu nunca concorri a cargos na majoritária, não tive oportunidade de ser candidato ao Senado, apesar de ser legislativo, mas você faz parte de uma chapa majoritária e assim você está enquadrado, tive a possibilidade de - sem precisar por lei - escrever também o programa de governo para o Senado, fiz todo esse trabalho e ajudei inclusive, elaborei o programa de governo do candidato do meu partido, o ex-prefeito João Henrique, e isso deu uma dimensão e tesão muito maior, de que é possível resolver o problema interno do cidadão Celsinho Cotrim, que estava abandonado das discussões políticas que aprendeu a fazer lá atrás, indo para as zonais em Salvador, toda sexta-feira eu saía da escola e ia com meu pai para décima zona eleitoral em Itapuã para discutir política, ano de eleição ou não [...] acho uma atividade brilhante porque é quem representa o povo na ponta, mas o meu perfil é mais de estar nessa discussão macro ou estar perdendo tempo em como me eleger, qual aliança fazer.

BNews - Na última eleição você trouxe o debate da nova política, que foi um tema muito utilizado por vários outros candidatos. Só que a gente vê que a política continua a mesma, esses que utilizaram o discurso continuam com as mesmas práticas. O que você está trazendo de novo?

Não considero terra arrasada não...já tem um pouco de nova política introduzida no brasileiro, o comportamento do brasileiro está mudando [...] não aguentamos mais os políticos só responderem o WhatsApp, só baterem nas costas da gente em ano de campanha, passou, você não consegue uma reunião no gabinete dele [...] Isso já vem mudando um pouco, até por ser achincalhado na sociedade por estar mantendo esse comportamento. Mudou 100%? Não. Mas a sementinha já foi plantada. Outra mudança é por parte do eleitor, mudou bastante, ainda não o suficiente para que a política seja transformada como nós desejamos, mas independente da ideologia, da coloração partidária, ele foi pra rua fazer campanha, certo ou errado, de forma gratuita e voluntária pelo ideal que ele acreditava, identificado com um candidato. Essa é a nova política, que eu chamo de resgate da política na sua origem [...] o que Celsinho Cotrim traz de novo no programa de governo? São quatro questões objetivas que a gente vem batendo e que são novas de resolução [...] a questão da insegurança pública, desemprego, a questão da saúde, ninguém aguenta mais a fila da regulação [...] e o quarto é questão da corrupção. Não dá mais para continuarmos entendendo que é cabível passar a mão na cabeça das corrupções, seja 1 real ou 1 milhão, é dinheiro desviado e roubado da mesma forma. Avançamos muito? Avançamos. Mas precisamos avançar muito mais.

Na saúde a gente pretende colocar todos os postos de saúde funcionando 24h, as clínicas particulares já começaram, porque nós não podemos fazer? [...] Na educação, precisamos colocar em cada bairro de Salvador, e iremos fazer isso, uma escola municipal. Por dois motivos: para reduzir a quantidade de tempo para deslocamento, e segundo que desta forma acreditamos que estará dentro da comunidade, da própria casa, utilizando os professores de preferência, as merendeiras e as comidas compradas no comércio local, para familiarizar cada vez mais os alunos com sua escola e sua comunidade [...] apresentamos cinco questões objetivas pra segurança preventiva, iremos aumentar a quantidade guardas municipais de 2 mil em 200%, aumentar o efetivo para colocar nos bairros de Salvador, cada bairro, cada escola [...] ajudaremos muito a reduzir a insegurança pública, contribuindo também com a limpeza urbana, porque muitos criminosos se escondem nos matagais, terrenos baldios.

BNews - O deputado federal Eduardo Bolsonaro disse que se o Aliança pelo Brasil fosse criado a tempo, lançaria um candidato mais a conservador e mais à direita do que ACM Neto. O senhor acredita que poderia ser o representante dessa candidatura?

Não acredito nisso, são dois mundos distintos com poucas convergências, que não atenderia a ele nem a mim, nessa fala ele ainda vai mais além, dizendo que a gestão de ACM Neto não é tão conservadora quanto gostaria, inclusive pegando uma pauta que pra mim é fundamental, que é a questão do público LGBTQI+, tenho uma política completamente diferente. Sou e sempre serei a favor das minorias. Esse debate de que querem colocar as minorias para que tenha parlamentares, políticos sem mandato, a fim de proteger você e ter esse voto cativo. Eu discordo. As políticas públicas e reparadoras existem para reparar anos e ainda costumes que continuam acontecendo em nossa sociedade. Os homossexuais têm os direitos de serem livres, essa discussão não é de isolamento, mas de ampliação, esse debate é nosso, não tenho como me enquadrar em um candidato com esse perfil, porque penso completamente adverso, precisamos, sim, debater de forma clara e separada a questão dos negros, são 500 anos de escravidão e preconceito racial, e não dá para dizer que a política tem que ser adotada na mesma forma para brancos e negros. O mercado de trabalho paga melhor o branco do que o negro, na escolha do currículo o heterossexual se sobressai em relação ao homossexual. A violência cometida é maior com os homossexuais do que com hetero, as mulheres são mais preteridas do que os homens em ambiente de trabalho [...] apesar de ser completamente conservador em alguns aspectos, não admito aluno que não respeite professor, filho que não respeite pai e mãe, não admito as relações supérfluas, plásticas, como a própria sociologia, isso para mim que sou conservador, mas é completamente diferente do que ter uma ideologia travestida de um conservadorismo que vai além de tudo isso.

BNews - Pela sua trajetória política, você tem ideais que são tidos de esquerda, mas você está no PRTB, que tem o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e o presidente do partido, Levy Fidelix, que são figuras tidas como conservadoras, como está fazendo esse equilíbrio?

Com uma questão muito elementar que acontece também na minha família. Com a democracia, no ambiente onde o contraditório não possa ser dito ou respeitado, eu não farei parte. Faço parte porque lá o ambiente é completamente democrático. E preciso até fazer justiça, não consegui ainda encontrar, em um ano de filiado no PRTB, posições adversas. Pegou-se uma fala num rompante, no calor da emoção, que ele mesmo já pediu desculpas, em um debate com Luciana Genro, onde falou aquela questão da utilização do ‘órgão excretor’. É uma questão dele e que já pediu desculpas e já foi condenado pela Justiça, que posso até entender que é de outra geração, uma turma de 50, que sou completamente contra isso, inclusive ele já disse que um dos protegidos no partido, na sede onde trabalha é um homossexual, chamado Paulinho. Posições de cada um são de cada um, eu por exemplo sempre fui da esquerda, hoje me considero centro independente e sempre tive divergências com a esquerda, mt crassas, mas pela democracia respeitava o contraditório. Não admito uma ideologia de esquerda em que a postura primeiro da defesa do trabalhador e ter discussões da reforma de previdência que não presta para um agrupamento político fazer, e quando é conosco essa reforma presta.

BNews - Faltou diálogo do governo com servidores nesse processo?

O que está faltando sempre é a conversa, o entendimento. No entanto, nós, políticos, sabemos que em época de eleição, infelizmente, existe um negocinho chamado de calendário eleitoral. Todo mundo sabe que vem greve da polícia, dos professores... e esse debate temos que fazer. Eu não tenho medo de fazer o debate político. Vamos pegar as datas, não que não tenha em outras épocas, mas já é conhecido dentro do rol do mundo político. Antes do Carnaval chega a greve da polícia pra pressionar [...] não tenho medo de enfrentar o debate, inclusive convido quem se sentiu ofendido, magoado. Precisamos ser de forma séria. Como eu, sozinho, enfrentei a discussão do Colégio Estadual Odorico Tavares. Dos oito pré-candidatos, só eu fui a favor. Moro em frente e vejo a realidade que está lá: estrutura enorme para poucos alunos, gastando com transporte, podendo, de acordo com o projeto que está aí, construir nos bairros dessas pessoas nove colégios de ponta. Não fiquei com medo de perder o voto porque tem calendário eleitoral dos políticos também, né? Ano de eleição político não fala nada que desagrade o eleitor, mas vira uma máscara, a velha política se travestindo para ganhar voto. Eu não faço isso, sou o mesmo de sempre.

BNews - Como está a composição de chapa? Qual a estratégia do partido para superar o pouco tempo de TV? Um bom caminho é a rede social?

É a mesma estratégia que a gente usou pro Senado: gastar muita sola de sapato, imprensa, conversa e as redes sociais. Essa estratégia foi super vitoriosa e me deu 41 mil votos. Fui tido como a surpresa da eleição exatamente por falta de estrutura, de tempo de televisão. Pego outro exemplo, do BNews, que poderia estar com esse programa na TV aberta e preferiu estar aqui [...] já estamos permanentemente nas redes sociais, nas ruas conversando com vocês, e estaremos gastando e investindo cada vez mais nas nossas relações com a mídias.

BNews - Quantos segundos, Celsinho?

Hoje nós temos somente três segundos.

BNews - Há um debate muito forte que é necessário ter candidatos que sejam negros, mulheres, que representem a maioria da sociedade de Salvador. O que você pensa sobre isso?

Acho que essa discussão a cidade tem que fazer e observar. Já notaram que o protagonismo para as mulheres, negros e pobres só aprece na hora da montagem de chapa? Sabe por que isso? Porque a agência de publicidade vai e estuda para os candidatos qual o melhor perfil para se apresentar como novo, pegar a maioria da população, que é negra, e dar uma conotação de maternidade, de acolhimento. Aí, a agência define que é uma mulher, negra e, de preferência, pobre. Aí pronto, quebrou o estigma do candidato branco, riquinho, que só convive com a classe A, no máximo passando pela classe B. Eu estou fora dessa discussão. Desejo, sim, que esses que fazem isso na campanha eleitoral façam isso ao longo das suas gestões, coloquem mais mulheres e homens negros, homossexuais, portadores de deficiência, nos quatro anos da gestão de vocês. Aí eu vou acreditar que o candidato a vice é pra valer, é tido de forma séria. No meu caso, independente de ser mulher, homem, negro, pardo, índio, homem/mulher trans, é preciso que tenha afinidade com o nosso programa de governo, que tem como carro-chefe a educação. Não vou me render ao que dizem que a gente tem que fazer para vencer a eleição, passando por cima da minha dignidade, só para poder já dar o up. Depois a gente sabe o que acontece, né? Utilizam os negros para vencer a eleição e depois descartam [...] Precisamos de alguém que goste de cuidar de gente como a gente gosta. E terceiro e último ponto para a escolha do vice é que a gente tenha em consonância a preocupação de ser eleito para cuidar da cidade do Salvador, e não para transformar o município em partido político para integrar e defender só aquele grupo. Vamos trabalhar para defender o todo.

BNews - E como estão as articulações políticas?

Fiz uma visita à Fundação Dr. Jesus, onde conheci o belo trabalho do Sargento Isidório. Lá, inclusive, ele me convidou publicamente a ser o seu vice-prefeito. Tive conversa com o querido amigo Niltinho, na qual abordamos sobre articulação de composição para ser o vice dele. Também conversei com Bacelar, homem querido, guerreiro. As conversas estão avançando com eles e com representantes da sociedade civil organizada, desde que tenham os três compromissos estabelecidos antes. Faço um convite aqui, que esses três que nos convidaram para ser vice, eles também pensem na possibilidade de ser vice nosso, que a gente pode conversar.
 
BNews - E você retiraria a candidatura para apoiar o projeto de um deles?

Não é retirar a candidatura, político que se põe no projeto e aceita que outras pessoas participem do programa dele, não pode estar engessado dizendo 'você vem pra cá pra gente discutir, mas aqui quem manda sou eu". Não, acho que existe uma série de requisistos, se você acha que compor uma chapa comigo consegue agregar mais e nos provando ao coletivo, por que não? Mas se não conseguir me convencer, vou tentar te convencer para que você seja vice. Na política nada é estático, há possibilidade de conversa, mas não pode chegar na conversa ditando que você vai ser o titular da chapa.

BNews - O vice-presidente Hamilton Mourão vai subir no seu palanque aqui em Salvador?
 
Já está definido o papel do vice-presidente Mourão. Ele não irá para palanques em lugar nenhum no Brasil, mas vai apoiar os candidatos do seu partido através de declarações para imprensa e vídeos gravados com os candidatos que serão revertidos para imprensa e redes sociais. E questões políticas quem cuidará é o presidente nacional do partido, o fundador Levy Fidelix e a querida Alda Castro.

BNews - E tem algum motivo para isso?

Ele alega, e eu concordo, que é muito tênue a linha da utilização do recurso público para se deslocar. Nosso partido não tem dinheiro. A condição de vice-presidente da República permite que ele vá para palanques, mas ele precisa pagar o avião, hospedagem... tudo bem, ficaria lá em casa, não tem grilo algum. Seguranças, paga como? Qual a preocupação dele, e é muito salutar, e isso é a nova política, vai causar um transtorno enorme. Não vou gastar dinheiro público par fazer campanha privada. O maior motivo é esse, decência com o dinheiro público.

*Colaborou Eliezer Santos

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