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Eleições

Pré-candidato à prefeitura pelo Avante, Pastor Sargento Isidório quer vice mulher, defende família tradicional e pulverização de nomes na base

[Pré-candidato à prefeitura pelo Avante, Pastor Sargento Isidório quer vice mulher, defende família tradicional e pulverização de nomes na base]
23 de Agosto de 2020 às 06:00 Por: Pedro Vilas Boas

O deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante), pré-candidato à prefeitura de Salvador, quer uma mulher na vice de sua chapa. Prefere não citar nomes, mas diz que "todo homem certo tem uma mulher na frente". Em entrevista ao quadro Panorama Eleições 2020, o conservador que integra uma base progressista assumiu que está mudando de postura para angariar novos votos, mas continua pregando os valores da família tradicional brasileira.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

BNews: Como estão as conversas com o governador? O senhor, que está bem posicionado, já conseguiu convencê-lo a apoiá-lo de vez?

Pastor Sargento Isidório: Bem posicionado é a mão de Deus, que eu costumo dizer, o dedo do povo bom de Salvador, mas a impressão que eu tenho é que pra convencer o governador tem outros fatores. 

Pra ter o apoio dele exclusivo preciso entender que mesmo que ele queira, não é de qualquer jeito. O governador, ele é líder de uma base, de um grupo com o PT, que é o partido dele, PCdoB, que é da base dele, PSD, Podemos,PSB. Então, o governador tem problemas de "ciumeira", da política. Então, ele tem de ter uma certa habilidade política, e isso ele tem, mesmo estando muto ocupado, sobretudo sobrecarregado com a necessidade de socorrer os baianos durante essa praga que aí está, essa pandemia, ele ainda tem que cuidar desse lado político. 

Nós temos que ter um pouco de paciência, saber esperar. Tem um ditado que diz que os apressados come cru (sic). É bom a gente aguardar em Deus que Deus vai dar sabedoria ao governador. Nada que o governador fizer vai ser sem ser a vontade Deus. 

Me dar partido ou não me da partido será sempre a vontade Deus que é o soberano da minha vida, principalmente na política.

BNews: O que o senhor acha dessa, não sei se é estratégia, se foi pensado ou não, é claro que tem relação com o fim da coligação proporcional, agora, qual avaliação o senhor faz de ter várias pré-candidaturas em uma mesma base, enquanto o outro lado tem apenas uma pré-candidatura? Qual avaliação o senhor faz desse cenário? É positivo, pode atrapalhar o eleitorado na hora de escolher, é negativo?

Isidório: O povo dos partidos progressistas trabalham com mais democracia. Cá não tem um chefe, cá não tem soberano:"é assim, quero fazer assim, é 'fulano'". Aqui tem conversa, o governador entende que não é  governador dele mesmo, ele é governador de uma massa, de um grupo. Não pode chegar e dizer: "quero assim, faço assim"; isso é ditadura. 

Cá, nós, dos partidos, temos certa liberdade pra, inclusive, discordar do governador em alguns momentos e ele tem a dignidade republicana de respeitar a democracia. 

Esses dias eu disse que já ajudei muito o PT politicamente, ajudem as esquerdas, esses partidos o tempo todo,  que eles só se coça como gato, pra dentro (sic). Tá na hora de fazer gesto. Não é só o governador que decide. Partidos como PT, PCdoB, PSB e outros são democratas, tem que discutir ali até sair como unitário. 

Acredito que do outro lado, lamentavelmente, a gente percebe que não vai ser assim. Tem um grupo político que se articula,vejo na imprensa, pra indicar vice, parece que não vai, parece que deu problemas, mas a gente tem que discutir.

BNews: O senhor é muito próximo do senador Otto Alencar (PSD), é uma pessoa que te orienta, te elogia publicamente. Essa fama de doido, inclusive, ele é um dos que te orientaram pra te deixar de lado, que isso poderia prejudicar sua imagem, e ele cogitou a possibilidade do PSD apoiar Isidório. Como o senhor vê essa possibilidade, de uma chapa com Eleusa [Coronel, também pré-candidata], compor chapa com o PSD?

Isidório: Ter a doutora Eleusa como candidata à vice, uma pessoa que é preparada pra ser prefeita, ou até governadora, pelo show que ela deu na AL-BA [Assembleia Legislativa], uma Assembleia do carinho...o marido dela, o senador Angelo Coronel, ele pode dizer o que tá na Bíblia sobre doutora Eleusa: uma mulher virtuosa. O doutor Angelo Coronel achou uma mulher que tá ao lado dele, ajudando ele. Seria o melhor dos mundos. 

Imagine, um partido com quatro ou cinco deputados federais [são seis], quatro estaduais [são nove], parece que 112 perfeitos, dois senadores. Eu aprendi a gostar, amar o senador Otto Alencar pelo carinho que ele me tratou. O senador Otto...pela primeira vez na vida fui tratado como alguém, sem discriminação. Me trouxe documentos, me mostrando a necessidade de conhecer o planejamento da prefeitura.

BNews: O senhor ser reuniu com o presidente nacional do Avante. Como foi a reunião, o que ele falou e pediu pra eleição municipal?

Isidório: O presidente do Avante, quase como um pai preocupado com o filho que tem o apelido de doido, ele é quem se preocupou em não dar mais pra eu ser candidato, sair com uma bíblia no braço, bujão batendo uma perna na outra. 

Ele entende que não dá pra brincar, reuniu várias autoridades e mostrou a intenção de priorizar o partido pra Salvador pela importância que a nossa capital tem. É uma capital negra.

O presidente nacional entendeu o que minha família, minha equipe já tinha me dito: "não dá mais pra você sair candidato parecendo um palhaço. O povo quer o "Isidório pai de família".

BNews: E como essa mudança se dá na prática?

Isidório: A prorrogação do salário emergencial, quem primeiro fez emenda pra dezembro, uma vez que não vai ter Carnaval - todo mundo já sabe que essa miséria vai estar até dezembro - fui eu que fiz a emenda e fiz um projeto pra continuar pagando até dezembro pelo menos. 

Quem previu que não podia ficar só na Caixa Econômica, o pobre sendo humilhado, é projeto baiano, projeto nosso. Quem pediu pra ampliar punição pra bandido corrupto da política fui eu que pedi. A gente tem projeto e precisa ser conhecido.

BNews: Qual é o perfil ideal de vice pra você e pra seu partido? Qual tipo de pessoa que o senhor gostaria que estivesse ao seu lado?

Isidório: As pessoas 'botou' na cabeça um modelo, um tipo, que pra ser isso tem que ser aquilo, tem que acabar com isso. Quem manda é o povo, quem paga imposto, tributo é o povo. Preciso de alguém que me ajude no planejamento da cidade, na gestão da cidade. De preferência uma mulher, eu já sou negro, se puder ter outro negro, negra...nós somos a cidade negra, mas não tô preocupado com a cor de quem vai ser minha vice. 

O que acho é que seria importante ter uma mulher, porque hoje elas são administradoras, elas têm uma identidade própria e não existe um bom homem dando certo sem uma mulher na frente.

BNews: Caso o senhor seja eleito, quais são os pontos mais críticos de Salvador na sua avaliação? Os pontos mais sensíveis, que devem ser prioridade pro próximo prefeito?

Isidório: Primeira coisa é justiça social. Buscar igualdade social. Assim como a gente tem que fazer manutenção na área nobre, manter o que tá lá, mas trazer também o benefício para os bairros, guetos, favelas, morros, aonde o povo está sofrendo. 

Eu poderia tá dizendo que a gente não pode conviver come essas três, ou quatro Salvador dividida. A gente precisa dar as mãos, buscar unidade, do rico com o pobre, negro com branco, patrão com empregado. Se a gente ficar fazendo essa separação, o povo não quer mais isso. 

Depois vem a questão da educação, creches pras nossas crianças. A criança do rico, bem adaptada, fala onze, doze mil palavras, aprende numa hora. A do pobre duas, três mil palavras. Outro ponto é a saúde. A gente precisa fazer funcionar os postos de concreto construídos que estão ai. A gente precisa 'botar' efetivamente profissionais de Saúde que cuidem das pessoas, toque nas pessoas. 

A educação precisa de psicopedagogos, núcleo de psicólogos, assistência social pra não continuarmos perdendo nossos filhos, nossas crianças, para as drogas. 

A mobilidade urbana, tem que fazer ela tirando o excesso de multa, quase uma máfia da multa, que é multar por multar, dinheiro fácil. O trânsito tem que ter cunho educativo.

BNews: O senhor já tem algum planejamento em relação a isso, como seria colocar esses desejos na prática, algum tipo de programa? O senhor já tem isso desenhado?

Isidório: Na verdade, já tem um programa de governo que foi de 2016, só que fica obsoleto porque já estamos com quatro anos após e muita coisa mudou. Então, reunimos com o grupo de trabalho, pessoas, inclusive, simples e comuns, que nunca teve cargo público, nada, mas se discutiu ponto a ponto do antigo projeto e adequamos ele nas várias áreas. Estamos agora aguardando mais orientação, propostas de fora pra dentro, pra fecharmos e dar entrada no TRE-BA, mas já estamos com um programa de governo. 

Não tem promessa de terreno no Céu, é aquilo que eu imaginei que é exequível. Eu ate brinco que não vou fazer nada, nós vamos fazer juntos. Vamos ouvir católico, evangélico, vamos ouvir candomblé -  da onde sou oriundo, já dancei muito, já bati muito tambor, vamos ouvir gay, lésbica, vamos ouvir trabalhador, empregado, desempregado, vamos ouvir todo mundo. 

E a imprensa? Essa nem precisa você perguntar. O nome já diz por si só. Se não for a imprensa não tem democracia.

BNews: O senhor tá numa base que é progressista, que, normalmente não compra esse discurso conservador. Como o senhor pensa em melhorar essa relação, deixar mais branda. O senhor tem alguma proposta direcionada, por exemplo, à comunidade LGBT?

Isidório: Eu gosto do Bolsonaro por causa da manutenção dos costumes da família, não abro mão disso, por isso tô sempre com minha bíblia na mão. Os eleitores de Bolsonaro, eu diria 90%, votou em mim também, e é um povo inteligente, cristão, seja evangélico ou católico, um povo que não abre mão das famílias tradicionais, dos valores e costumes. Mas aquela história da "arminha", da pistola, que "bandido e traficante bom é morto", não concordo, porque sirvo a um Deus da paz. 

Os eleitores de Bolsonaro foram convencidos pelas coisas que ele falou da família. E hoje até alguns tem "zanga" comigo por achar que sou muito ligado às esquerdas. Todavia, eles esquecem que ser de esquerda ou direita não tem Jesus, não tem santo.Tem é muito demônio.

BNews: O senhor, por exemplo, não aceitaria discutir legalização da maconha para uso medicinal ou educação sexual nas escolas?

Isidório: Educação sexual eu aceito discutir com adultos. Doze, Catorze anos em diante...sendo primeiro a cartilha mandada pros pais. Tô apresentando um projeto nesse sentido. Aí os pais vão saber o que eles querem ensinar.Tem coisa que não tem necessidade de ensinar. A questão da maconha, da maconha medicinal, você tá falando do canabidiol, pra medicamento comprovado pelos médicos e cientistas, aprovado pela Anvisa, qualquer homem que tem juízo tem que aprovar, porque só quem tem alguém doente em casa, que a medicina disse que aquele remédio alivia a dor, o sofrimento...sendo comprovado estarei aprovando.

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