Entrevista

Fábio Mota mantém ideia do Carnaval fora de época e acredita em uma retomada das ações no segundo semestre

[Fábio Mota mantém ideia do Carnaval fora de época e acredita em uma retomada das ações no segundo semestre]
17 de Janeiro de 2021 às 08:11 Por: Nilson Marinho

O novo titular da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) da cidade de Salvador, Fábio Mota, que, na gestão anterior, chefiou a Secretaria de Mobilidade (Semob), diz ter um grande desafio pela frente. O gestor afirmou, em entrevista ao Bnews, que a pasta ainda não possui um plano de ações culturais para os próximos anos e que a prioridade neste momento é entender as fragilidades do setor e traçar estratégias. Otimista com a possibilidade do início da vacinação na capital baiana no próximo mês, Mota prevê uma retomada das ações culturais já no próximo semestre.

Segundo ele, será preciso correr contra o tempo para “atender a demanda reprimida da população”. A realização do Carnaval fora de época ainda é vista pela pasta como uma possibilidade de movimentar a economia da capital baiana que foi fortemente atingida pela pandemia da Covid-19. A nova data para realização da festa momesca, no entanto, depende do calendário de vacinação contra o vírus. 

BNews: Como foi a troca de bastão? O senhor já está a par sobre o segmento? Começou a pensar em estratégias para serem aplicadas no período pós-pandêmico? 

Fábio Mota: Nós vivemos um momento difícil da pandemia, neste momento nós precisamos começar a montar um plano. A área da cultura está praticamente no zero, precisamos montar um plano seguro para começar a colocar em prática ações de cultura. Já em relação ao turismo nós também estamos vivendo um momento muito complicado, há áreas do turismo que estão praticamente paralisadas e isso preocupa todos nós. Nesta primeira semana, estamos dialogando com todos os setores para entender um pouco de cada um e, até a próxima semana, vamos apresentar soluções para esse exato momento e, principalmente, teremos que estar preparados para a retomada que deve acontecer, sem sombra de dúvida, no próximo semestre. Temos certeza que a retomada será forte com a vacina. A nossa estrutura tem que estar pronta e o nosso trade sintonizado para dar conta dessa demanda reprimida. 

BNews: Mas essa retomada será feita com base no calendário de vacinação, correto? 

FM: Nós temos os setores do entretenimento e de eventos que estão praticamente parados, evidente que estamos monitorando a questão da Covid-19, para que, a partir daí, a gente comece a pensar [ na retomada]. Agora, a gente já pode começar a pensar porque a vacina é uma realidade, então nós estamos pari passu com a vacina. Nós ainda continuamos com a ideia de fazer o Carnaval fora de época, essa ideia nunca foi abandonada pela gestão. Entendemos que o não acontecimento do Carnaval é um baque econômico e turístico muito grande para a cidade de Salvador. Nós tivemos na história da cidade a menor ocupação dos hotéis, tivemos todos os setores do turismo e da cultura paralisados. Vamos começar a pensar em uma data. 

BNews: O Rio de Janeiro mantém a realização do Carnaval em julho e mais: instituiu uma nova data para um Carnaval fora de época para estimular o turismo, lazer e aquecer a economia...

FM: É a maior festa da cidade, sem sombra de dúvidas, é o décimo terceiro para vários segmentos e a única fonte de renda para outros tantos. A economia é dependente do turismo, já que não temos grandes indústrias e grandes fábricas, precisamos dinamizar o setor de serviços e com isso induzir o turista a vir para Salvador. Temos várias atrações turísticas, mas temos como principal indutor o Carnaval. Primeiro estamos pensando na realização da festa fora de época, de acordo com a realidade do coronavírus para depois a gente planejar o grande Carnaval de 2022. 

BNews: Qual será sua maior prioridade à frente da pasta?

FM: A retomada das obras da Secult. Nesta segunda-feira (18), vamos retomar as obras de Ipitanga, Stella Maris e Praia do Flamengo, esperamos a conclusão dessas obras até dezembro porque assim a gente qualifica uma parte da orla da cidade. Salvador não pode ficar abaixo de outras capitais nordestinas, então, nós temos que investir bastante na questão do turismo sol e mar, temos uma grande baía, a Baía de Todos-os-Santos, a segunda maior do mundo navegável, precisamos melhorar e otimizar a exploração dela e de suas belas ilhas, dentro disso, trazer os esportes náuticos e investir na área específica do turismo náutico, mega eventos, como remadas, além de melhorar a infraestrutura das nossas ilhas. Precisamos aumentar a presença do turista na cidade de Salvador, hoje ele já fica muito porque tem vários museus e atrações. Se você melhora o turismo de sol e mar com a requalificação das obras, consegue deixar o turista mais tempo em Salvador. Há uma grande entrega para ser feita no dia 29 de março, estamos trabalhando para que a Casa dos Azulejos possa ficar pronta e esperamos trazer esse novo equipamento para a cidade, um equipamento que será um grande indutor de turismo da cidade. 

BNews: As gestões anteriores voltaram várias ações para o centro da cidade, sobretudo a região do Comércio. O senhor deve dar continuidade?

FM: Evidente que sim, nós temos uma outra grande obra lá que é o Arquivo Público da cidade. Salvador foi a primeira capital, tem um acervo enorme e um dos mais importantes da América Latina. Nós estamos construindo esse museu do Arquivo Público da cidade na frente do Mercado Modelo. O prédio de 11 andares vai abrigar todos esses documentos importantes e será mais um ponto de visitação. Nós temos também para este ano a própria reforma do Mercado Modelo. O centro da cidade é a área da efervescência da cidade, da cultura, pelo seu patrimônio histórico, sincretismo e sua religiosidade, então, precisamos cada dia mais fortalecer tudo isso, sobretudo nessa área.

BNews: Com a queda de arrecadação devido à crise sanitária, o senhor acha que parcerias público-privadas poderia ser uma alternativa para financiar ações?

FM: Evidente que sim, quando você faz os equipamentos você precisa que eles sejam administrados, não necessariamente, mas na maioria das vezes, por empresas privadas, nós precisamos de empresas com expertises que não venha apenas para a cidade para administrar os equipamentos, mas para trazer ‘nohall’ para trazer turistas de todas as partes do mundo. Nós temos várias ações em cursos, estamos conversando com relação a atrativos de voos para a nossa cidade. Não adianta fazer tanto equipamento e não ter tantos voos. Infelizmente, nós perdemos muitos para Fortaleza e Recife, que conseguiram levar dois hubs de companhias aéreas. Vamos trabalhar fortemente para recuperar isso, captação de novos voos, sobretudo da Europa. Estamos fazendo contato e buscando. Temos conversas com o Ministério do Turismo e Embratur no intuito de melhorar a quantidade de voos. Temos todo um plano de marketing pronto para promover o destino Salvador, estamos só aguardando o final da pandemia para começar esse trabalho.

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