Entrevista

Bacelar quer liberar jogos de azar, elogia Lula como cabo eleitoral e diz estar satisfeito com Rui Costa

[Bacelar quer liberar jogos de azar, elogia Lula como cabo eleitoral e diz estar satisfeito com Rui Costa]
11 de Abril de 2021 às 08:00 Por: Pedro Vilas Boas

O deputado federal baiano Bacelar (Podemos) tem se dedicado na Câmara a regularizar os “jogos de azar” no Brasil. Desde que foi eleito presidente da Comissão de Turismo na Câmara dos Deputados, o parlamentar quer discutir a liberação, como incentivo ao setor turístico.

Na entrevista, que faz parte de uma série de conversas com os parlamentares baianos eleitos para presidirem comissões no Congresso Nacional, Bacelar elogiou o ex-presidente Lula (PT) como cabo eleitoral para 2022 e disse estar satisfeito com o espaço que seu partido tem no governo Rui Costa (PT).

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com o deputado Bacelar (Podemos): 

BNews: Quais as prioridades da Comissão de Turismo neste momento?

Bacelar: O meu plano de trabalho na Comissão de Turismo primeiro é desempenhar esse trabalho de atender do ponto de vista legislativo as demandas do setor. Essa é a característica da comissão. A gente quer, num primeiro momento, desempenhar esse polo institucional que ela tem, mas também quero transformar a comissão num grande centro de debates do turismo brasileiro. Transformar a comissão num catalisador do esforço pioneiro de desenvolvimento do turismo brasileiro. É o setor que foi mais afetado na pandemia,  o primeiro a ter as atividades afetadas, e não temos perspectiva de quando serão retomadas. 

BNews: Qual sua avaliação sobre o ministro Gilson Machado?

Bacelar: Olha, agora que estou tendo os primeiros contatos com ele. Tem se mostrado solícito, interessado numa parceria com a comissão. Estou querendo cada vez mais estreitar a relação com o Ministério do Turismo. Não tenho ainda detalhes pra fazer análise do trabalho dele. Agora, nós estamos falando do segundo setor econômico mais importante do Brasil. O turismo brasileiro movimentava em 2019 cerca de R$ 270,8 bilhões, 10% do PIB brasileiro, praticamente. Depois do agronegócio, o mais importante da economia brasileira. 

BNews: O senhor apresentou projeto para regularizar os “jogos de azar”. A Câmara tem dado atenção ao tema? 

Bacelar: As pesquisas que temos feito na Câmara - sou presidente da frente parlamentar sobre os jogos de azar - apontam que mais de 50% dos deputados são favoráveis à liberação. O que precisamos é de uma decisão política, corajosa. Eu respeito a religião de cada um, mas nenhum pastor, bispo ou cardeal pode dizer o que a sociedade pode fazer. Ele pode dizer aos seus segmentos, mas não é bispo nem padre nem pastor que vai dizer o que a sociedade deve fazer. Cinco mil anos antes de Cristo, o ser humano já jogava. 

BNews: E como a liberação dos jogos de azar contribuiria para o fomento do turismo? 

Bacelar: Jogo não atrai turista. Ninguém vai a Portugal jogar, ninguém vai a Paris jogar, ninguém vai a Roma jogar, mas o jogo “prende” o turista. O turista que chega em Portugal, não vai exclusivamente jogar, mas passa pelo jogo. A importância na legalização do jogo é você ter recursos para, por exemplo, financiar um assunto que é da mais alta relevância para o turismo. O fortalecimento da marca “Brasil”. A marca Brasil hoje é altamente desprezada no mundo. Os jogos de azar vão dar o dinheiro pra mudar essa imagem. 

BNews: Mas esse dinheiro não necessariamente seria destinado para o turismo. A destinação dos recursos é outra discussão.

Bacelar: Mas, de qualquer maneira, mesmo que esse dinheiro não venha pro turismo, como eu defendo, vai pra segurança, que melhora o turismo, saneamento, que melhora o turismo. 

BNews: Vamos falar de política agora. Especula-se que Sergio Moro pode se filiar ao Podemos. O que acha do nome dele?

Bacelar: Olha, ele não é filiado ainda. Ele sendo filiado, nós vamos discutir o nome dele. Mas ainda é muito cedo. Minha preocupação agora é a pandemia. Eu não sei nem se vamos ter eleição em 2022. 

BNews: Mas qual sua avaliação do nome dele?

Bacelar: Olha, eu considerava um magistrado respeitável, mas, ao abraçar um cargo numa administração que o titular foi beneficiado, mesmo que ilegalmente, mas foi beneficiado pelas decisões dele, eu comecei a questionar. É uma figura que questiono algumas atitudes.

BNews: Qual o perfil do candidato ideal para a Presidência da República?

Bacelar: Um candidato comprometido com a redução das desigualdades sociais, comprometido em transformar o Brasil em potência internacional, fortalecendo a geração de emprego e renda. Um candidato que seja político. 

BNews: Como o senhor recebeu a notícia da volta da elegibilidade de Lula?

Bacelar: Recebo com muita alegria, lamentando que tenha sido um pouco tarde. Um processo democrático justo, legal e ético no Brasil não pode deixar de fora a maior liderança política do país, independentemente do que pensam sobre ele. Um pleito que ele seja forçado a se retirar não é legítimo. 

BNews: O senhor acha que Lula pode influenciar na disputa pelo governo do estado?

Bacelar: Lula é o maior eleitor brasileiro. Quem estiver ao lado de Lula, principalmente nos estados mais beneficiados com a administração dele, já bate na frente. E a Bahia deve muito a Lula, o Nordeste deve muito a Lula, o trabalhador deve muito a Lula. Não podemos deixar que a barbárie vença, que os responsáveis por Bolsonaro estar no poder, não me venham agora atacar os candidatos. 

BNews: Existe a possibilidade do Podemos trocar de lado e apoiar o grupo de ACM Neto?

Bacelar: O Podemos está onde sempre esteve, já há 6 anos estamos. Estamos satisfeitos e pretendemos continuar aqui. 

BNews: Mas a bancada do partido na Câmara decidiu apoiar Bruno Reis.

Bacelar: Isso são escolhas individuais. Não deveria chamar atenção de políticos e jornalistas que um vereador faça esse tipo de apoio. O que não aceitaríamos seria a defesa de bandeiras antidemocráticas. Eu tenho um lado, o partido tem um lado.

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