Entrevista

Sob os olhos de Rui, Luiz Caetano confirma novo tratamento na Serin e pavimentação da campanha de 22

[Sob os olhos de Rui, Luiz Caetano confirma novo tratamento na Serin e pavimentação da campanha de 22]
27 de Maio de 2021 às 12:14 Por: Victor Pinto e Henrique Brinco

Após ter de volta os seus direitos políticos, o ex-prefeito de Camaçari por três mandatos, Luiz Caetano, assume uma importante missão dentro do governo Rui Costa (PT): cuidar das relações políticas e institucionais.

Desde que assumiu a pasta, criada em 2007 quando Rui Costa perdeu a eleição para deputado federal e foi acolhido por seu criador, o então governador Jaques Wagner (PT), a secretaria das Relações Institucionais teve seus altos e baixos. Mas, no fundo, no fundo, nunca deixou de ser Rui sentado na cadeira de secretário concomitantemente a do Gabinete do Governador. 

A chegada de Caetano movimentou os bastidores da política. Elogios para todos os lados, principalmente para os aliados mais próximos do PT. Conhecido por ser habilidoso e conhecedor da política, o ex-presidente da União dos Municípios da Bahia tem a missão, como o próprio Rui disse, reforçar a articulação política. 

Mas, além de reforçar, pavimentar a pretensa candidatura de Jaques Wagner (PT) ao Palácio de Ondina, nome tratado com entusiasmo pelo político de Camaçari. Caetano diz que não é foco principal do seu trabalho esse assunto. Não pensa em voltar a prefeitura da sua cidade base e vai lançar sua esposa a candidata em 2022: ou a estadual ou a federal.

Afirma que vai abrir as portas para todos e confirma já tem recebido prefeitos de partidos fora da base e não descarta a chegada de novos partidos.

Diante de uma agenda corrida, o petista recebeu o editor de política do BNews em seu gabinete no fim da manhã da quarta-feira (26), no mesmo andar do gabinete do Governador, o 3º no prédio da Governadoria, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador, e a rápida conversa você acompanha a seguir:

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BNews - Coincidiu ou foi algo assim que foi justificado para você assumir a Serin o fato de você ter, na mesma semana, no intervalo de menos de quinze dias, ter os direitos políticos liberados e ter tido o passe para poder vim a Serin a convite de Rui? Porque seu nome era ventilado para a pasta desde novembro do ano passado.... Isso foi coincidência ou ou era uma condição para você vir para o governo? 

Luiz Caetano - Não, foi muita coincidência, porque assim, o processo vinha e eu já tinha feito um recurso, né? Foi aquele recurso para a rescisória e que tava sendo apreciado pela turma especial do Tribunal de Justiça da Bahia, não é? E, graças a Deus, nós tivemos aquela vitória do ponto de vista do julgamento do mérito... E que no mérito foi demonstrado que eu tinha sido condenado lá atrás, em primeiro grau, sem prova de improbidades. E as provas que eu botei, mostrando que não tinha improbidade, não foram analisadas pelo juizo. Mesma coisa no segundo grau e, consequentemente, me levou a perder o mandato. Eu tenho 125 mil votos e fui diplomado, inclusive. Então, a gente estava correndo para poder provar isso e, graças a Deus, provamos. O governador, uma semana depois, conversou comigo e me convidou para vir para a Serin, juntamente com o senador Jaques Wagner. Achavam que era importante, tal e tal. E aqui estou, graças a Deus, feliz e triste por esses dois anos e meio de luta e batalha para mostrar que foi ilegal aquela decisão. Até o TSE antes, mudou a jurisprudência, voltou a jurisprudência antiga de que realmente só pode estar inelegível se o gestor for beneficiado. Não foi meu caso. Em nenhum processo que eu tenho tem beneficiamento de recurso público, graças a Deus, né? Então, estou aqui hoje, tô feliz e honrado de ter sido convidado por Rui para fazer esse trabalho. 

BNews - A sua vinda pra cá pra Serin foi avalizada pelo senador Jaques Wagner? Foi indicação dele? 

Luiz Caetano - Não, a minha vinda foi avalizada pelo governo. Pelo governador Rui e, obviamente, apoiada pelo senador, né? Pela relação, pelo papel que ele exerce dentro da política, do Brasil e da Bahia. E foi uma coisa em comum acordo. Penso, né? 

BNews - Você tem uma boa relação com Jaques Wagner....

Luiz Caetano - Excelente. Excelente relação. Nós somos amigos e quando eu era prefeito e presidente da UPB, o Wagner era governador. Fizemos uma boa parceria, demos uma arrancada forte naquela UPB. Melhoramos a entidade, a entidade passou a ter prestígio grande e passou a representar de fato os prefeitos. Foi um bom momento e penso que nós vamos também aqui fazer a mesma coisa. Será um pouco parecido com a UPB. Obviamente que é diferente, porque aqui nós temos que construir mais a relação com os parceiros, com os agentes políticos, com a sociedade, com as instituições, enfim... O desafio é muito grande e estamos aqui prontos para trabalhar e fazer isso. 


Foto: Vagner Souza / BNews

BNews - Na minha concepção, quando o Governador disse que trouxe você para Serin para reforçar a articulação política do Estado, que estava precisando, Rui, na minha visão, disse que estava deficiente a articulação política. E eu acredito que estava deficiente pela quantidade de críticas que nós, jornalistas de política, principalmente, recebíamos dos aliados dos partidos, dos presidentes de partidos, dos deputados estaduais que estão mais próximos. De fato, você acha que tinha essa tinha essa deficiência na articulação política? Porque logo quando houve o anúncio do seu nome, a reação foi positiva, imediatamente, nas bases políticas. A sua chegada, realmente, é para fortalecer? Você já chegou identificar algum tipo de deficiência? Vai aparar as arestas? Como é que está esse arriar das malas agora?

Luiz Caetano - Veja, primeiro que eu gosto muito de focar no que eu estou fazendo, na tarefa que eu tenho pela frente, do desafio que eu tenho pela frente, né? Naquilo que eu tô fazendo. Obviamente que ideia central aqui não é tá criando conflito é estar administrando conflito, desobstruindo, entendeu? E o meu perfil é um perfil muito de estar se articulando, conversando com as pessoas, abrindo diálogo, consolidando diálogo, entendeu? E buscando consolidar cada vez mais. Os outros que passaram por aqui, acho que fizeram boa gestão aqui dentro, mas o de ter sido deputado federal, deputado estadual, vereador, prefeito, presidente da UPB... Então, eu tenho assim uma, uma experiência boa nessa questão de já fazer um relacionamento político há muito tempo. Acho que isso vai ajudar muito. É o meu perfil. Quando cheguei, chamei os coordenadores todos, o pessoal que trabalha aqui, e disse 'olha, não tenho problema com ninguém, quero construir um conceito novo de trabalho, não sei se anteriormente era assim e vamos esquecer o que aconteceu'. Vamos construir um conceito novo no sentido de que, os deputados, que são os agentes políticos, os vereadores, prefeitos e senadores se sintam satisfeitos. Chegou aqui não tem que ficar esperando na recepção. Tem que ser 'vamos sentar aqui, tomar um cafezinho, vamos conversar e ouvir todos'. Inclusive, vamos fazer um apelo no sentido de que eles possam nos ajudar a fazer isso. Tanto que já marquei reunião com bancada do PT, com bancada de oposição, com o presidente da Assembleia Legislativa - que infelizmente agora está com o problema do Covid... Para os presidentes dos tribunais, já liguei para a base do governo de vereadores na Câmara. Já fiz reunião junto aos prefeitos, inclusive de outros partidos políticos que não são da base do governo. Vou abrir a porta para todos. Vou receber aqui todos, sem nenhuma distinção, e tentar buscar fazer com que o governo possa tentar capitalizar aquilo que ele faz. O que é que o governo tem? É um governo bem avaliado. Rui Costa é um monstro, um gigante. Estou saindo daqui 11 da noite [23h] quase todos os dias. Eu só posso sair depois que ele sair. Obviamente, estamos aqui junto e ele está imbuído de corpo e alma nessa questão do combate ao Covid. Está focado nisso e o governo também está focado nisso. Agora, o governo oferta muito, tem feito muita coisa e capitalizado pouco daquilo que está fazendo. Então, é nosso papel capitalizar com os padrinhos. Os deputados, vereadores, prefeitos e etc. 

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Vou ter cada vez mais iniciativa de fazer as coisas sob um conceito e um comando. São os limites que eu tenho

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(Luiz Caetano)

BNews - Mas a Serin sempre foi conhecida por um apelido de "puxadinho do gabinete do governador". Rui é tido pela base como tendo um perfil muito centralizador, com um apego muito forte a Serin pelo fato de ter sido o primeiro secretário da pasta. E aí tinha esse apego... Quero saber do secretário atual: você vai ter a independência para poder de fato tocar a Serin sem ter essa interferência mais direta do governador? Ser um pouco mais solto para poder fazer as articulações ou tudo vai ficar debaixo do pé de Rui 100%?

Luiz Caetano - Veja, secretário é secretário. É para executar a política definida pelo comandante, que é o governador. Então, o governador já definiu o conceito, que é exatamente esse conceito que estou dizendo a você. E eu vou executar. Obviamente, onde eu for errando, ele vai me orientando e eu vou melhorando. Então, vou ter cada vez mais iniciativa de fazer as coisas sob um conceito e um comando. São os limites que eu tenho. Tudo o que eu fizer vou dar conhecimento a ele e nós temos conversado muito. Ele tem me orientado a fazer determinadas pautas com os deputados, vereadores e prefeitos. E qual é a orientação dele? Atender bem a todos. Chegar a todos os municípios, todos os territórios, chegar bem ao parlamento. De certa forma, fortalecer o deputado estadual ou federal. Fortalecer o prefeito. Ou seja, ter um canal aberto. Obviamente, a contrapartida do que a gente fazer, que possa também o deputado e vereador possa capitalizar para o governo e para eles também. É uma mão dupla, uma parceria que estamos estabelecendo e azeitando esses canais para que saia bem.


Vídeo: Victor Pinto / BNews

BNews - Você falou que conversou com prefeitos de partidos que não são da base so governador. Como está esse alinhamento das siglas? Tinha o PDT e o PL que saíram. Há uma expectativa e muita especulação sobre a chegada de possíveis novas legendas para a base visando 2022. Como estão essas conversas?

Luiz Caetano - O processo político é assim, né? Sai uns e entram outros. Penso que o governador, além de fazer um bom trabalho administrativo aqui no governo, faz também na política. A base está aliada, está fechada. Tem insatisfação? Tem. Normal, mas vamos buscar receber essas insatisfações. Teve partido que saiu, mas com certeza vai ter partido que está chegando. É um processo natural.

BNews - Pode adiantar algum que está chegando? (risos)

Luiz Caetano - Não posso, até porque não sei ainda (risos). Cheguei agora. Não posso mergulhar fundo. Mas essa é exatamente a orientação do governador. Sob o comando dele, de pedir e ordenar que a gente faça um trabalho assim de via dupla.

BNews - E dos que saíram [partidos], têm possibilidade de retorno?

Luiz Caetano - Quem sabe? Eu vou procurar para conversar. Não tenho nenhum problema de não conversar. Vou conversar. Tenho uma boa relação com a turma do PDT, com os outros partidos que saíram. E a gente vai ter essa conversa. Não custa nada conversar. A gente não perde nada se tiver uma conversa, tomar uma água...

BNews - Sobre deputados estaduais e federais, já estebeleceu diálogo com eles? Principalmente os federais. Marcelo Nilo está na liderança da bancada federal baiana, com uma interlocução em Brasília...

Luiz Caetano - Já sim. Recebi hoje [Quarta, dia 26] com muito carinho o deputado coordenador da bancada federal, Marcelo Nilo. Já pedi a ele uma reunião conjunta com a bancada. Ele está organizando para a semana que vem, mas estou atendendo e conversando. Recebi também o deputado federal Valmir Assunção, que é líder do PT. Já está marcada uma conversa agora para sexta-feira. Já pedi também uma conversa com a bancada de vereadores em Salvador. Só hoje estou atendendo 14 deputados. Ontem atendi vários deputados. A minha ideia é atender e buscar priorizar as coisas. É o que nós estamos fazendo, para poder o deputado sair satisfeito. E o governador também quer isso, que a gente busque resolver os pleitos que tem. Principalmente as emendas dos deputados, para que o deputado possa ficar feliz e alegre. E aí ele vai capitalizar melhor, vai fazer melhor o trabalho e vai atender melhor o povo. O objetivo sempre é atender a sociedade.


Foto: Vagner Souza / BNews

BNews - Luiz Caetano também está na Serin para pavimentar a campanha de Jaques Wagner a governador em 2022?

Luiz Caetano - Óbvio que estou aqui na Serin para desempenhar esse papel que eu já tive de articulação.

BNews - O foco é esse?

Luiz Caetano - Não, o foco é colocar o governo para melhorar a relação política com a sociedade. Obviamente que Jaques Wagner é uma figura forte dentro do governo, dentro da política. E eu pessoalmente apoio Wagner e vou fazer de tudo para que Wagner possa ser o nosso governador. Mas não tem essa orientação de pegar aqui a Serin e colocar a serviço dessa agenda.

BNews - Na sua visão, como político experiente e agora Secretário das Relações Institucionais, a conversa da chapa majoritária futuramente em 2022 numa composição PT, PP e PSD, com esses dois aliados, os maiores, está pacificada? Há risco de rompimento?

Luiz Caetano - No meu ver, está pacificada. Está bem. O governo prestigiou os aliados e vice-versa. Os aliados ajudaram muito nesse sucesso que o governo tem. Então, não vejo porque [não estaria pacificada]. Obviamente que tem determinadas questões que estão sendo discutidas. Mas, sobre esse assunto, só quem pode falar é o governador porque é ele que conduz isso pessoalmente junto com Wagner e com os presidentes de partidos. Essa é uma condução que a todo instante tem que estar ajustando. Penso que nós vamos estar juntos e bem unidos para ganhar as eleições futuras com o Governo do Estado e também para a Presidência da República. E também ajudar a eleger os deputados federai e estaduais. Acho que essa agenda está muito boa, na minha opinião. 


Vídeo: Victor Pinto / BNews

BNews - Como é que está Camaçari? Você participou da última reunião com prefeitos da Região Metropolitana, inclusive com a presença de Elinaldo, soube até que o governador brincou que Elinaldo deu um sorriso quando lhe viu na sala... Agora você está liberado, tem os direitos políticos de volta. Tem a possiblidade de Caetano fazer a articulação para voltar a ser prefeito de Camaçari?

Luiz Caetano - Veja, de boa, penso que a eleição de prefeito está tão longe...

BNews - Mas político gosta de pensar a longo prazo...

Luiz Caetano - Temos pela frente 2022. Temos que focar em 2022. Mais para a frente, temos o Covid. Temos que buscar vencer. Essa é a batalha principal nossa. Não penso em ser candidato a deputado agora em 2022. Sempre tive essa vontade de contribuir aqui no governo do Estado e estou tendo essa oportunidade. Estou honrado de ter sido convidado pelo governador Rui Costa para estar aqui. Vou aqui trabalhar. Não posso chegar aqui e em janeiro [de 2021] sair. Aí é barra pesada, né? O resultado desse trabalho não vem agora.

BNews - Mas Ivoneide [Cateano] é o seu nome?

Luiz Caetano - Ivoneide se agigantou na campanha de prefeito, com uma grande votação. Provavelmente será candidata a deputada.

BNews - Estadual ou federal?

Luiz Caetano - Estamos discutindo isso. Mas é um assunto que estamos esperando para passar esse momento.

BNews - O senhor acha que pode rolar algum ciúme na base?

Luiz Caetano - Se ela for candidata e todo mundo sabe que eu sempre soube respeitar os aliados. Vou estar aqui secretário para estar ajudando o conjunto das forças políticas institucionais e heterogêneas. Não é só o PT, pessoalmente de Caetano. Não posso ser pequeno. Tenho que ter a visão e exercer desse jeito. Senão, eu caio também, né? O governador me tira. Não vim aqui para criar problemas, né?


Foto: Vagner Souza / BNews

BNews - Qual será o futuro do governador Rui Costa? Você acha que ele fica no governo até o final, porque também há muita pressão do PP para que Rui seja candidato a senador para João Leão ficar oito meses como governador. Também tem uma corrente do PT que acha que ele pode ser candidato a senador. Já outros acreditam que se ele ficar até o final, não vai ter dor de cabeça para a formação de chapa majoritária. O que você acha do futuro de Rui?

Luiz Caetano - Tudo isso está na mesa. Só que, como eu disse antes, o governador não tomou ainda a decisão com relação a isso. Tem dito, inclusive, a vocês da imprensa diversas vezes. Ele está focado de corpo e alma [com o combate a Covid]. Daqui a pouco, se Deus quiser, vamos vencer essa etapa e a gente discute isso. É óbvio que Wagner é o nosso candidato, é um grande quadro e vamos trabalhar muito para ele se sair bem. Mas o governador, na hora certa, vai dar essa linha.

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