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"Não precisamos sofrer por antecipação"

Imagem "Não precisamos sofrer por antecipação"
Cesar Lisboa avalia que confrontos serão inevitáveis, mas trabalha para não deixar terra arrasada  |   Bnews - Divulgação

Publicado em 31/10/2011, às 00h00   Luiz Fernando Lima



O secretário estadual de Relações Institucionais, César Lisboa (PT), conversou com a reportagem do Bocão News durante o Congresso Estadual do PSB, no último sábado (29), sobre o momento atual da política baiana. O trabalho que vem desenvolvendo ao lado dos partidos aliados ao governador Jaques Wagner para minimizar os efeitos das inevitáveis disputas eleitorais que se avizinham.

O secretário que herdou a pasta estratégica na condição de interino após a saída de Rui Costa, atual deputado federal, acabou sendo efetivado e vem cumprindo a contento aquilo que se espera de um mediador de interesses dentro de uma base governista inchada.
Lisboa reconhece que a missão de harmonizar os alinhados é das mais difíceis, mas acredita no entendimento. Faltando cinco meses para o afunilamento das candidaturas, o secretário propõe que a base não se desgaste por “antecipação”.

A base governista é formada por uma dúzia de partidos. Muitos desses com pré-candidatos fortes em seus municípios. O está norteando as conversas entres os aliados e qual a estratégia para minimizar os efeitos negativos de disputas acirradas?

Inevitavelmente estes partidos estão com força nos seus municípios. Nossa lógica fundamental é garantir a unidade da base. A gente está partindo do princípio que, se garantirmos o máximo de aliança possível, nós sairemos vitoriosos da eleição. Agora, não dá para imaginar que não haverá problemas. Teremos sim disputas entre candidatos da nossa base. Nós vamos trabalhar com alguns critérios. O primeiro é que o governador vai apoiar quem esteve com ele em 2010.

Este critério tem sido contestado por alguns aliados que trouxeram lideranças e gestores da oposição para seus quadros. Vocês terão que estabelecer outras formas de entendimento. Como é que está esta discussão?

Temos vários prefeitos que vieram para a base. Eu trabalhei para isso acontecer. Eles estão na base e serão tratados como parte do nosso governo. Tudo dentro da normalidade. A questão fundamental sobre a eleição é que nós temos este critério que é apenas entre outros. Nas cidades em que as disputas acontecerão entre os partidos da própria base, nós podemos ficar mais tranquilos porque qualquer um que ganhar estará conosco. Não cabe ao governo acirrar atrito. Nós vamos trabalhar para minimizar os efeitos do confronto. Tentando deixar o terreno pós-eleição favorável ao entendimento entre os partidos da base.

Eventualmente as disputas entre aliados podem favorecer a oposição. Que, inclusive, aposta nisto para ganhar espaço. Como lidar com estas situações?

Nestes casos precisamos trabalhar melhor. Primeiro tentar unificar. Segundo, se for o caso, fixar mais aquilo que possa garantir a vitória. O que a gente quer é que o maior número de prefeitos da nossa base ganhe e que todos os partidos possam crescer.

De acordo com levantamento apresentado na última reunião da base aliada. Todos os partidos governistas cresceram. Vocês elegeram 188 prefeitos em 2008 e atualmente contam 277. A oposição deve reagir.

Todos os partidos da nossa base ganharam. Fizemos uma reunião na segunda passada. Grande parte dos prefeitos que ficaram nos partidos de oposição está no segundo mandato e não podem disputar as eleições de 2012. Dentre eles muitos vão apoiar candidatos que foram para a nossa base.


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A disputa entre Ademar Delgado ( secretário municipal das Relações Institucionais) e o deputado estadual Bira Corôa pela indicação do partido para disputar a sucessão de Caetano preocupa o governo?

Este é um tema mais interno do PT. O governo tem mais preocupação com o caso de Ilhéus. Temos vários partidos da nossa base com algum nível de participação política no município. A princípio nós temos cinco forças políticas no município o PP, PSB, PSD, PRB e PT. Precisamos sentar e chegar a um entendimento melhor sobre a disputa lá.

O senhor conhece bem Vitória da Conquista. Foi secretário lá. O PCdoB acaba de deixar o governo do prefeito Guilherme Menezes, que é do PT. A situação não está complicada?

Temos três forças políticas na cidade: PT, PCdoB e PSB. Foi secretário do município e posso dizer que Vitória da Conquista é o local onde estes partidos melhor conviveram durante todo o tempo, sendo vitoriosos. A gente não precisa sofrer com tanta antecipação. O nosso percurso dentro do conselho dos partidos é trabalhar o afunilamento para chegar à eleição com o menor número de atritos possível. Alguns serão inevitáveis.

No início do ano o governo teve alguma dificuldade para acomodar os aliados, principalmente, nos cargos de terceiro e quarto escalão. Como é que anda esta engenharia?

Esta é a parte melindrosa do governo. Estamos fazendo a quarta montagem, salvo engano, apenas em Conquista foram três. A escala em Salvador é muito maior por exemplo. Eu acredito que a medida que o governo vai avançando, estas questões vão sendo superadas. Surgem problemas pontuais. Tem lugares que ainda temos que enfrentar alguns temas, mas o grosso do processo já foi feito. Temos feito alguns ajustes locais e municipais, mas nada muito complicado.

Foto: Paulo Macedo // Bocão News

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