Os sete prefeitos presos pela
Operação Carcará, da Polícia Federal (PF), realizada nesta quarta-feira (10) na Bahia, foram liberados na noite desta sexta-feira (12).
A soltura dos presos já era esperada por seus advogados que aguardavam apenas o momento do cumprimento dos pedidos de
habeas corpus, que beneficiava, inicialmente, os prefeitos de Lençóis e Aratuípe, cujos pedidos já haviam sido acatados pela Justiça baiana no início da manhã.
Uma funcionária de uma das empresas envolvidas também integrava a lista dos primeiros
habeas corpus expedidos. Em função disso, os advogados dos outros quatro prefeitos estavam confiantes diante da expectativa de que os pedidos também seriam acatados.
Com base nesse entendimento, a advogada Lílian Reis, do escritório Ismerin Associados, que representa os prefeitos Everaldo Caldas (PP), de Elísio Medrado, e Itatim, Raimunda dos Santos Silva (PSDB), mostrou-se otimista quanto à liberação dos seus clientes. Ela e outros colegas deram "plantão" na sede da PF aguardando apenas o momento de soltura dos acusados.
Lilian Reis explicou que a liberação era natural já que as prisões foram solicitadas sob a argumentação de que, soltos, os envolvidos poderiam atrapalhar as investigações com a destruição de provas. “A PF apreendeu documentos, computadores de mais de 20 prefeituras. Por isso, não havia mais o risco disso ocorrer”, defendeu a advogada.
Enquanto os advogados travam as batalhas jurídicas para libertar os prefeitos da cadeia, as cidades foram tomadas por um clima de instabilidade política. Isso porque, além de a oposição aproveitar a oportunidade para reforçar os discursos contra os adversário, os vices dos prefeitos presos, instalados na cadeira dos gestores, torcem para que os titulares passam mais um bom período entre as grades.
Em Itatim, o presidente da Câmara Municipal, Robson Nascimento de Morais (PSC), mais conhecido como Robinho, adversário político da prefeita Raimunda Santos Silva, está deitando e rolando de alegria pela sua prisão.
Mas, o presidente Robinho não deve demonstrar a mesma felicidade pela prisão de Celidalva Nascimento Morais Gomes, sócia da empresa Sustare, do empresário Edison dos Santos, apontado como o mentor do esquema de fraude que desviou mais de R$ 60 milhões de verbas federais de programas da educação, saúde, compra de medicamentos e transporte.
A Operação Carcará, em referência a uma ave de rapina do sertão brasileiro, desencadeada pela PF na Bahia prendeu 45 pessoas e cumpriu 82 mandados de busca e apreensão em Salvador e diversos municípios baianos. Entre os presos, sete são prefeitos.
Foram presos os os prefeitos Antônio Miranda Silva, do PRP (foto), de Aratuípe; Raimunda dos Santos Silva (PSDB) de Itatim; Joilson Vieira (PSDB), de Utiga; Everaldo Caldas (PP), de Elísio Medrado; Marcos Araújo PR); de Lençóis; Ivanilton Oliveira Novais (PSDB), de Cafarnaum; e Santa Therezinha, Agnaldo Filgueira Andrade (PTdoB).
Além deles, a Operação Carcará prendeu ainda outros empresários e funcionários das empresas suspeitas de integrarem o esquema de desvio de recursos federais. Edison Cruz foi o único que teve o pedido de prisão preventiva decretado. Ele fopi preso junto com o filho, Wesley Oliveira Cruz. Os dois chegaram algemados à sede da PF em Salvador.