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Concurso Nacional de Fantasia Gay do Carnaval de Salvador: Um Espetáculo de Brilho, Resistência e Emoção

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Publicado em 19/02/2025, às 07h16   Marcelo Cerqueira @marcelocerqueira.oficial



O Concurso Nacional de Fantasia Gay do Carnaval de Salvador é muito mais do que um evento. É uma celebração de arte, identidade e resistência, realizada com todo esplendor na segunda-feira de Carnaval, na Praça Municipal, aos pés do Palacio Thomé endereço do Poder Executivo Municipal, prefeito Bruno Reis o grande gestor do Carnaval da cidade que rende homenagem aos 40 Axé Music. E, claro meu amigo genial Nizan Guanaes autor do hino  “ We Are The World of Carnaval”.  Ao longo de suas 27 edições, tornou-se um marco cultural da comunidade, garantindo visibilidade, inclusão e muita criatividade para o maior espetáculo a céu aberto do mundo, a sua excelência o Carnaval.

A inspiração veio em 1997, primeiro ano, primeiro mandato do prefeito Antônio Imbassahy, através da talentosa Eliana Dumêt, Presidente da Emtursa, na verdade queríamos dar continuidade ao concurso realizado pelas travestis na Castro Alves. Naquele ano eu e Luiz, havíamos planejado passar fevereiro na Provance Francesa, não tínhamos certeza se de fato seria, sobretudo o primeiro Carnaval da gestão, não foi fácil, mas foi verdade.

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Eis que Eliana – Tudo certo, o prefeito gostou da ideia, vocês garantem- Sim, claro! E agora. Lena Oxxa, presidente da ATRAS, realiza. Assim, em 1997, Salvador inaugurava sua própria versão deste concurso, marcando a história do Carnaval da cidade. Perguntada se gostou do evento a gerente do Carnaval disse – Não tinha fantasia, a moça vencedora usava uma biqueira em cada seio e um tapa-sexo- Falou sentido falta das fantasias. Ela fazia referência a Monalisa Trussard, trans emblemática, linda de viver, 25 anos, de Nazaré das Farinhas morando hoje no Reino Unido. A saída dela nua de um hotel no Corredor da Vitória já foi um tumulto que atiçou a curiosidade do povo para saber quem era. Sapoti – em memória – precisou pedir aos cordeiros dos blocas para conduzir a jovem até o Largo e pegar um taxi. Ela usou um tapa sexo de vergalhão de ferro que foi moldado no corpo, a peça que até hoje é usada pelas passistas, recebe adereços para dar mais conforto, mesmo assim, é possível terminar a folia com um buraco acima do bumbum, mas feliz, porque a sensação de sair nua no Carnaval não tem preço. A nossa heroína vencedora da originalidade deveria vencer a duas categorias. 

No ano seguinte já houve melhorias, saiu da pista e ganhou uma passarela e a participação estrelas das passarelas. Entre eles, Maria Rita Edite Clemente, - em memória – pequeninha com uma força de um gigante para supor fantasias de até 50k sem descansar. Ela encantou com as roupas “Ouro do Olimpo", que brilhou na Mangueira,"Rainha do Maracatu Nagô", que exaltou a cultura afro-brasileira;"Triunfo da Religiosidade", um tributo à fé e à devoção.

Na categoria Originalidade, um dos maiores nomes é Queroga, que fez história com fantasias impactantes inspiradas em Irmã Dulce, Filhos de Gandhy e Olodum. Outros campeões recorrentes incluem Edy Sayber, de Feira de Santana, e Isaac Filho, cuja fantasia de Pinóquio – a Boneca de Madeira ficou marcada como uma das mais impressionantes do concurso.

Desde o início, o concurso contou com o apoio da Prefeitura de Salvador, garantindo estrutura e visibilidade ao evento. Com o tempo, ele ultrapassou os limites da Praça Municipal, levando os vencedores para desfiles no Campo Grande, ampliando seu impacto no Carnaval baiano. Além disso, o evento incorporou novas atrações, como: Shows musicais e performances de transformistas; O Concurso Rainha LGBT+ do Carnaval de Salvador; Homenagens aos ícones 60+ LGBTQIAPN+ e suas histórias de vida.

O Concurso Nacional de Fantasia Gay de Salvador ganhou projeção nacional e passou a atrair participantes de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Juazeiro da Bahia, consolidando-se como um evento essencial do circuito carnavalesco brasileiro.

Uma das presenças mais marcantes foi a do lendário Clóvis Bornay, referência máxima em fantasia no Brasil. Ele esteve presente na exposição de fantasias promovida pelo concurso, elevando ainda mais sua grandiosidade. Ele abriu a exposição junto com o GGB, Prefeito e a Presidente da Emtursa.

Com 27 edições realizadas (exceto em 2020, 2021 e 2022, devido à pandemia), o Concurso Nacional de Fantasia Gay do Carnaval de Salvador segue firme como um pilar da arte, inclusão e resistência LGBTQIAPN+.

Agora, em 2025, chegamos à 27ª edição oficial, já planejando uma celebração histórica para os 30 anos do concurso. Novas categorias, mais inovação e o mesmo compromisso com a diversidade prometem tornar esse evento ainda mais grandioso.

Que venham muitas décadas de brilho, fantasia e resistência! Vida longa ao Concurso Nacional de Fantasia Gay do Carnaval de Salvador!

MARCELO CERQUEIRA é Coordenador Municipal da Política LGBT+ e Ativista do GGB

Classificação Indicativa: Livre

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