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A cultura do desempenho e o adoecimento emocional

Foto: Arquivo pessoal / Dr. André Gordilho
Entenda como a pressão por desempenho pode deteriorar sua saúde mental e emocional  |   Bnews - Divulgação Foto: Arquivo pessoal / Dr. André Gordilho

Publicado em 27/11/2025, às 21h23 - Atualizado às 21h24   Dr. André Gordilho



Vivemos em uma época em que ser apenas bom já não parece suficiente. A exigência contemporânea é ser excelente o tempo todo. Produtividade virou sinônimo de valor pessoal, e descanso passou a ser visto como fraqueza. A chamada “cultura do desempenho” não só molda hábitos, mas também deteriora a saúde mental de forma silenciosa.

Pesquisas recentes mostram que níveis elevados de autoexigência e pressão constante estão associados ao aumento de transtornos de ansiedade, depressão e quadros de esgotamento. Isso porque o cérebro humano não foi programado para operar em alerta permanente. A lógica do “render mais”, “entregar sempre” e “nunca parar” ativa mecanismos de estresse que, quando mantidos por muito tempo, tornam-se adoecedores.

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O mais preocupante é que essa cultura já não vem apenas de fora. Muitas vezes, somos nossos próprios vigilantes. A comparação incessante, impulsionada pelas redes sociais, cria a ilusão de que todos estão sendo mais produtivos, mais felizes, mais bem-sucedidos. O resultado é uma sensação constante de inadequação, como se estivéssemos sempre ficando para trás.

No consultório, vejo cada vez mais pessoas que acreditam que descansar é perder tempo e que desacelerar é sinônimo de fracasso. Elas chegam exaustas, culpadas por não conseguirem sustentar um ritmo que, na prática, ninguém consegue. A saúde mental se fragiliza justamente quando ignoramos nossos limites em nome de um padrão inalcançável.

É preciso lembrar que produtividade não é identidade. Somos mais do que aquilo que fazemos ou entregamos. A saúde emocional não floresce sob pressão contínua, mas em ambientes que permitem equilíbrio, autonomia e pausas reais.

Como sociedade, precisamos resgatar o valor do descanso, do tempo livre e das relações humanas. E, individualmente, precisamos aprender a reconhecer que não existe mérito em se esgotar.

Porque, no fim das contas, nenhum desempenho vale o preço de perder a si mesmo.

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