Estamos vendo uma discussão muito grande sobre a ação do presidente
Lula proibindo as bets em todo território nacional, mais uma vez e, infelizmente, tudo cai na vala comum das discussões da política partidária.
Ou seja, se foi um lado que propôs, que não é o meu, serei contra. Não quero saber, não deve ser bom. Foi o outro lado. É sabido na psicologia social, que fato sempre será uma constatação objetiva da realidade, um evento ou dado apresentado que pode ser verificado de maneira independente e sobre o qual há indicadores claros, objetivos.
Já a opinião é uma construção subjetiva — uma atitude, julgamento ou crença individual moldada por valores, experiências e pela influência do grupo social em que a pessoa está inserida. Enquanto o fato descreve o mundo como ele se apresenta a opinião reflete a interpretação socioafetiva que o indivíduo atribui a essa realidade, e ultimamente a coloração política tem dado relevância a estas “certezas” de bolhas. Em rápida pesquisa que me debrucei, para, ao fim, entender todo este processo – além dos que vivo semanalmente na Cidade da Luz, onde pessoas buscam em desespero apoio para as suas dívidas de jogo – que o de analisar os dados concretos do cenário financeiro nacional.
Somente em 2025, as famílias brasileiras sofreram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões para as bancas de apostas. Trata-se de um montante expressivo que saiu definitivamente do orçamento familiar e nunca mais retornou à economia produtiva. Esse capital poderia ter sido investido em capacitação profissional, cursos educacionais e no crescimento de empreendimentos digitais legítimos.
A magnitude dessa movimentação financeira fica ainda mais evidente ao observar os relatórios e levantamentos oficiais do
Banco Central que afirmam no mesmo 2025, o volume total de transações via PIX associadas às bets alcançou a marca de R$ 351 bilhões. Em determinados meses do ano, o Banco Central identificou que o fluxo mensal destinado a essas bancas variou entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões.
Países estão colocando travas em suas máquinas de apostas on-line, o Reino Unido, por exemplo, onde se aposta tudo, introduziu "testes de acessibilidade financeira" (affordability checks) para identificar apostadores em situação de risco de superendividamento, além de banir o uso de cartões de crédito para realizar depósitos em sites de apostas. A OMS classifica formalmente o vício em apostas como Transtorno de Jogo (conhecido clinicamente como ludopatia). A entidade emitiu alertas reforçando a forte correlação entre o endividamento por apostas online e o aumento drástico em sintomas de ansiedade, depressão profunda e taxas de suicídio.