Artigo
Publicado em 02/06/2026, às 23h42 José Medrado
Em tempos de polarização, há uma distinção que não deveria ser esquecida: governos passam, partidos se alternam, ideologias disputam espaço, mas o país permanece. O Brasil é maior do que qualquer administração, maior do que qualquer corrente de pensamento e maior do que os interesses circunstanciais de grupos políticos. É por essa razão que a defesa da soberania nacional não pode ser uma bandeira de um lado ou de outro. Ela deve ser um compromisso de todos. O que entender, por exemplo, quando, recentemente, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, classificou o Brasil entre os países considerados não amigáveis aos interesses norte-americanos, ao lado de nações como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Independentemente das razões apresentadas ou das divergências diplomáticas existentes, o episódio merece atenção. E nessa hora, o que precisa ser considerado é a nossa casa, nossa origem como povo, como Nação.
Na política internacional não existem amizades permanentes; existem interesses permanentes. As grandes potências agem segundo aquilo que entendem ser conveniente para seus objetivos estratégicos, econômicos e geopolíticos. O Brasil, por sua vez, tem o direito e o dever de agir da mesma forma: defendendo seus próprios interesses nacionais. Isso não significa hostilidade contra qualquer país. Não significa alimentar sentimentos antiamericanos, antieuropeus ou contrários a qualquer povo. O respeito entre as nações é um valor civilizatório. Mas respeito não se confunde com submissão. Cooperação não significa dependência. Parceria não exige renúncia à autonomia.
O patriotismo maduro não é o patriotismo do grito, mas o da responsabilidade. É aquele que compreende que a riqueza de uma nação está em suas instituições, em sua capacidade de decidir seus próprios rumos e em sua liberdade para construir relações internacionais baseadas na reciprocidade e no respeito mútuo. Assim sendo, quando interesses externos tentam influenciar decisões internas, a resposta não deve ser partidária. A defesa da soberania nacional não pertence à esquerda nem à direita. Pertence ao Brasil. Da mesma forma, críticas legítimas a governos não podem ser confundidas com críticas ao país. Governos são transitórios; a nação é permanente.
Entre um lado e outro das disputas ideológicas, existe um ponto de encontro que deveria unir todos os brasileiros: a convicção de que os destinos do Brasil devem ser definidos pelos brasileiros, dentro de suas instituições e de sua ordem democrática. É possível divergir sobre políticas econômicas, sociais ou diplomáticas. É saudável que assim seja. O que não deveria estar em debate é o princípio de que o interesse nacional deve estar acima de pressões externas, acima de conveniências momentâneas e acima das paixões partidárias. Entre um e outro, fiquemos com o Brasil. Hoje, amanhã e sempre.
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