Artigo
Publicado em 14/06/2024, às 12h04 - Atualizado às 12h11 Por Leana Mattei e Luiza Mattei*
Por muito tempo, o entendimento sobre o conceito de sustentabilidade esteve muito
associado somente com elementos ecológicos, como florestas, rios e animais silvestres.
Nessa abordagem, muitas vezes a presença das pessoas aparecia de maneira restrita,
comumente associada apenas a uma posição de ativismo ou como vítimas de grandes
desastres ambientais. Mas achar que o papel das pessoas na sustentabilidade se resume a abraçar árvores ou plantar mudas é, além de uma visão limitada, um grande equívoco. Não é possível falar de desenvolvimento sustentável, nem mesmo de meio ambiente, sem considerar os aspectos sociais de maneira intrínseca e transversal. Afinal, os desafios que nos levam a falar sobre esse tema afetam todos, e superá-los só é possível a partir de soluções pensadas pelas pessoas e para as pessoas.
No Mês do Meio Ambiente, especificamente, temas como economia circular, desmatamento e gases de efeito estufa ganham especial atenção em campanhas, palestras e ações educativas. Mas nem mesmo assuntos como esses, ambientais em sua essência, podem ser separados do viés social. A economia circular, por exemplo, não é apenas uma questão de resíduos, mas também envolve outros aspectos, como geração de renda e trabalho digno para catadores, além de educação e engajamento de empresas, governos e sociedade civil. A própria sigla ESG, que faz referência às temáticas ambiental (E), social (S) e de governança (G), é um modelo que propõe que, apesar de distintos, os três pilares devem ser geridos de maneira integrada.
Desde comunidades ribeirinhas até o habitante da mais urbanizada metrópole, todas as pessoas possuem uma íntima relação de dependência com os fenômenos ambientais, sendo afetados direta ou indiretamente em caso de crises e desequilíbrios. Um exemplo disso são 2 os recentes episódios de emergência climática no sul do Brasil, que vem gerando imensuráveis prejuízos sociais, ambientais e econômicos à população local e a todo o país.
No entanto, apesar de a sustentabilidade ser uma responsabilidade coletiva, deve-se haver atenção ao conceito de Justiça Climática, que reconhece que as mudanças no clima e no meio ambiente afetam as pessoas de forma desigual. Grupos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, por exemplo, têm menos recursos e capacidade de resposta para lidar com eventos ambientais extremos.
Dito isso, só é possível falar de sustentabilidade contemplando a sociedade em suas
diferentes nuances, desenhando soluções que considerem as diversas demandas e
pluralidades sociais, econômicas, culturais e demográficas, não deixando de considerar também os recortes de raça e gênero. Assim, e somente assim, será possível conciliar crescimento econômico, proteção ambiental e inclusão social, sem deixar ninguém para trás.
*Leana Mattei é palestrante, TedX Speaker, comunicadora e escritora do livro "A estrada vai além do que se vê" sobre impacto social em obras de infraestrutura. É mestra em Desenvolvimento e Gestão Social pela UFBA, tem MBA em Sustentabilidade e Responsabilidade Social pela UNIFACS, formação em Mensuração de Impacto Social pelo Insper e Mediação de Conflitos e Metodologia do Ensino Superior pela UFBA, e graduação em Comunicação e Relações Públicas pela UNEB.
*Luiza Mattei: Com MBA em Desenvolvimento Sustentável e Economia Circular e formada em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA, Luiza acumula ampla experiência nas áreas de marketing, gestão de projetos, ESG e comunicação social. Atualmente, é Diretora de Projetos da Aganju e coordena projetos de sustentabilidade e comunicação propositiva, aliando criatividade com coerência, responsabilidade e impacto positivo.
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