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O Debate Contemporâneo: O Movimento LGB Alliance International e Fim da Sigla LGBTQIAPN+

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O LGB Alliance International surge como uma nova proposta de representação, dividindo opiniões  |   Bnews - Divulgação Foto: Ilustrativa / FreePik

Publicado em 07/10/2025, às 19h01   Marcelo Cerqueira



Recentemente, em setembro, surgiu um movimento impactante no cenário global que propõe uma abordagem distinta para a representação da comunidade. Esse movimento, denominado LGB Alliance International, propôs a utilização da sigla LGB, causando uma ruptura e dividindo a sigla LGBTQIAPN+. Ele retoma uma narrativa histórica originária, sendo constituído apenas por pessoas lésbicas, gays e bissexuais cisgêneras, ou seja, aquelas que mantêm as características do sexo atribuído ao nascer.

A exclusão da letra "T" da sigla exclui mulheres e homens transgênero, que são pessoas que se identificam como mulher ou homem diferentemente do sexo designado ao nascer; e, nesse contexto com uma linha tênue de diferença, também inclui travestis. Pessoas não-binárias são igualmente excluídas, um termo guarda-chuva para indivíduos cuja identidade de gênero não se encaixa exclusivamente nas categorias "homem" ou "mulher". Isso inclui: gênero fluido (identidade de gênero que muda ao longo do tempo); agênero (pessoas que não se identificam com nenhum gênero); bigênero (pessoas que se identificam com dois gêneros); pangênero (pessoas que se identificam com todos ou muitos gêneros).

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Esse movimento foi oficializado por ativistas de dezoito países, formando uma coalizão que se apresenta como uma frente dedicada exclusivamente à defesa dos direitos de lésbicas, gays e bissexuais. Ele surge em um contexto de questionamento sobre a abrangência da sigla e da bandeira mais ampla que, por vezes, unia toda a comunidade.

A inspiração para o LGB Alliance International veio da LGB Alliance do Reino Unido, uma organização que adota uma agenda independente e é conhecida por suas críticas à militância trans, focando-se apenas na orientação sexual. Entre as posições que essa coalizão assume, destacam-se: posicionamento contra a transição de gênero em menores de idade, críticas ao uso de bloqueadores de puberdade e questionamentos à presença de mulheres trans em espaços historicamente voltados a lésbicas.

No lançamento do movimento, a coalizão reforçou não ter vínculos políticos e que seu foco principal é a defesa da homossexualidade. É importante contextualizar que, ainda hoje, aproximadamente 64 países no mundo criminalizam a homossexualidade, e em muitos deles, a punição pode ser a morte.

O surgimento de movimentos como o LGB Alliance International levanta questionamentos sobre os rumos da luta pela diversidade e inclusão. A discussão envolve se esse novo protagonismo LGB representa um resgate de algo que se perdeu ao longo dos anos no caminho da história ou se ele pode ser visto como um retrocesso que ameaça fragmentar a luta e a união da comunidade como um todo. A evolução das siglas e a diversidade de perspectivas dentro do próprio movimento LGBT+ refletem a complexidade intrínseca da experiência humana e a contínua busca por representação, reconhecimento e direitos para todos.

No Brasil, a compreensão e os termos específicos para a orientação sexual eram, inicialmente, bastante limitados. Um termo que marcou a década de 90 foi "GLS" (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), criado pela jornalista e atriz Suzi Capó e por André Fischer durante o Festival Mix Brasil da época, em São Paulo. Essa sigla, embora importante, focava em apenas algumas expressões de atração, sendo amplamente utilizada com cunho comercial, o que representou uma experiência rica e difundida.

O movimento social brasileiro, conhecido como MHB (Movimento Homossexual Brasileiro), deu sequência a essa evolução. A sigla foi alterada para GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis) durante a I Conferência Nacional GLBT, ocorrida em Brasília, de 5 a 8 de junho de 2008. Considerada o primeiro evento governamental do mundo a abordar essa pauta, a sigla recebeu uma nova arrumação das letras. Esse novo posicionamento teve como objetivo promover o protagonismo das lésbicas, considerando que a militância gay já estava mais estabelecida. Assim, na assembleia, aprovou-se a sigla LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis). Não foi fácil estabelecer esse diálogo com ativistas gays, mas o novo formato harmonizou-se com o Movimento dos Estados Unidos, que já usava terminologia similar.

A homossexualidade foi elevada à categoria de orientação sexual há quatro décadas, um avanço significativo impulsionado pelo ativismo do professor Luiz Mott. Conduzindo o Grupo Gay da Bahia, Mott iniciou uma campanha nacional com 7 mil assinaturas que resultou na revogação da CID-302 do INPS, a qual classificava a homossexualidade como doença mental. Uma vitória notável que posicionou o Brasil como vanguarda, antecipando a Organização Mundial da Saúde (OMS), que só a desclassificaria em 17 de maio de 1990 – data hoje celebrada como o Dia Internacional de Combate à LGBTfobia.

A experiência humana é marcada por um rico emaranhado de vivências, percepções e atrações. Para navegar rio e respeitar essa diversidade, é fundamental entender dois pilares centrais: a orientação sexual e a identidade de gênero. Essas lutas contra a norma binária não foram fáceis, mas são necessárias até os nossos dias. Assim, atualmente, reconhecemos que a orientação sexual existe em um espectro que inclui heterossexualidade, homossexualidade, pansexualidade e assexualidade (ausência de atração sexual).

A identidade de gênero é o senso interno e pessoal de ser homem, mulher, ambos, nenhum dos dois, ou algo diferente. É a percepção de si mesmo, independentemente do sexo atribuído ao nascer. Diferentemente da orientação sexual, que se refere a por quem a pessoa sente atração, a identidade de gênero diz respeito à percepção de si.
O sexo atribuído ao nascer (biológico) nem sempre corresponde à identidade de gênero de uma pessoa. Quando há correspondência, a pessoa é cisgênero. Quando não há, a pessoa é transgênero. A identidade de gênero também se manifesta em um vasto espectro. Algumas das identidades de gênero reconhecidas são: Mulher Cisgênero; Homem Cisgênero; Mulher Transgênero; Homem Transgênero; Travesti e Não-binário (termo guarda-chuva para pessoas cuja identidade de gênero não se encaixa exclusivamente nas categorias "homem" ou "mulher"). Isso inclui identidades como gênero fluido, agênero, bigênero, entre outras.

Assista ao vídeo com o anúncio, que soma quase 13 milhões de reproduções nas redes sociais, foi publicado pela organização LGB Internacional, que conta com representação no Brasil.

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