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Tarifaço: Vai sobrar delícias para o brasileiro

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Por Jolivaldo Freitas  |   Bnews - Divulgação Divulgação

Publicado em 22/08/2025, às 10h57 - Atualizado às 10h57   Redação



Tem notícia que chega a parecer piada. O ministro Paulo Teixeira anunciou que o governo vai comprar carne, peixe, frutas e delícias perecíveis que não mais podem ir para deleite dos norte-americanos para colocar em escolas, universidades, quartéis e hospitais. Parece burocracia de sempre, mas, se der certo, estamos diante de um acontecimento histórico: o pobre pode finalmente comer picanha sem precisar esperar promessa de campanha.

Está aberto o horizonte da fartura! Já pensou o menino do interior, acostumado a dividir uma galinha entre dez irmãos, agora reclamando na fila da merenda: “lagosta de novo, tia?” E o camarão? Vai ser tão popular que o feijão com arroz de todo dia vai virar prato especial. O sujeito que até ontem só via camarão no Tik Tok, agora vai aprender a reclamar que dá trabalho descascar.

Até o suco de laranja em caixinha entra nesse sonho dourado. Adeus àquele ritual brasileiro de encher a jarra com dois litros de água e meio quilo de açúcar para “render a semana”. Agora a criança vai abrir a caixinha direto, igual propaganda de família feliz. Igual ao povo dos Estados Unidos que não vai poder receber a mercadoria por culpa do doido do Trump.

Será que o milagre da sobra de produtos por impedimento de exportação para os EUA não se estende aos postos de gasolina? Com esses impostos malucos, pode acontecer do frentista dizer: “pode encher, doutor, hoje é por conta da casa”. Aí seria o verdadeiro Dia da Independência. Vamos esperar que o tarifaço que o doidão pele-vermelha e branca, o gringo, aplicou nos produtos brasileiros venha a render sobras para a gente. Estou guardando uma graninha para poder comprar Friboi, chocolate, coxa de frango e pescada branca. Cansei de comer Chan de fora, pescoço de galinha, achocolatado e sardinha em lata. Vai sobrar comida, minha gente.

Só ficou uma tristeza no ar: não exportamos cerveja para os EUA. Porque, se exportássemos, e o governo fosse obrigado a redirecionar o produto para consumo interno, aí sim teríamos a utopia realizada. Cerveja gelada para todos, picanha na grelha e suco de caixinha para as crianças. Será que exportamos lagosta para os EUA? E espumante?

Escritor e jornalista. Autor de “100 anos da avenida Sete de Setembro”.

***As ideias aqui apresentadas são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site.

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