Artigo
Publicado em 20/12/2025, às 11h53 Salomão Filho*
O sol brilha no verão da Bahia. A (normalmente) baixa probabilidade de chuva garante dias de curtição nas piscinas e praias. Tudo isso se transforma em um excelente convite para pegar o carro e aproveitar o belíssimo litoral norte. De Jauá a Sauípe, sempre há um pedaço de areia e mar para quem quiser aproveitar esse período de descanso entre o final do ano e o início do próximo. Sol, praia, amigos e diversão: a reunião perfeita de fatores.
Porém, como em todo conto de fadas, há um vilão; uma bruxa má, que, neste caso, é a EMBASA. Quem tem casa na Linha Verde sabe que o início do mês de dezembro se conjuga com o término do fornecimento de água. E esse casamento não é de hoje. O longo período de “matrimônio” desmorona qualquer esperança de um divórcio no "ano que vem". A fidelidade entre alta estação e falta de água permanece.
Apesar de ser um problema antigo, ele sequer está perto de ser resolvido. Aliás, ao contrário: com o incremento imobiliário, novos empreendimentos são lançados e a pressão sobre o sistema de fornecimento de água aumenta. E a EMBASA? Nada!
Itacimirim, por exemplo, experimenta uma transformação urbana de grande escala. Obras de macro e microdrenagem foram realizadas, assim como promessas de regularização do fornecimento. Mas, como dizem: esperança é igual a paçoca... uma hora esfarela tudo.
A alta estação de 2025/2026 ainda está dando seus passos iniciais e a bruxa má já começou a trabalhar (ou a "não trabalhar"). Há registros de falta de água por dois ou três dias consecutivos em condomínios na região de Itacimirim, por exemplo.
Todo conto de fadas também tem um salvador que tira o protagonista do perrengue. Mas, neste caso, a solução mágica está nas empresas de fornecimento de água. Os carros-pipa estão prontos, com tanques cheios de combustível e de água. Mesmo sem indicar a origem do líquido precioso, eles trafegarão na Linha Verde carregando consigo a mesma importância de veículos de emergência. Afinal, um engarrafamento no trajeto impede o banho no destino.
E aqui entra a lei do mercado: maior procura... maior o preço. A promessa é que o valor do carro-pipa duplique ou triplique até o Réveillon. E a EMBASA? Nada!
O certo mesmo é que haverá falta de água, e, no final do mês, a conta chegará às caixas de correspondência como se nada tivesse acontecido.
*Salomão Resedá Filho é doutor e Mestre em Direito, pela UFBA
Classificação Indicativa: Livre
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