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Produção de grãos pode ficar comprometida se o RS não recuperar 3,2 milhões de hectares, segundo especialistas

Emater/RS-Ascar
Além das enchentes, a recuperação desses hectares no RS depende de fertilizantes, que já vinham sendo difícies de usar por causa da guerra na Ucrânia  |   Bnews - Divulgação Emater/RS-Ascar


A produção de arroz, soja, milho, uva e tabaco pode estar comprometida no Brasil, se o Rio Grande do Sul não recuperar os 3,2 milhões de hectares que foram atingidos pelas enchentes. Acontece que nesses locais, para voltar a plantar, será necessário o manejo do solo.

Em entrevista ao geólogo e professor do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), Rodrigo Salvetti, o Metrópoles elencou as possibilidades da produção gaúcha. A primeira perspectiva é supondo que em um solo cultivável, a parte superficial foi levada pela enchente, mas a camada que ficou possui características naturais de porosidade e composição química aceitáveis para plantio. “Nesse caso, o que tem de fazer é uma análise para saber quais macro e micronutrientes estão presentes no solo para depois fazer a correção. Esta é a parte fácil”, diz Salvetti.

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Entretanto, certamente há áreas mais complexas, pois, a água trouxe material para cima da área de plantio. “Teria de remover areia e argila, saber se o solo de baixo tem alguma condição produtiva com a análise e depois fazer a correção, eventualmente drenagem para tirar umidade excessiva, ver se a argila não atrapalhou a aeração do solo, e depois está pronto”, explicou o professor.

Por fim, no pior cenário, onde houve remoção severa do solo e restou apenas a rocha, o professor diz que não há muito o que fazer: “a questão da rocha nua é irrecuperável”, sentencia o especialista.

Até o momento, as análises sobre as regiões têm ocorrido por meio das imagens feitas por satélites, de modo que só é possível saber se houve algum efeito relacionado a inundação, mas identificar as necessidades do solo, isso só poderá ser feito com avalição técnica in loco, o que deve ocorrer em breve, já que a água tem baixado, inclusive, o nível do Rio Guaiba ficou abaixo do nível de inundação pela primeira vez em um mês.

Entretanto, especialistas já adiantam que mesmo os solos que passarem por processo de recuperação, é esperado algum nível de queda na produtividade. Vale destacar que a recuperação desse plantio incluí o uso de fertilizantes, o que já vinha sendo difícil por causa da guerra entre Ucrânia e Rússia, que fornece esse material para o Brasil.

O Governo Federal, por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), trabalha em planos emergenciais para recuperação da agricultura naquela região. De acordo com o Metrópoles, proposta deve ser lançada no próximo dia 10.

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