A Prefeitura de Salvador informou que os mais de oito mil ambulantes credenciados para trabalhar no Carnaval de Salvador 2015 contam com um ambiente totalmente seguro para deixar os filhos durante a folia. De acordo com a prefeitura, os Centros de Convivência Temporária, coordenados pela Secretaria de Promoção Social, Esportes e Combate a Pobreza (Semps), estão distribuídos em quatro pontos da capital baiana, entre os circuitos Dodô (Barra) e Osmar (Campo Grande), e possuem capacidade para abrigar até 360 crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
Os demais centros de acolhimento temporário ficam localizados na Escola Estadual Senhor do Bonfim, nos Barris; no Centro de Capacitação de Profissionais da Educação Wilson Lins (CAS), em Ondina, e na Creche Calabar, no bairro homônimo. Os abrigos funcionam desde as 19h de quinta-feira (12) e seguem até a Quarta-Feira de Cinzas (18).
Conforme informações da prefeitura, durante a estada nas casas de acolhimento, as crianças têm acesso a diversos serviços básicos, como noções e prática de higiene pessoal, cinco refeições diárias e participação em atividades lúdicas. Todo o período em que estiverem sob a tutela do poder público municipal, haverá o acompanhamento constante de educadores e nutricionistas especializados no público infantil.
Para a ambulante Edilene Sacramento, que deixou sua filha menor em um dos abrigos, localizado no Largo 2 de Julho, a iniciativa da prefeitura surgiu em momento oportuno. "É uma grande ajuda. Com a possibilidade de deixar os meninos nestas creches podemos trabalhar sem a preocupação de que algo de ruim possa acontecer a eles", diz.
A procura pelos centros de acolhimento esteve abaixo da expectativa no primeiro dia. Segundo informações do secretário de Promoção Social e Combate a Pobreza, Henrique Trindade, na quinta-feira, quando teve início o acolhimento temporário, os quatro abrigos disponibilizados para o período de Carnaval receberam apenas 40 filhos de ambulantes. Os números para esta sexta-feira (13), entretanto, sugerem um aumento considerável neste quadro. Até o meio-dia, pouco mais de 80 novos acolhimentos foram registrados.
Segundo Fabiana Carvalho, coordenadora do abrigo instalado na Escola Municipal Permínio Leite, no Largo 2 de Julho, o perfil dos pais que procuram a instituição está bem definido. "São pais e mães que optam por garantir um local seguro e longe da confusão da festa. A maioria deixa os meninos logo de madrugada e os leva para casa ao final do trabalho", afirma.
Ações
Na quinta-feira (12), as equipes da Semps realizaram 875 abordagens de crianças e adolescentes, sozinhas ou acompanhadas dos pais, nos circuitos do Carnaval. Desses, 82 foram cadastrados, sendo que 30 jovens estavam exercendo alguma atividade laboral - ajudando os pais, catando latinhas ou mesmo vendendo produtos -, o que é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em todos os casos os pais e responsáveis foram advertidos para que não mantenham seus filhos nas ruas, provocando situações de vulnerabilidade, violência e ameaças de exploração sexual.