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Carnaval de Salvador ainda é mais turismo que cultura

Imagem Carnaval de Salvador ainda é mais turismo que cultura

Fundação Gregório de Mattos está fora da organização este ano; Ideia é mudar esta lógica

Publicado em 04/02/2013, às 16h48        Lucas Esteves (Twitter: @lucasesteves)

O Carnaval de Salvador é um patrimônio imaterial da humanidade, mas nos últimos anos vem sendo tratado como verdadeiro caso de turismo, com as atrações mais viáveis ganhando privilégios sequenciais, supressão do folião local e camarotização da folia. E, ao menos durante o primeiro Carnaval da gestão de ACM Neto, esta lógica ainda permanecerá, apesar das promessas de mudança de paradigmas.
Uma análise do corpo técnico da Central de Operações do Carnaval (COC), grupo que ficará ativo durante a festa e cuidará da preparação das próximas, mostra que a lógica histórica da folia em Salvador continuará inalterada pelo menos por mais este ano. A secretaria líder do grupo é a de Desenvolvimento, Turismo e Cultura, coordenada por Guilherme Bellintani. Já o órgão responsável unicamente por gerir as políticas e equipamentos culturais da cidade, a Fundação Gregório de Mattos, está fora do COC.
Segundo Bellintani, a FGM ficou fora do grupo devido ao pouco tempo que a gestão teve para tratar do Carnaval, uma vez que boa parte da organização da festa foi herdada da gestão do ex-prefeito João Henrique. O secretário garantiu que, no ano que vem, a FGM fará parte do COC e será adicionada ao planejamento da festa mais importante do calendário da capital. Segundo ele, a integração da fundação no grupo faz parte do novo modelo de pensamento que a gestão promete implantar e que romperá com o atual modelo e usou os blocos afro como exemplo.
“O Carnaval de Salvador é mais cultura que turismo. E é por isto que a Fundação Gregório de Mattos deve ter o papel de protagonismo na organização do evento. Sobre os blocos afro, eles perderam espaço, mas atual administração vai fazer de tudo para que eles sejam preservados e ampliados. Nossa ideia é que tudo seja feito na base do diálogo, mas se precisarmos brigar, nós vamos faze-lo para garantir estes interesses”.

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