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Comissão Especial do Carnaval é acusada de tentar excluir o Comcar

Imagem Comissão Especial do Carnaval é acusada de tentar excluir o Comcar

Segmentos pedem a instauração de um inquérito para que Henrique Carballal seja intimado

Publicado em 09/09/2013, às 11h00        Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)

Nesta segunda-feira (9), acontece no Ministério Público da Bahia, uma audiência entre a promotora de Justiça Rita Tourinho e diversos segmentos carnavalescos. Eles entrarão com uma representação contra a Comissão Especial do Carnaval, acusada de tentar excluir sumariamente do Conselho Municipal do Carnaval (Comcar) associações e entidades carnavalescas históricas e representantes de minorias, além da cadeira da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), e substituí-las por segmentos exclusivamente privados.

Os segmentos pedem a instauração de um inquérito, em que o presidente da comissão, vereador Henrique Carballal (PT), seja intimado para explicar sobre a inserção da Associação Baiana de Camarotes, da Empresa de Som, Iluminação e Montadoras, da Associação Brasileira de Entretenimento e da Associação Baiana do Mercado Publicitário no Concar, já que é fato público que estas pertencem ao mesmo grupo econômico e já estão devidamente representadas pela Associação Baiana dos Blocos e Trios (ABT) no órgão público.

“Como acreditar na idoneidade das decisões dessa comissão se ela deixa clara a intenção de privatização da festa momesca e retira a única cadeira da administração do Estado, que investe milhões na festa e tem o papel estratégico de elaborar junto com as entidades um planejamento que leve em conta a saúde da população num evento de tamanha proporção?”, questiona Otto Pipolo, que está advogando a representação dos segmentos carnavalescos. Ele ainda destaca: “Achei muito estranho que um vereador do PT investisse contra o próprio governo do Estado, de liderança petista. O que há em jogo que seja tão mais importante a ponto de pôr em cheque a fidelidade partidária?”, indaga.

No lugar dos segmentos empresariais, as entidades carnavalescas argumentam ser mais legítimo e urgente a incorporação da União dos Artistas Independentes (UAI), representante de artistas que, desde a década de 1970, vêm resistindo a industrialização do carnaval, cujo destaque é de apenas uma parcela miúda de músicos privilegiados. “Esse segmentos empresariais são prestadores de serviço e não agentes culturais. Não estão preocupados com isso, mas somente com o lucro. Por isso sou contra a participação deles no Conselho. E nós, músicos independentes, sempre fomos excluídos das decisões sobre a gestão do carnaval”, denuncia o cantor Gerônimo, diretor de Comunicação da UAI. “Estamos correndo o risco de desaparecer. Quando passamos as câmaras desligam, porque só aparece quem é de interesse desse grupo econômico. Carnaval tem de ser popular. Essa industrialização selvagem está deixando o carnaval de Salvador para trás”, completa a cantora Laurinha Arantes, primeira puxadora de bloco e presidente da UAI.

O presidente do Conselho Deliberativo da Associação Atlética da Bahia, Ademar Brito, também protesta. “Por que excluir os clubes do Concar num momento em que os bailes de carnaval voltam a crescer nesses espaços, notadamente para o público infantil e de idosos?”, indaga, alegando que esses segmentos também têm direito de participar dos festivos carnavalescos.

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