Faltando poucos dias para o início da Olimpíada de 2016, o plano de segurança do evento passa por uma reformulação. A crise econômica, o rompimento de um contrato e até o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) forçaram a adoção de medidas inesperadas para proteção dos Jogos Olímpicos do Rio, despertando assim um alerta entre autoridades responsáveis por guardar o megaevento esportivo.
Um dos problemas mais preocupantes foi a rescisão do contrato firmado pelo governo federal com a empresa Artel Recursos Humanos. A companhia havia sido contrata em junho, por R$ 21 milhões, para inspecionar bolsas e bagagens na entrada de arenas olímpicas usando aparelhos de raio-X. Deveria ceder 3.400 funcionários para o esquema de segurança da Olimpíada. Contratou 500. Acabou tachada de irresponsável pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moares.
Na entrevista, Moraes anunciou que 3.000 policiais militares, incluindo aposentados, serão enviados para prestar os serviços que seriam de responsabilidade da Artel. Ele não explicou, porém, que treinamento esses agentes receberão até que assumam as lacunas deixadas no esquema de segurança dos Jogos.
O ministro também esquivou-se quando questionado sobre a quantidade de policiais que trabalharão na Olimpíada integrados à Força Nacional de Segurança. Formada por policiais cedidos de vários Estados, a Força tem papel central na proteção do evento. É ela quem vai fazer a segurança interna das arenas olímpicas. Seu efetivo na Rio-2016, contudo, passou por cortes motivados pela crise financeira de algumas unidades da federação e até por conta do impeachment.
Inicialmente, a Força Nacional teria 9.600 agentes trabalhando na Rio-2016. Menos de um mês antes da Olimpíada começar, entretanto, foi divulgado que só 6.000 agentes trabalhariam nos Jogos. Estados em dificuldade financeira reduziram o envio de seus policias ao Rio. Governadores que haviam prometido à então presidente Dilma Rousseff ajudar na segurança olímpica também reviram seus planos dias antes de o presidente interino Michel Temer (PMDB) assumir o poder.
Foi justamente por conta do corte do efetivo da Força Nacional que o governo contratou a Artel, cerca de dois meses antes do início da Rio-2016. A uma semana dos Jogos, a estratégia mostrou-se equivocada.