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Publicado em 29/07/2024, às 09h05 Redação BNews
O famoso caramelo, cachorro mais comum do Brasil, não deveria ser a cor de cachorro mais comum entre os cães de raça ou SRD (Sem Raça Definida). Segundo o portal O Globo, a cor mais comum é o preto e os tons de variações dele: castanho escuro, cinza e assemelhados.
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No último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2015, foram apontados 52,2 milhões de cachorros no Brasil. Entre eles, a cor preta é gerada por genes dominantes e, por isso, deveriam ser a mais comum entre os cachorros. Ainda de acordo com o portal O Globo, os tons de caramelo como amarelo, dourado, fulvo, marrom-claro são menos frequentes que as cores escuras, embora não sejam raros. A situação é a mesma com relação aos cachorros brancos e malhados.
O motivo pelo qual o caramelo é maioria entre os cães no Brasil é desconhecido. Não há estudos que revelem se é resultado de uma mutação natural ou de resultado da seleção de vira-latas feita pelos humanos. O caramelo é descendente do lobo euroasiático (canis lupus lupus), mas não existem lobos-caramelos. Aliás, nenhum outro mamífero tem tamanha diversidade de cores de pêlos. A variedade é resultado da interação de genes e variações ao longo de milhares de anos. Após serem domesticados pelo ser humano, os cachorros sofreram mutações que afetaram a coloração dos animais, por causa da seleção de raças feita pelo ser humano.
O geneticista e professor titular da PUC do Rio Grande do Sul, Eduardo Eizirik, explica que existem oito genes, relacionados à pigmentação dos pelos de cachorros, identificados pela ciência. E a combinação das variações desses genes influencia a maioria das cores. O especialista acredita que existem outros genes que afetam a pigmentação (provavelmente com efeitos mais sutis) que ainda não foram descobertos.
Pesquisas estrangeiras apontam que o tom caramelo no Brasil é semelhante aos cães fawn (variação de castanho-claro, o qual chamamos de fulvo) e amarelo-recessivo. O fulvo é resultado de uma mutação dominante no gene ASIP. Já o amarelo-recessivo tem uma mutação no gene MC1R. As duas mutações em genes diferentes deixam a colocoração do cão amarelada, que teoricamente chamamos de caramelo.
Inventários existentes sobre cor de raças de cães são artificiais, com padrões e cruzamentos induzidos. E, por isso, o geneticista explica que não dá pra saber quais são as cores mais comuns nos pêlos dos SRDs. "Talvez o amor pelos caramelos faça com que se preste mais atenção neles e crie a sensação de que são mais frequentes do que seus irmãos mais escuros e malhados", analisa a veterinária Renata Bacila, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
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