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‘No lugar do bolo, o peru de Natal’: Conheça a história de quem faz aniversário em 25 de dezembro

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Presente únicos e amigos viajando são algumas das situações enfrentadas pelo 'natalinos'  |   Bnews - Divulgação Reprodução

Publicado em 22/12/2019, às 09h47   Yasmin Garrido



Quem nasce em 25 de dezembro não tem muita escolha. A comida é típica, assim como a decoração. Presente? Ah, vale o mesmo pelo Natal e pelo aniversário, não é mesmo? Por isso, a data pode causar alguns embaraços, principalmente na infância.

É o caso de Ana Cristina Reis, 56 (quase 57 anos), nascida no mesmo dia de Jesus, em Salvador. “Nunca me senti bem no Natal. Sempre foi uma data melancólica. Dizem que, às vésperas de um aniversário, a pessoa fica reflexiva. Eu fico duplamente”, contou ao BNews.

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Além do emocional, ela afirmou que, quando criança, nunca conseguiu ter uma festa de aniversário na escola, para reunir os amigos. “Sempre era um bolinho na ceia do dia 24 e um almoço no dia 25. Nunca com amigos. Sempre em família”.

Para completar o combo, Ana Cristina tem uma irmã nascida em novembro, que sempre ganhava presentes no aniversário e também no Natal. “Eu sempre recebi um presente único, aquele que era pelo Natal e pelo aniversário ao mesmo tempo. Quando se é adulto, isso é irrelevante, mas na infância eu queria ter dois, afinal, todo mundo tinha”, desabafou.

Num mix de Scrooge, personagem de Charles Dickens, e do rabugento Grinch, se não forem tomados alguns cuidados, o Natal pode se tornar uma data temida pelos aniversariantes. “Para evitar esses sentimentos, o ideal é que os pais estabeleçam momentos diferentes para se comemorar o Natal e o aniversário dos filhos, deixando claro que não existe concorrência”, explicou o psicólogo Carlos Esteves.

Quem também cresceu nesta situação, tendo que dividir a nova idade com os festejos natalinos, foi o estudante de Ciência da Computação, Raul Cerqueira, 27 anos. Hoje, ele conta que ri quando ouve as histórias da infância. “Eu sempre acabava chorando com a questão de ganhar apenas um presente”, disse.

Mas, para além desse pensamento materialista, uma coisa garantem Ana Cristina e o estudante: não existe coisa melhor do que conseguir reunir toda a família. “Uma coisa boa é isso, de poder ter todo mundo cantando parabéns pra você”, destacou Raul.

“Dia 24 era algo mais intimista. No entanto, na data mesmo, no almoço do dia 25, minha casa ficava cheia. Toda a família estava lá, muito mais pelo aniversário do que pelo Natal, em si. Virou um evento, algo que não poderíamos deixar de fazer. E a gente acaba se acostumando e até gostando”, garantiu Ana.

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