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Bahia mantém números alarmantes de mortes por choques elétricos; quase todos poderiam ser evitados

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A Bahia, que constantemente está no topo do ranking de mortes provocadas por choques elétricos ficou em terceiro lugar em 2021

Publicado em 10/05/2022, às 06h00    Reprodução    Letícia Rastelly

“Tomei um susto! O choque foi tão grande que caí da escada. Lá tinha uns três metros de altura... de ‘lá pra cá’ sempre deixo para o eletricista resolver primeiro”. É assim que o pedreiro Luís Pedro da Silva, 37, tem agido desde o ano passado, quando passou pela sua pior situação envolvendo eletricidade, enquanto trabalhava.

Os cuidados de Luís vieram após o incidente, mas 45 pessoas não tiveram a oportunidade de mudar o comportamento na Bahia e morreram ao longo de 2021, vítimas de choque elétrico, segundo dados da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel). Esse número é superior ao de mortos em incêndio relacionados à energia elétrica registrados no mesmo período, já que em todo o território nacional, foram 47 óbitos.

“Sei que não sou eletricista, mas a gente sempre acaba fazendo uma coisinha ou outra durante uma obra, até para agilizar o nosso lado, né? Não imaginei que ao afastar a fiação para poder pintar o teto ia tomar aquele choque”, se defendeu o pedreiro. E é com esse tipo de argumento que 421 ocorrências envolvendo eletricidade ocorreram na Bahia no ano passado.

Dados

A Bahia, que constantemente está no topo do ranking de mortes provocadas por choque elétrico ficou em terceiro lugar em 2021, perdendo para São Paulo e Pernambuco, que ocupam a primeira e segunda posição, respectivamente, com 59 e 49 mortes. Ao todo, foram 674 óbitos decorrentes desse tipo de situação em todo o território nacional.

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A faixa etária e o gênero que Luís pertence são os mais afetados pelos acidentes com eletricidade: homens, entre 21 e 50 anos. A explicação, segundo a Abracopel, é que esta é a faixa que mais realiza atividades na área elétrica. “É muito comum as pessoas acharem que os acidentes nunca vão acontecer consigo e correm o risco, mas esquecem que na grande maioria dos casos, a eletricidade não lhe dá uma segunda chance e, com isso, acabam se acidentando”, alerta Edson Martinho, engenheiro eletricista e diretor da Associação.

Alerta

Idosos e mulheres também são vítimas de acidentes com choque elétricos, por isso é importante ficar atento aos fios desencapados, condutores mal isolados ou em contato com carcaças, além de cuidar das crianças para que elas também não sejam vítimas.

“Quase 100% destes acidentes poderiam ter sido evitados, se as pessoas fossem mais informadas a respeito dos riscos que a eletricidade oferece quando não é respeitada”, alerta Martinho.

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