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BNews 15 anos: tia conta o que mudou na vida da família que perdeu onze pessoas em naufrágio no Lago de Sobradinho

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Família ainda tenta se reconstruir após tragédia que vitimou crianças  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Aina Soledad

por Aina Soledad

Publicado em 15/09/2025, às 06h00



Em 2025, ano em que o BNews celebra 15 anos de existência, uma série de reportagens com casos que foram relevantes no ano de fundação do veículo ganharão um destaque especial. O dia 12 de setembro de 2010 que ficou marcado para sempre na vida da família da dona de casa Neurília Francisca de Souza, de 37 anos, moradora do município de Pilão Arcado, há 780 km de Salvador. Há 15 anos, a dona de casa lamenta e questiona a perda de 11 sobrinhos que morreram no naufrágio no Lago do Sobradinho, no povoado de Alto do Galvão.

Era um domingo de sol e um grupo familiar se reuniu para visitar um membro que morava na localidade. Eles haviam combinado o passeio outras duas vezes, mas sem sucesso. Neste dia, a visita tão planejada aconteceu. O carro quebrou, o motorista errou o caminho, mas depois de muitas dificuldades, eles conseguiram chegar.

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O encontro foi marcado por muita descontração, alegria e aconchego na casa da irmã de Neurília, tinha apenas 16 anos na época em que a fatalidade ocorreu. “Nós comemos, bebemos, nos divertimos muito e andamos de barco”, relembrou.

A visita, infelizmente, foi marcada por uma tragédia. Ao final da reunião memorável, ninguém poderia imaginar o que aconteceria, no trajeto de retorno para casa.

“Quando começamos a nos preparar para ir para voltar, dividimos as pessoas e decidimos onde cada um iria. As crianças e alguns adultos foram no barco e outros, inclusive eu, fomos no carro”. O barco estava superlotado, com 18 ocupantes. Da janela do veículo, eles acompanharam a navegação de parte da família durante a travessia no Lago e até que viram o barco naufragar.

“Nós ficamos desesperados. Até hoje tentamos entender o porquê. Foi uma coisa tão rápida, a gente estava tão feliz. A gente chegou a ver o barco afundando, ouvimos os gritos, tentamos entrar na água, mas o nervosismo foi tanto que não conseguimos salvar todo mundo”, lamentou. Ela resgatou uma irmã, que estava acompanhada de outros dois filhos no barco, uma menina de três anos e um menino de dois.

Uma outra irmã, que também conseguiu se salvar, perdeu cinco filhos e uma neta durante o acidente. A tragédia que vitimou onze familiares de Neurília deixou marcas que o tempo não é capaz de curar.

“Independente do tempo que passe, ainda é muita tristeza. Hoje não chegamos nem perto de rio. A gente não consegue nem se imaginar num barco. A nossa vida mudou, mas a gente tenta seguir em frente”, refletiu.

Depois do acidente, a irmã de Neurília também ficou traumatizada e mudou-se, juntamente com o esposo, para a cidade, com a finalidade de não mais ter que atravessar o rio. O cunhado dela era pescador e também deixou de exercer a atividade.

Relembre a tragédia

O local do naufrágio no Lago do Sobradinho tinha cerca de tem 8 metros de profundidade e vitimou Jucicarla Ferreira Lacerda, de 11 anos; Íris Vitória Ferreira Lacerda, de 1 ano e 8 meses; Enzo Carlos Teixeira Lacerda Sobrinho, de 2 anos; Pablo Ferreira Lacerda, de 8 anos; Lindaines Ferreira Lacerda, 16 anos; Marcos Vinicius Souza Mangueira, de 6 anos; Rian Lacerda, também de 6 anos; Cauã Lacerda, de 5 anos; Tarcísio Lacerda, 6 anos; Jackson Lacerda, de 11 anos; e de Matias Lacerda, de 5 anos. Quem conduzia a embarcação foi o pescador Ailton Andrade, de 35 anos.

Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal de Juazeiro e foram velados na Câmara Municipal de Pilão Arcado. Segundo a polícia, a embarcação envolvida no caso não tinha estrutura para comportar 18 pessoas.

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