Cidades

“Para não sujar o carro”: Criança autista é enviada para casa dentro de saco plástico por escola na Bahia

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O caso aconteceu em Alagoinhas e levou a mãe, Camila Almeida, a acionar a Polícia Civil e o Ministério Público após episódios repetidos de descaso  |   Bnews - Divulgação Reprodução / Instagram

Publicado em 01/10/2026, às 12h40 - Atualizado às 12h55   Gabriel Dinis



Um menino, de 6 anos, com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi enviado para casa vestido com um saco plástico e com a fralda suja de fezes após deixar uma escola de Alagoinhas, no interior da Bahia.

O fato aconteceu na última quinta-feira (24), quando a direção da Escola do Campo de Alagoinhas ligou para a avó da criança avisando que ele estava sendo levado para casa no transporte da própria Secretaria Municipal da Educação (SEDUC).

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Ao receber o garoto na porta de casa, a avó se deparou com o neto envolto em um saco plástico. Assim que soube da situação, a mãe ligou para a escola em busca de explicações e ouviu da diretora que a medida havia sido adotada para “não sujar o veículo”.

"A diretora disse que assumia a responsabilidade e que tinha sido ela quem o vestiu com o saco para não sujar o carro da secretaria que o estava trazendo. Acredito que nenhum argumento justifica vestir meu filho com um saco, tratando-o como lixo, um objeto, um embrulho ou algo nojento", desabafou a mãe do menino, Camila Almeida, em entrevista ao BNEWS.

Diante da situação, Camila buscou a Ouvidoria da Secretaria, onde relatou ter sido orientada a não tomar outras providências externas, o que a motivou a expor toda a situação publicamente e denunciar para a Polícia Civil, o Ministério Público e o Conselho Tutelar.

Após o Boletim de Ocorrência, a SEDUC organizou uma reunião com a presença da diretora envolvida, mas a mãe afirma que se sentiu coagida e culpabilizada pela exposição do caso.

“Ao chegar lá, me decepcionei muito. Em momento algum me senti acolhida pela SEDUC. Muito pelo contrário, tentaram, de certa forma, me coagir e me culpar por ter exposto tudo nas redes sociais”, relatou.

Segundo Camila, em uma tentativa de se eximir da responsabilidade, a Secretaria de Educação sugeriu transferir Ezequiel para outra escola e manter a diretora no cargo, proposta que foi prontamente negada.

Além de recusar o acordo, Camila aponta que o órgão tentou culpabilizar a profissional de apoio que não estava com o menino no momento. A partir da explicação, tomou-se conhecimento de que o menino conta com acompanhamento especializado apenas no período da manhã, ficando sem supervisão de auxiliares durante a tarde.

“Foi aí que tomei conhecimento de que meu filho só tem profissional de apoio de manhã. À tarde ele fica sem acompanhamento, ele e tantas outras crianças, sob a responsabilidade de apenas duas auxiliares. E, no momento em que o fato aconteceu, a Profissional de Apoio dele não estava mais lá. Além disso, mesmo que estivesse, não foi ela quem vestiu meu filho com uma sacola e o mandou para casa como se fosse lixo: foi a própria diretora", afirmou.

O que diz a prefeitura

Em nota enviada ao BNEWS, a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Educação de Alagoinhas, informou que, ao tomar conhecimento da situação envolvendo o estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA), acolheu prontamente a família e adotou as providências necessárias para ouvir os envolvidos e esclarecer os fatos.

A SEDUC afirmou que permanece acompanhando o caso, em diálogo com a família, a gestão escolar e os profissionais envolvidos, além de oferecer o suporte necessário. Segundo a pasta, ao final da apuração, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis.

A Secretaria também reafirmou seu compromisso com a inclusão, a proteção, a dignidade e os direitos dos estudantes, com o objetivo de garantir ambientes escolares seguros, acolhedores e respeitosos.

Leia a nota na íntegra:

“A Secretaria Municipal da Educação de Alagoinhas informa que, ao tomar conhecimento da situação envolvendo um estudante com Transtorno do Espectro Autista (TEA), acolheu prontamente a família e adotou as providências necessárias para ouvir os envolvidos e esclarecer os fatos.

A SEDUC permanece acompanhando o caso de forma cuidadosa e responsável, em diálogo com a família, a gestão escolar e os profissionais envolvidos, oferecendo o suporte necessário. Ao final da apuração, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis. A Secretaria reafirma seu compromisso com a inclusão, a proteção, a dignidade e os direitos de cada estudante, trabalhando para garantir ambientes escolares seguros, acolhedores e respeitosos.

Em respeito à criança e à legislação vigente, sua identidade e quaisquer informações que possam permitir sua identificação serão preservadas."

Classificação Indicativa: Livre

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