Cidades
Estudos recentes reacenderam o alerta sobre a segurança no entorno do Santuário de Bom Jesus da Lapa, no oeste baiano. Conhecida como “capital baiana da fé”, a cidade enfrenta registros de pequenos desmoronamentos e sinais de movimentação em blocos rochosos próximos à gruta onde fica o templo.
Um laudo apresentado pela geóloga Joana Paula Sanchez, da Universidade Federal de Goiás (UFG), em audiência pública realizada no dia 25, classificou como “iminente e extremo” o risco de queda de grandes rochas sobre imóveis localizados na região, especialmente na Rua Monsenhor Turíbio, de acordo com o Uol. Segundo a especialista, moradores estão expostos a perigo permanente e devem ser retirados com urgência.
Histórico de alertas e agravamento
O problema não é recente. Em 2023, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) já havia identificado três áreas de risco no município, sendo duas com grau “muito alto” para deslizamentos e alagamentos, afetando mais de 200 imóveis. O órgão também registrou ocorrências de blocos de grande porte atingindo residências.
De acordo com o novo estudo, a instabilidade do maciço calcário é agravada por ciclos de seca e chuvas intensas. A formação de fissuras na rocha aumenta o risco de desprendimentos súbitos, dificultando qualquer intervenção sem a retirada prévia das famílias.
Medidas e impacto
Diante do cenário, o Ministério Público da Bahia recomendou que a prefeitura desocupe as áreas mais críticas em até 30 dias, com oferta de aluguel social e apoio às famílias atingidas. Também foram sugeridas restrições no acesso de fiéis a pontos considerados sensíveis dentro do santuário.
O prefeito Eures Ribeiro estima em cerca de R$ 15 milhões o custo das indenizações e afirma que busca apoio de outras esferas de governo para viabilizar as ações. Segundo ele, projetos turísticos e novas intervenções na base do morro devem ser suspensos, e a área poderá se tornar de acesso restrito.
A prefeitura informou que está adotando medidas com base nos estudos técnicos e nas determinações do MP, que através de nota garantiu a segurança do local para visitação com base em intervenções realizadas por equipe técnica especializada.
Nota na íntegra:
O Ministério Público do Estado da Bahia informa que o Santuário do Bom Jesus da Lapa permanece seguro para visitação, após a realização de intervenções geológicas preventivas conduzidas por equipe técnica especializada da Universidade Federal de Goiás (UFG), sob a responsabilidade da geóloga Joana Paula Sánchez.
Desde 2025, foram efetuadas remoções controladas de blocos instáveis, manejo de áreas críticas e interdições pontuais dentro do Santuário, garantindo segurança aos romeiros, visitantes e trabalhadores, preservando o patrimônio histórico, cultural e religioso.
O risco extremo e grave identificado pelos estudos técnicos está na área externa, especificamente em residências situadas na Avenida Monsenhor Turíbio Vila Nova, construídas ao longo dos anos na base norte do maciço rochoso.
O relatório geotécnico apontou que alguns desses imóveis encontram-se sob blocos soltos com risco extremo e imprevisível de queda, motivo pelo qual o Município, em cumprimento à recomendação do Ministério Público da Bahia, cientificou a população do risco, editou decreto de interdição e iniciou diagnóstico para adoção medidas de assistência às famílias.
As demais áreas permanecem seguras para visitação.
As instituições — Ministério Público, Município, Santuário, Corpo de Bombeiros e órgãos técnicos — permanecem atuando de forma coordenada e transparente para garantir segurança à população, assegurar apoio integral às famílias afetadas e manter o Santuário plenamente acessível e protegido.
O Ministério Público reafirma seu compromisso com a responsabilidade preventiva, a técnica e a defesa da vida humana.
Importância religiosa
Fundado em 1691, o Santuário de Bom Jesus da Lapa está instalado em uma gruta a cerca de 90 metros de altura e é um dos principais destinos de peregrinação do país, reunindo mais de 2 milhões de romeiros por ano. A romaria local foi reconhecida recentemente como manifestação da cultura nacional.
Mesmo com a relevância histórica e religiosa, especialistas reforçam que a prioridade, neste momento, é evitar tragédias diante do risco geológico identificado.
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