Cidades
por Analu Teixeira
Publicado em 11/06/2026, às 22h42
Uma médica que atuava na rede municipal de saúde de Serra Preta teve o contrato suspenso após a divulgação de um vídeo em que chama uma agente comunitária de saúde de “evangélica do demônio”. O caso ganhou repercussão nas redes sociais na última terça-feira (9) e também resultou na exoneração de um coordenador da Secretaria Municipal de Saúde.
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As imagens foram gravadas dentro de um veículo e publicadas em uma rede social por um dos envolvidos na segunda-feira (8). O conteúdo acabou vazando e passou a circular em grupos de mensagens, gerando forte repercussão no município.
No vídeo, a médica comenta uma suposta orientação dada pela agente comunitária a um paciente hipertenso e utiliza uma expressão considerada ofensiva para se referir à servidora. “Tem uma evangélica do demônio que, em um dia de visita, mandou um paciente mastigar alho ao invés de tomar o remédio de pressão”, afirma.
Durante a gravação, a profissional e um cirurgião-dentista também fazem comentários sobre a religião da agente de saúde, integrante da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em outro momento, o dentista utiliza termos pejorativos ao mencionar a servidora.
Prefeitura reage e afasta profissionais
Após a repercussão do caso, a Prefeitura de Serra Preta divulgou nota oficial repudiando o comportamento dos dois profissionais. Segundo a administração municipal, o conteúdo divulgado demonstra desrespeito e afronta aos princípios que devem nortear a atuação dos servidores públicos.
A gestão informou que os envolvidos foram imediatamente afastados de suas funções e que medidas administrativas foram adotadas diante da gravidade do episódio.
O prefeito do município também publicou decreto exonerando o cirurgião-dentista Lucas Filipe Silva Carneiro do cargo de coordenador da Divisão de Saúde Bucal da Secretaria Municipal de Saúde. Já a médica teve o contrato suspenso.
Servidora atua há 27 anos no município
Ainda de acordo com a prefeitura, a agente comunitária de saúde citada no vídeo trabalha há 27 anos no município e, até o momento da divulgação da nota, não havia registrado boletim de ocorrência relacionado ao caso.
A administração também informou que não possuía conhecimento prévio sobre a suposta recomendação envolvendo o uso de alho para pacientes hipertensos, mencionada pelos profissionais na gravação.
“Até o momento não é possível afirmar que essa prática ocorria sempre, uma vez que não havia qualquer registro ou comunicação prévia que chegasse ao conhecimento da administração”, destacou a prefeitura.
Segundo a gestão municipal, equipes das áreas de Saúde, Assistência Social e Psicologia foram mobilizadas para oferecer acolhimento e acompanhamento à agente comunitária.
Município reforça compromisso com diversidade religiosa
Na nota divulgada após o episódio, a prefeitura reafirmou o compromisso com o respeito à diversidade religiosa, à ética profissional e ao atendimento humanizado da população.
A administração também manifestou solidariedade aos agentes comunitários de saúde e classificou a conduta dos profissionais envolvidos como incompatível com os princípios que regem o serviço público.
Até o momento, o município não informou se novas sanções poderão ser aplicadas aos envolvidos no caso.
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