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Video: Moradores de Mata de São João denunciam demolição de barraca de praia

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Prefeitura de Mata de São João diz que a demolição foi uma ordem da União  |   Bnews - Divulgação divulgação/ leitor Bnews
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 12/06/2025, às 07h00 - Atualizado às 07h00



Existente desde 2001, o espaço cultural Okabana, localizada em Mata de São João na região Metropolitana de Salvador, serviu de palco para Edson Gomes, Cinema Calmon, Adão Negro e Ponto de Equilibrio se apresentarem. Hoje, o local que se autointitula fomentador da cultura reggae e da religião rastafari na Bahia foi demolido pela prefeitura local. Moradores e frequentadores da região denunciam ação indevida e abuso de poder do município. 

“Pedimos para eles não fazerem isso. Meu funcionário foi agredido pelo policial com tapa nos peitos, porque estava filmando e pedindo para não fazer isso porque ali é o nosso trabalho”, lamenta Gean da Silva, 42, produtor cultural e dono do espaço cultural. 

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Tenho trabalhado para colocar este lugar no topo desde 2001. Apesar de nossos esforços, a prefeitura e os órgãos competentes não têm dado a devida atenção a este projeto. Quando realizamos eventos aqui, o secretário de cultura e outros membros da prefeitura estão presentes, mas, infelizmente, eles ignoram a necessidade de apoiar o projeto”, desabafa. 

A estrutura foi demolida durante o fim do mês, sem aviso e “mais de 100 policiais chegaram armados no local” e apesar dos pedidos para não derrubar “eles não quiseram atender, fizeram vista grossa”, como destacou o dono do estabelecimento.

Gean destaca que existe uma liminar proibindo a derrubada do estabelecimento e mesmo mostrando aos policiais, houve recusa em verificar o ofício."Eles não quiseram me atender, leram até o documento, mas fizeram vistas grossas, dizendo que não tinha jeito, que essa liminar minha já não valia mais de nada”. “Que eu não fizesse nada não, que eu ficasse lá no canto para não se machucar”

O fundador da barraca abriu uma petição para reivindicar a derrubada do local e tentar reaver a construção do empreendimento. A petição atualmente conta com mais de 500 assinaturas.

Valor cultural 

Com 24 anos de história, o local se tornou uma referência cultural e musical para muitos visitantes e moradores da região, incluindo Antônio Cerqueira.“Okabana é ponto cultural para a música como todo”, destacou o frequentador do local. 

"Percebo uma crescente e a importância que o local tem como ponto cultural. Como casa de shows, a Okabana é uma grande referência, conhecida por todos. Ela possui uma força única que nenhuma outra casa de shows ou ponto cultural conseguiu alcançar. Portanto, a Okabana é realmente importante para o Prado de Santo Antônio, para a cidade de Mata de São João e para os artistas e músicos, especialmente para as bandas independentes que não têm onde se apresentar. A Okabana oferece todo esse suporte”, reforça Antônio. 

Outro frequentador e defensor da existência da barraca é um artista local, que preferiu não se identificar, ele reforça que as ações promovidas na Okabana. “ Ela vem realizando constantemente eventos culturais”, que leva “arte, cultura, entretenimento, diversão, lazer para diversas pessoas, para os moradores, para os turistas, geradora de empregos, gerando oportunidades, gerando de negócios, um espaço onde a música e a cultura reggae e rastafari sempre teve presente, então é um ponto de resistência para nós do movimento reggae na Bahia”, enfatiza. 

Além do artista, outro apoiador da Okabana é Rubinho Marques, que pontuou como a existência do ponto cultural estimulava e gerava empregos na região. “O local oferecia shows de reggae e outras atrações, tornando-se um ponto turístico diferenciado e gerando empregos para a comunidade. Além disso, proporcionava entretenimento para os moradores locais. Pessoas como eu, que apreciam o contato com a natureza, adoravam este lugar único, onde se sentiam mais próximos ao ambiente natural. A barraca rústica conferia à praia um toque paradisíaco, que se harmonizava com a identidade da Praia do Santo Antônio”, destacou. 

Rubinho ainda informa que o local não maculava a vegetação local. “A barraca Okabana  não se misturava com a natureza do local, na verdade ela fazia parte da própria natureza”, concluiu. 

Procurada pela reportagem do BNews, a prefeitura de Mata de São João informou que a “ação ocorrida em 19 de maio de 2025, realizada com o apoio da Polícia Militar, refere-se ao cumprimento das determinações estabelecidas na Ação Civil Pública (ACP) nº 1033381-10.2020.4.01.3300, promovida pelo Ministério Público Federal (MPF). Essa ação visa à reparação dos danos ambientais causados à Reserva Particular do Patrimônio Natural Dunas de Santo Antônio”. 

Além disso, o órgão informou que a praia de Santo Antônio era ocupada por dez barracas de forma irregular na faixa de domínio da União, o que levou ao compromisso do Município de Mata de São João. Em atendimento à exigência da União, o órgão reiterou que está cumprindo uma ordem federal e construiu outras dez barracas para atender à população que perdeu sua fonte de trabalho.

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Leia a nota da integra 

A ação ocorrida em 19 de maio de 2025, realizada com o apoio da Polícia Militar, refere-se ao cumprimento das determinações estabelecidas na Ação Civil Pública (ACP) nº 1033381-10.2020.4.01.3300, promovida pelo Ministério Público Federal (MPF). Essa ação visa à reparação dos danos ambientais causados à Reserva Particular do Patrimônio Natural Dunas de Santo Antônio.

A praia de Santo Antônio, anteriormente ocupada por 10 (dez) barracas distribuídas de forma irregular na faixa de domínio da União, foi objeto de compromisso por parte do Município de Mata de São João. Em conformidade com as exigências do MPF, o município construiu 10 (dez) novas barracas de praia, com toda a infraestrutura necessária para acomodar os permissionários, fora da faixa de domínio da União.

Em novembro de 2024, foi realizada a entrega das chaves dessas novas estruturas aos permissionários que atuavam na praia de Santo Antônio.

Foi estabelecido um prazo de 30 dias para a desocupação das antigas barracas, que deveriam ser retiradas da faixa de domínio da União.

O permissionário Gean, responsável pela barraca O Kabana, recebeu a nova estrutura e iniciou suas atividades normalmente. No entanto, recusou-se a desocupar a antiga estrutura, continuando a operar de forma irregular na faixa de domínio da União. Diversas notificações foram emitidas, com prazos sucessivos para a desocupação, mas nenhuma delas foi atendida.

Diante do descumprimento das determinações judiciais e administrativas, e visando à preservação do meio ambiente e ao cumprimento da decisão judicial, a administração municipal, com o apoio da Polícia Civil e Militar, realizou a ação de demolição das estruturas irregulares, conforme registrado nos autos do processo.

Reiteramos nosso compromisso com a legalidade, a preservação ambiental e o ordenamento do uso do espaço público.

Classificação Indicativa: Livre

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