Copa do Mundo

Análise: Entre escolhas e erros, foco de Ancelotti nunca esteve em 2026 (e isso pode ser um bom sinal)

Rafael Ribeiro/CBF
Técnico italiano comanda fim de ciclo de jogadores que fracassaram com a camisa da seleção brasileira  |   Bnews - Divulgação Rafael Ribeiro/CBF
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 05/07/2026, às 20h18



Seis vezes consecutivas eliminado da Copa do Mundo, o Brasil vive o maior jejum de sua história sem o título que fez a seleção Canarinho ser mundialmente conhecida, elevando o status brasileiro para "País do Futebol". Essa marca dolorosa ainda não tem respostas por parte da comissão técnica brasileira. No entanto, pelos próximos quatro anos, uma realidade já é certa: o italiano Carlo Ancelotti será o responsável por comandar o próximo ciclo que vai tentar a sexta estrela. E esse foi plano desde o início, conforme o planejamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

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Antes mesmo da bola rolar no México, no início do mundial, a entidade máxima que representa o futebol brasileiro renovou o contrato de Ancelotti e estendeu o vínculo até 2030. Ou seja: mesmo com uma queda desastrosa na fase de grupos, o que não aconteceu, o treinador estava confirmado como comandante da seleção pelos próximos quatro anos. Era a certeza no recado de que o foco mesmo é na Copa que será disputada na Espanha, Portugal e Marrocos e que terá, inevitavelmente, uma cara de Ancelotti.

Ancelotti
Treinador Carlo Ancelotti lamenta queda do Brasil na Copa, mas já inicia trabalho para 2030 (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A mensagem, entretanto, era muito clara. Para este ano, Ancelotti tratou de encerrar um ciclo que se viu desastroso e mirou num próximo. Entre brigas políticas e mudanças de comando, a CBF delegou a função de treinar o Brasil a três treinadores do fracasso na última Copa até a chegada do italiano: Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior. Nenhum dos três conseguiram imprimir uma imagem de uma seleção brasileira vencedora e mais se transformaram em projetos fracassados de um futebol que perdeu sua identidade.

Saindo do Real Madrid com honras, o 'Mister' teve um curto espaço para imprimir sua cara na seleção, mas conseguiu o básico e classificou o Brasil para a Copa de 2026. Entre eliminatórias e amistosos, Ancelotti comandou o time brasileiro sempre sob a sombra de atletas bastante criticados nos últimos ciclos de convocações. Jogadores como Casemiro, Alisson, Marquinhos e Neymar pouco foram aproveitados nos jogos anteriores à convocação, mas acabaram chegando à lista final do treinador para a Copa. Os três, no entanto, colecionaram mais um fracasso com a amarelinha.

Neymar
Camisa 10 da seleção brasileira, Neymar sofre nova derrota e dá adeus às Copas do Mundo com o Brasil (Foto: Fifa Media Hub)

A situação de Neymar talvez seja a mais decadente. Poucos jogadores brasileiros causaram um frisson como ele, seja de forma positiva ou negativa. Longe da forma física ideal para um jogador profissional de alto nível, o camisa 10 brasileiro quase fica de fora da fase de grupos e encerrou a participação na Copa se notabilizando mais por arranjar confusão do que algo que pudesse reverter o vexame contra a Noruega.

Neymar se despede da seleção e põe um fim à era que teve em seu nome a principal esperança de que o Brasil voltaria a ser o Brasil novamente. Hoje, os adversários atestam: "Não é mais aquele".

Quando já era treinador do Brasil, Ancelotti lançou um livro chamado o "O Sonho", no qual ele narra os bastidores da quebra de recordes como treinador do Real Madrid. A obra destaca a influência brasileira de Falcão e Cerezo em sua formação, a importância de aprender com o fracasso e o método de "liderança tranquila" baseado na psicologia. Quem admira bastidores da bola e acredita em sinais, está aí um prato feito para o que está por vir.

"O futebol não é tão distante da vida real. A verdade é que, na maior parte do tempo, a gente não vence. E espero ser humilde o bastante para reconhecer que a derrota também pode ser uma grande professora", conta o italiano.

Pode se dizer que a "Era Ancelotti" começou em 2026, mas a realidade é que o foco dela é outro: o próximo ciclo. O legado para os próximos quatro anos, como o próprio definiu após o jogo, é de mais trabalho. A correção de rumo, a despedida de jogadores que não conseguem mais entregar um futebol de alto nível e a oportunização de novos talentos devem ser os nortes de Ancelotti. Os próximos quatro anos começam com muito mais convicção do que dúvidas.

"É o começo de um novo ciclo", disse o treinador na coletiva de imprensa após o jogo. Um país inteiro espera que seja, desta vez, vitorioso.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião do BNEWS. O conteúdo é de inteira responsabilidade do autor.

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