Copa do Mundo

Arena Futebol World: 32 anos depois do Tetra, veja as diferenças e semelhanças da Seleção Brasileira com a Copa de 94

Divulgação/ FIFA e Rafael Ribeiro / CBF
O período entre a Copa de 70 e 94 foi o maior jejum sem títulos da Seleção Brasileira, e agora a equipe Canarinho se encontra na mesma situação  |   Bnews - Divulgação Divulgação/ FIFA e Rafael Ribeiro / CBF
Gabriel Santana

por Gabriel Santana

Publicado em 21/05/2026, às 06h00



Antes do início da Copa do Mundo de 1994, a Seleção Brasileira tinha um “fantasma” de 24 anos rondando o elenco e uma torcida bem descrente quanto à futura campanha. Um cenário que lembra o atual momento do Brasil comandado pelo técnico italiano, Carlo Ancelotti.

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A Canarinho atravessava o maior hiato sem vencer o torneio mais importante do futebol mundial, uma classificação ‘sem tantos confetes’, um craque não tão próximo da equipe titular e chegou totalmente desacreditada.

Assim como em 2026, a disputa de 94 também seria disputada nos Estados Unidos e durante junho. E a Seleção chegou em um período de turbulência e pressão por não vencer uma Copa há 24 anos.

Desde 2002, o Brasil não sabe o que é vencer um título mundial. De acordo com o jornal O Globo, uma pesquisa feita pelo Datafolha, no último dia 15 de abril, a torcida brasileira não está nada empolgada, nem esperançosa para ser campeã e marcou a pior marca da série histórica dos últimos 30 anos.

Ao todo, 29% dos brasileiros acreditam que o Brasil vai ser campeão da Copa e 46% pensam que a Seleção não passará das quartas de final, a mesma fase que caiu em 4 das últimas 5 edições desde o último título mundial (2014 foi a exceção).

O Datafolha realiza, desde 1994, pesquisas sobre a confiança dos brasileiros no título mundial. Até a Copa no Brasil (2014), os índices superaram a taxa de 56%, com pico em 2006. Mas, depois da goleada histórica de 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, a ligação entre campo e arquibancada piorou. Desde então, nunca mais a taxa de 50% chegou a ser alcançada.

Craque em baixa e time desacreditado

Romário, o herói do Tetra, é ídolo da Seleção e um dos maiores artilheiros históricos da Amarelinha. O ‘baixinho’ foi fator fundamental para a decisão do título da Copa de 94, mas chegou em baixa para a Copa do Mundo. Contexto semelhante ao vivido por Neymar Jr.

No último amistoso pré-Copa, antes da viagem aos Estados Unidos, o Brasil jogou no Maracanã como uma forma de “despedida” da torcida nacional e Romário só apareceu na última convocação, quando foi “bancado” pelo então técnico Carlos Alberto Parreira, porque estava passando por problemas físicos e o comportamento extra-campo do ‘Baixinho’ sempre foi um caso de discussão e polêmicas.

Neymar vive questionamentos sobre todas as questões físicas, a sequência de jogos no Santos, a disponibilidade para os jogos, as dúvidas por conta do desempenho recente e mesmo assim, foi convocado. Mas, uma semelhança é certa: ambos são craques e podem decidir os jogos em um estalar de dedos.

Lucas Figueiredo / CBF
Maior astro da seleção nos últimos tempos, Neymar tem missão de trazer a sexta estrela para o Brasil (Foto: Lucas Figueiredo / CBF)

Evidentemente que o momento atual do Neymar é muito incerto, mas após a convocação do astro é notório que a possível ida do camisa 10 voltou a gerar empolgação entre os torcedores. Inclusive, na entrevista do italiano após o anúncio da lista final da Seleção, afirmou que o craque brasileiro só vai jogar “se merecer”.

Ambos os craques, artilheiros e atacantes estiveram de fora de suas equipes e convocações da Seleção durante um ano, por questões relacionadas ao comportamento e lesões.

Romário não jogou nenhuma partida comigo, sempre se apresentava machucado. Foram duas ou três vezes, dois, três amistosos, ficou praticamente um ano sem jogar”, disse Parreira.

O jogo derradeiro das eliminatórias, contra o Uruguai, no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), Romário cravou os dois gols da vitória e garantiu a ida da Seleção ao Mundial nos Estados Unidos para a conquista do tetra. O cenário aumenta a expectativa de que Neymar consiga repetir o mesmo protagonismo exercido por Romário na campanha do Tetra.

Vale ressaltar que até o atual ciclo, a classificação para a Copa de 94 havia sido uma das campanhas mais turbulentas da Seleção nas Eliminatórias até aquele momento.

Com trocas de técnico, mudanças de identidade em campo, a falta de um time titular e o pedido do retorno de um astro, as semelhanças com a campanha brasileira do Tetra começaram a ganhar força em comparação ao momento sob o comando de Carlo Ancelotti.

E por falar em semelhanças entre Tetra e Carlo Ancelotti

O atual responsável por comandar a equipe brasileira à beira do campo, “Carleto”, pode se tornar o primeiro técnico estrangeiro a comandar o Brasil em uma Copa do Mundo. Além de carregar uma ligação direta com a Canarinho justamente em uma final de Mundial nos Estados Unidos.

Em 94, Ancelotti era um dos auxiliares da comissão técnica da seleção da Itália, vice-campeã para o Brasil, em que saiu de campo derrotado nos pênaltis. A torcida é que Carleto chegue na final novamente, mas que dessa vez, tenha o mesmo final que o Brasil na Copa nos EUA.

O torneio nos Estados Unidos foi a estreia de um jovem atacante que veio a ser a futura estrela da Seleção Brasileira, o atacante Ronaldo. O roteiro lembra o surgimento do atacante do Lyon (FRA), Endrick.

Uma jovem promessa tratada como o “dono da futura geração" e um líder técnico, enquanto Neymar se consolidou como a principal liderança técnica do Brasil ao longo da última década. Mas diferente do que aconteceu com o camisa 10, Endrick foi levado para a sua primeira Copa mesmo tão jovem.

Estilo de jogo

Historicamente, o Brasil foi reconhecido e famoso pelo “futebol arte”. A alegria dos atletas em campo, um futebol ofensivo e criativo, a camisa amarela vestida por vários craques consolidaram que a Seleção ganhasse um status de potência e favoritismo ao ponto de ser temida pelos adversários.

O tempo passou e desde o último título, o Brasil perdeu essa magia e com Ancelotti, é possível que mantenha essa identidade distante. Ou pelo menos, guardada como uma “carta na manga”.

Desde que chegou, Carleto tenta colocar a sua identidade na equipe, buscando ser um time ofensivo sem abrir mão da solidez defensiva e de um estilo mais pragmático. Fator que muitas vezes, “afasta” o torcedor brasileiro por querer um time pra frente e brilhante esteticamente com dribles e jogadas de efeito.

Rafael Ribeiro/CBF
Técnico Carlo Ancelotti convocou 26 jogadores para a Copa do Mundo para tentar trazer o Hexacampeonato para o Brasil (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

As atuações recentes e a dificuldade em consolidar um padrão de jogo, visíveis nos últimos tropeços, também aumentaram a pressão sobre a equipe para o mundial, o que reacendeu o debate sobre a identidade histórica da Seleção.

Sob a pressão, o técnico italiano vem tentando construir a sua identidade com um futebol mais equilibrado. Mesmo que tenha o esquema de jogar com quatro atacantes, a equipe de Ancelotti nas 10 partidas que fez, venceu cinco, empatou duas e perdeu três, marcando 18 gols e sofrendo 8, tendo 56,6% de aproveitamento.

O responsável por levantar a taça

O capitão daquela equipe vencedora, o volante Dunga, foi o responsável por levantar a taça e um dos jogadores considerados pilares do time brasileiro.

Divulgação/ Fifa
Romário foi um dos destaques da seleção brasileira na conquista do Tetracampeonato na Copa de 94, disputada nos Estados Unidos (Foto: Divulgação/ Fifa)

Desta vez, o dono da braçadeira do atual elenco é o também volante, Casemiro, que se despediu do Manchester United (ING) na atual temporada. A liderança e qualidade no meio campo são características que aproximam os dois jogadores.

Entre semelhanças históricas, desconfiança da torcida e um elenco cercado por pressão, a Seleção de 2026 começa a escrever um roteiro que lembra, cada vez mais, o caminho do Tetra em 1994.

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