Coronavírus

Rodovias estaduais e federais da Bahia apresentam redução de acidentes após pandemia do coronavírus

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O levantamento feito pelo BNews aponta uma redução de acidentes nas vias em pouco mais de 110% neste período  |   Bnews - Divulgação Leitor/ BNews

Publicado em 10/04/2020, às 11h02   Aline Reis



Se por um lado, todos os transtornos cotidianos que a pandemia do novo coronavírus trouxe ao mundo, e, precisamente ao Brasil, por outro lado é inegável notar alguns pontos positivos, ainda que simplórios, mas que fazem toda a diferença na vida da população. Até soa estranho em meio a tanta mudança brusca constatar algum benefício, mas um dado chama a atenção; a redução de acidentes no trânsito.

Ele é considerado um dos pesadelos das maiores capitais do Brasil, pela aglomeração de carros, engarrafamentos e estresse dos condutores. E o principal reflexo da qualidade de vida que o isolamento social mostrou são as ruas estão vazias, é fato. Isso porque muitas empresas e órgãos deixaram de funcionar presencialmente, o que conota o uso essencialmente de veículos pessoais para ir ao trabalho. A redução dos veículos nas vias, resulta também no impacto de vidas poupadas e em custos hospitalares menores por conta de por acidentes. 

Na Bahia, o primeiro caso de coronavírus foi registrado no dia 06 de março no município de Feira de Santana, e então, 11 dia depois, no dia 17 de março, o governador Rui Costa (PT) publicou no Diário Oficial, regras para que os baianos ficassem em casa. Dentre elas estavam a suspensão de aulas na rede estadual, proibição de eventos com mais de 50 pessoas, controle de divisas, além de suspender viagens intermunicipais e interestaduais. A série de medidas impactou, é claro, no fluxo do trânsito das rodovias estaduais e federais baianas.  

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O BNews fez um levantamento com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e os números são expressivos. Entre os dias 17 de março (data que começou a valer as regras para contenção do vírus) até dia 5 de abril, 120 acidentes aconteceram nas vias federais, sendo desse total, 36 acidentes graves; 141 pessoas ficaram feridas e 22 vítimas fatais. Se comparado ao mesmo período do ano passado, fluxo normal de circulação nas estradas, o número de acidente foi 71% maior com 206 ocorrências; o dobro de acidentes graves com 72 casos. 

Nas rotas federais, ano passado, 262 pessoas ficaram feridas. Nesse panorama, apenas o número de mortes foi na contramão: em 2019 foram registrados 21 óbitos registrados contra 20 este ano.

Ainda que menor, com a diminuição em 46%, os acidentes em rodovias estaduais da Bahia no período de 17 de março a 6 de abril, comprova a alteração de comportamento. A Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra), informou que o número em 2019 foi de 261 episódios quanto que esse ano 142. 

As vítimas fatais tiveram uma redução de 41%: 17 mortes contra 10. 

Reduções históricas

Mais cedo ou mais tarde, tudo voltará ao normal, mas para quem vivencia as negligências de trânsito que ceifam vidas ou causam transtornos nas pistas todos os dias, é uma situação inusitada e histórica. O médico Antônio Meira Júnior, presidente da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), explica que só se teve um ‘boom’ na redução de lesões no trânsito com o Código Brasileiro de Trânsito de 1998; 2008 com a Lei Seca e das cadeirinhas; além do endurecimento das normas em 2012. 

“Os acidentes são violões das emergências hospitalares e a medicina de tráfego tem como maior objetivo diminuir as consequências desses transtornos. Tudo o que está acontecendo agora é um fenômeno que teve um efeito secundário importante quanto ao fluxo de veículos nas cidades e estradas com a redução de riscos de acidentes, além desse momento crítico, poder ter mais leitos desocupados já que não há vítimas das estradas”, pontuou. 

Antônio também afirmou que ano passado na Bahia 52% dos leitos hospitalares foram disponibilizados para tratar agravos do trânsito. “Houve o pacto da década decretado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil fez o acordo de reduzir os óbitos e intensificar a ação da segurança viária, no entanto, sem sucesso na maior parte das cidades. Mesmo com o aumento da fiscalização e conscientização, a imprudência foi maior e o isolamento social escancara a necessidade dos condutores em rever a postura nas pistas”, esclareceu. 

Sobre o uso essencial de carros pequenos para deslocamento para o trabalho, Antônio disse que nada será mais o mesmo após a pandemia e que será momento de os órgãos reverem as orientações para a população. “Existe um fator que chamamos de mobilidade saudável que é o transporte público seguro e de qualidade, as cidades europeias possuem um extenso sistema de BRT, metrô e VLT que justamente evita altas taxas de acidentes. O isolamento é temporário, a gente sabe e depois vamos repensar, principalmente sobre a evolução que se teve com a tecnologia e informação, os aplicativos de reunião que encurtam distância e afirma que não precisamos sair correndo e fazer ultrapassagem perigosa no trânsito para chegar aos locais”. 

O presidente da ABRAMET ainda ressaltou que cidade vazia não é sinônimo para quem estiver saindo para trabalhar em serviços essenciais não respeitarem as leis de trânsito. “Há profissionais de saúde, motoboys, jornalistas, entre outras categorias indo às ruas, que estão sem fluxos intensos de carro, isso não sinônimo para relaxar ou ser irresponsável com as leis de trânsito. Não precisa fazer ultrapassagem não permitida ou ‘roubadinha’, com isso vai contribuir ainda mais para a redução de impactos nas vias”. 

Em Salvador, os motoristas não precisam mais reclamar dos problemas diários como filas duplas em ruas onde há escolas, sinaleiras quebradas, ultrapassagens ou excesso de motociclistas nas vias. Pelo menos há 28 dias. Próximo dia 14 faz um mês que o prefeito ACM Neto endureceu as regras na capital baiana sobre o isolamento social - um dia depois do primeiro caso do coronavírus no município. 

A rotina das ruas refletiu na redução de acidentes entre o período de 14 de março a 6 abril. Em 2019 foram registrados 217 acidentes contra 70* deste ano – 67% a menos. Quando se fala em vítimas fatais, segue a mesma linha de queda: 11 mortes contra três.

O superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, enxerga com cautela a redução de acidentes na capital baiana, já que não acompanha o número de multas aplicadas nesse período. “O fluxo de veículos está menor, no entanto, o fenômeno das vias mais livres, infelizmente não tem sido usado com prudência por quem ainda sai de carro pela cidade. Veja bem, o número de multas por avanço de sinal vermelho e velocidade captadas pelos radares não apresentou queda nesse período de isolamento. As pessoas estão cometendo abusos e a gente alerta é que se redobre a atenção independente do horário, especialmente em cruzamentos, mesmo com sinalização. O que menos precisamos é leitos ocupados por vítimas do trânsito por agora, é preciso se ajudar”, salientou. 

*A Transalvador informou através de nota que não havia o balanço do período de 01 a 06 de abril, conforme solicitado. O BNews através da ferramenta do Twitter, atualizada diariamente, coletou as informações que estão sujeitas a oscilações

Classificação Indicativa: Livre

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