Coronavírus
Publicado em 04/05/2020, às 09h15 Luiz Felipe Fernandez
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), cobrou empenho do Governo Federal para auxiliar os estados e municípios na compra de respiradores para as unidades de terapia intensiva (UTI), voltadas para pacientes com a Covid-19.
Em entrevista à rádio Metrópole, na manhã desta segunda-feira (4), o petista diz que desde a reunião com o ministro da Saúde, Nelson Teich, há uma semana, não houve mudança no cenário.
Segundo Rui, o médico oncologista Nelson Teich ainda não se encontrou no cargo ocupado após a turbulenta saída de Luiz Henrique Mandetta. A sua dificuldade, de acordo com o governador da Bahia, é a falta de "noção do que é saúde pública", em detrimento da sua atuação no "mercado privado".
"O atual ministro, acho que chegou no caminhão de mudança e está olhando ainda para que lugar vai, não se encontrou ainda. Não é fácil, alguém que não tem história no setor de saúde pública, que não conhece o ministério. Ele é um homem da saúde, mas um consultor do mercado privado, não tem a mínima noção do que é saúde pública. Caiu no ministério no meio de uma pandemia e está buscando se encontrar", avalia.
Já foram duas reuniões entre o ministro Nelson Teich e governadores do Consórcio do Nordeste, mas ainda sem nenhuma previsão de solucionar a falta de equipamentos essenciais no tratamento de pacientes em estado grave com o novo coronavírus. Apesar do empenho na construção novos leitos de UTI, muitos ainda esperam respiradores e outros aparelhos para funcionarem efetivamente, como no caso do hospital de campanha que inaugura esta semana na Arena Fonte Nova.
Rui explica que a única resposta do ministro foi a de que o Brasil conta com uma produção semanal de 180 respiradores, que serão distribuídos entre os estados durante o mês de maio, que é previsto como o de pico da doença. Na prática, a Bahia teria direito a cerca de 26 respiradores, o que foi considerado pelo governador muito abaixo do necessário para não se ter um colapso na rede de saúde.
"Temos 30 dias pela frente no mês de maio, quando o que sinaliza todas as contas, será o pior mês pro país, inclusive na Bahia, chegaremos ao limite da capacidade de oferta do serviço de saúde [...] a Bahia teria direito a 26 respiradores apenas, em um mês. O ministro disse que poderia usar o critério dos estados que estão piores, se 26 é insuficiente, nem 26 podemos esperar. Isso é dramático", lamenta.
A grande procura pelos aparelhos no mercado internacional, de acordo com o governador, tem feito o preço dos insumos "quadriplicar". Desta maneira, as nações mais ricas tem saído na frente no "leilão". Ele apela para o Governo Federal e diz que é muito mais difícil competir com outros países, se vai ao mercado como uma "subnação", que são os casos dos estados e municípios.
"O Governo Federal precisa ajudar os estados a encontrarem os respiradores. Uma coisa é cada estado subnacional buscar respiradores no mercado internacional, outra coisa é a nação, o país. Os respiradores da Bahia ficaram presos por uma nação, os EUA, ficamos prefeituras e estados lutando no mercado internacional com nações enquanto o Governo está omisso [...] eu diria que a grande ajuda que os governadores esperam hoje, é para encontrar respiradores e máquinas para que UTI's entrem em funcionamento", afirma.
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