Coronavírus

“É complicado falar sobre o Carnaval quando a curva no Brasil ainda está subindo”, diz pesquisadora

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Flavia Teixeira fala do processo de comercialização de vacinas e da reinvenção do Carnaval  |   Bnews - Divulgação Arquivo BNews

Publicado em 09/05/2020, às 09h24   Yasmin Garrido



O governador da Bahia, Rui Costa (PT), foi um dos primeiros a mencionar a possibilidade de cancelamento do Carnaval de 2021, em decorrência dos riscos provocados pela Covid-19. Embora o esperado é que em fevereiro do próximo ano a doença já não afete tanto a vida da população, não se pode dar uma certeza quanto a realização da festa de rua.

Isso porque, de acordo com bióloga e pesquisadora do World Mosquito Program (WMP) no Brasil, Flavia Teixeira, “é complicado falar sobre o Carnaval quando a curva no Brasil ainda está subindo, com diversos estados prolongando o período de quarentena”.

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A condição para a realização do Carnaval em Salvador, de acordo com declaração do governador baiano, foi a criação e distribuição de uma vacina eficaz contra o novo coronavírus. Mas, a pesquisadora alerta que o processo normal para se colocar uma vacina no mercado leva de 3 a 15 anos.

“Como há uma força tarefa de instituições públicas e privadas de muitos países, alguns especialistas acreditam em uma vacina antes do fim do ano, outros no prazo de um a dois anos”, explicou. Segundo dados da Confederação Nacional Comércio (CNC), o impacto econômico da não realização da festa seria gigantesco, já que as atividades turísticas relacionadas ao Carnaval movimentaram cerca de R$ 8 bilhões neste ano.

No Rio de Janeiro, estado que também já demonstrou preocupação com os desfiles das escolas e os blocos de rua, a situação é semelhante. Até agora, já estão suspensos a feijoada da Portela e os encontros para a escolha do samba enredo da Mangueira, o que se chama por lá de pré-Carnaval, um dos momentos mais importantes para as escolas arrecadarem fundos para o desfile.

No calendário, agosto seria o mês limite para o início das preparações para os desfiles. O coordenador da Plataforma De Estudos Do Carnaval da ESPM Rio, vinculado ao Think Tank sobre questões do Rio de Janeiro, o cRio ESPM, Marcelo Guedes, diz que, atualmente, essa arrecadação é zero.

"Hoje, os eventos promovidos pelas escolas e os ensaios em quadra, grandes fontes de receita para as escolas, estão cancelados", disse. "O que fazer com as despesas das escolas de samba, que incluem folha de pagamento e, caso se confirme a festa, como arrecadar recursos?", questionou o especialista. 

Diante disso, os especialistas afirmam que se vive, atualmente, um dilema entre perda de recursos econômicos para o país e incerteza dos riscos de contágio da Covid-19 no próximo ano.

Caso o Carnaval de 2021 seja cancelado, caem a arrecadação de impostos, a criação de vagas e o faturamento dos setores ligados ao turismo e ao comércio. Mas se as aglomerações são permitidas, ainda com risco de contaminação, a saúde pública e outras cadeias relacionadas são prejudicadas.

Para Marcelo Guedes, a única certeza é que o Carnaval 2021 não poderá ser realizado nos moldes de todos os anos. “Em uma possível realização do evento, poderá haver uma diminuição do tamanho das escolas e da produção de adereços e alegorias, que representam um forte percentual das despesas” .

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